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Posts Tagged ‘Trítonos – intervalos do delírio’

Já torturamos blasfemos e apóstatas, queimamos bruxas, hereges e livros em praça pública, já chamamos de degenerada a arte que questionava seus fundamentos e abria a porta para a criação de novas percepções e sensibilidades. Devo me corrigir. Continuamos torturando e matando bruxas, hereges, blasfemos e apóstatas – esses são crimes oficialmente passíveis de morte em vários países do mundo.

Talvez o peso de toda incapacidade histórica (e contínua, e atual) de acolhermos o Outro em sua profunda alteridade seja o que mais me aterra na sequência de acontecimentos ligados ao desejo de banir manifestações artísticas “degeneradas” (impossível, diante desses episódios, não lembrar do conceito de Arte Degenerada na Alemanha Nazista). Esses acontecimentos começaram no domingo (10/9), quando, por meio de pressão de um movimento que se define como liberal, a exposição “Queermuseu” – que estava aberta ao público desde o dia 8 de agosto em Porto Alegre – foi encerrada prematuramente por um museu mantido por um grande banco.

Cruzando Jesus Cristo com o Deus Shiva – Fernando Baril – uma das obras da exposição Queermuseu.

Na quinta-feira (14/9), quatro dias depois o encerramento da exposição “Queermuseu”, parlamentares da Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul registraram um boletim de ocorrência, por apologia ao estupro de vulnerável (pedofilia), contra a artista plástica mineira Alessandra Cunha, que tinha obras expostas no Museu de Arte Contemporânea de Campo Grande. A denúncia foi feita por causa de um quadro chamado “Pedofilia”, em que se vê uma espécie de sombra de uma figura masculina, com um pênis ereto, próximo a uma menina de olhos arregalados e assustados. No quadro, pode-se ler duas vezes a frase “O machismo mata, violenta, humilha”. Os deputados classificaram a obra da artista como promoção “de sacanagens e desrespeito à família e aos bons costumes”. Com base nessa denúncia, um delegado de polícia julgou que, como no quadro aparece a figura de um homem com o pênis muito próximo de uma criança, teria havido o crime de apologia e apreendeu o quadro (apesar de ser bastante óbvia a crítica que a obra faz desse ato), além de ter intimado a coordenadora do museu a depor sobre a exposição “Cadafalso”, da artista mineira.

Pedofilia - Alessandra Cunha - obra da exposição Cadafalso.

Pedofilia – Alessandra Cunha – obra da exposição Cadafalso.

Para coroar a semana de pânicos morais em relação a manifestações artísticas “degeneradas”, na sexta-feira (15/9), decisão liminar de um juiz proibiu a apresentação, no Sesc de Jundiaí (SP), da peça de teatro “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu”, em que Jesus Cristo é representado por (e como) uma travesti. A liminar foi concedida em ação movida por uma advogada para quem “a peça afeta a dignidade cristã, expondo ao ridículo símbolos como a cruz e a religiosidade que ela representa” (Processo n° 10164228620178260309 – Primeira Vara Cível da Comarca de Jundiaí/SP).

O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu – apresentação no Sesc de Jundiaí foi cancelada por decisão judicial (retirado da página do espetáculo).

Existe uma linha tênue que marca a diferença entre o caso do cancelamento da exposição “Queermuseu” e os outros dois casos ocorridos nessa semana. O cancelamento do “Queermuseu” foi fruto da pressão de movimentos que se insurgiram, por causa de certo pânico moral, fazendo com que indivíduos, assumindo o lugar de cruzados morais, se levantassem para acusar uma determinada manifestação artística, fazendo com que a instituição que a apoiava deixasse de fazê-lo. Já nos casos de quinta e sexta-feira, há uma intervenção direta de poderes públicos (a polícia ou o judiciário) contra a liberdade de expressão. O que ocorreu em Campo Grande, aliás, guarda muitas semelhanças a histórias contadas pelo Stanislaw Ponte Preta (pseudônimo de Sérgio Porto) na série de livros chamados “Febeapá – Festival de Besteiras que Assola o País”. Li o Febeapá na adolescência, durante a primeira metade da década de 90, e naquela época não podia imaginar que eu veria histórias como aquelas se repetindo. Nunca me esqueci de uma dessas histórias, em que um delegado de polícia havia apreendido todos os exemplares de uma encíclica papal, por se tratar de material pornográfico. Aquilo era tão absurdo – mesmo para os padrões do período da ditadura militar, em que o nonsense e o medo imperavam irmanados –, que ele foi questionado sobre como aquilo era possível. Mas o delegado respondeu, com uma truculência que perdura até os dias de hoje entre os que exercem poder policial, que quem entendia de literatura era a polícia… E hoje, na literatura contemporânea, temos o exemplo de um autor (Ricardo Lísias) que teve problemas com a Justiça por polêmicas relacionadas a pelo menos duas obras suas. Numa delas, Lísias teve de explicar à Polícia Federal algo óbvio: que uma decisão judicial dentro da obra Delegado Tobias era apenas ficção, e não uma falsificação documental.

No entanto, há também uma clara linha de continuidade nos três casos. Apenas quando uma parcela significativa da população clama por censura é que os poderes públicos têm o espaço necessário para exercê-la. Foi assim no nazismo. Foi assim no regime stalinista. Foi assim também em todas as ditaduras latino-americanas, durante a Guerra Fria. A decisão que proibiu a exibição da peça em Jundiaí, por exemplo, veio precedida, segundo a própria diretora do espetáculo censurado, por “ameaças de censura, ameaça física, insultos e difamação na internet” no decorrer de um ano que a peça está em cartaz – embora esta tenha sido a primeira vez em que o espetáculo foi impedido de acontecer. Já no caso da denúncia contra a autora do quadro “Pedofilia”, é sintomático que, antes de ela ocorrer, os deputados estivessem discutindo exatamente a exposição encerrada precocemente em Porto Alegre.

Inevitável pensar que as críticas que aparecem em meu livro “Trítonos – intervalos do delírio” a uma concepção divina dominada pelo masculino também podem ser vistas como degenerações, levando certos grupos a querer censurá-las um dia. Ali, invento uma obra perdida da filósofa Hipátia em que ela diz que, havendo um deus trino que criou o homem e a mulher a sua imagem e semelhança, sendo Jesus um homem e o Espírito Santo a relação de amor entre Jesus e a divindade criadora, essa primeira pessoa divina só poderia ser uma mulher, uma deusa mãe. No conceito de arte degenerada da Alemanha Nazista, fica muito claro que determinado tipo de arte era associada a certos grupos de pessoas. Por essa razão, me parece que proibir a arte é um limite tão extremo e perigoso, que tende sempre ao fracasso. Dizer que uma arte não pode ser feita significa que um determinado tipo de pessoas não deveria existir. Embora o estatuto do artístico dê – ou ao menos devesse dar – a possibilidade de abordar tabus sem fazer apologia, o discurso da arte não é panfleto e contém em si também a própria crítica. Assim, de uma certa forma não há assunto proibido à arte – e talvez aí resida seu maior poder.

Mas celebro uma constatação, talvez óbvia, diante de tudo isso: a força avassaladora da arte. A arte mobiliza as pessoas, funda sensibilidades, provoca e expõe as entranhas dúbias, inclusive, dos poderes. Numa semana como a última, em que três manifestações artísticas, em três pontos distintos desse imenso país, sofreram com perseguição e censura, há um pequeno alento em me dar conta de que as artes são uma forma de poder, nas mãos daqueles em que me reconheço.

Heronimus Bosch - O Jardim das Delícias Terrenas

O Jardim das Delícias Terrenas – Hieronymus Bosch – Arte Degenerada no fim da Idade Média?

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Por vezes, há presentes que o mundo espalha e vamos recebê-los depois, embora antes mesmo que soubéssemos eles já estavam ali. Como um fruto já maduro, aguardando as mãos que vão colhê-lo!

Cada leitura que recebo, recebo como um presente. Afinal, é um presente que alguém dedique seu tempo e seus olhos às palavras que escrevemos. E no dia de ontem, me deparei com um presente que já estava pronto para ser colhido desde o dia 17 de julho: uma generosa partilha de leitura do meu Trítonos – intervalos do delírio (à venda no site da Editora Patuá, no endereço http://bit.ly/teofilopatua), feita pela Carol Miranda em seu canal no Youtube. No vídeo, aliás, meu Trítonos está apenas com excelentes companhias!

Porque cada leitura é um presente, e cada partilha que testemunha a leitura é uma forma de multiplicar esse presente que recebo, com minha gratidão imensa divido esse presente por aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=UUDIHaJNNuU&t=228s

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Se perguntássemos a cem escritores o porquê de escreverem, certamente obteríamos cem respostas diferentes. Mas posso dizer que uma das razões que me levam à escrita é o desejo de encontro e de diálogo que a leitura propicia. Um evento como o de sábado é uma excelente oportunidade de exercício desse diálogo a partir da escrita, mas que se estende com a presença física, repleta de expressões, tons de vozes e sorrisos.

Fiquei feliz com cada abraço, cada dedo de prosa trocada, ainda que brevemente (era grande o desejo que o tempo não passasse e fosse possível conversar detidamente com todos). Fiquei muito feliz pelo interesse de muitos dos autores que me fazem companhia nesta coletânea tiveram em meu livro, lançado há um ano e meio pela Editora Patuá (saí com cinco novos potenciais leitores de meu Trítonos – intervalos do delírio!).

Compartilho aqui algumas lembranças fotográficas do lançamento pela Editora Oito e Meio da coletânea de contos Tabu (clique aqui para mais informações), da qual faço parte. O livro foi organizado pela Flávia Iriarte com integrantes do curso de escrita criativa do Carreira Literária.

Além das fotos, a Fabi (que, por ser a fotógrafa, acabou não saindo em nenhuma foto comigo) fez um vídeo lindo, para o canal do Laboratório dos Sentidos, sobre nossa viagem para o Rio de Janeiro. Deixo aqui também:

Lançamento do coletânea "Tabu" - 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com Marisa Tostes Daniel (mamãe) – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com André Balbo – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com André Balbo e Samir Oliveira Ramos – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu, com Samir Oliveira Ramos” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com Paula Giannini e Táscia Souza – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com Nuno Rau – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com Fernando Sousa Andrade e Nuno Rau – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com Nuno Rau – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do livro "Tabu" no sábado (15/7), na sede da Editora Oito e Meio.

Lançamento do livro “Tabu” no sábado (15/7), na sede da Editora Oito e Meio.

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(com Roberta Tostes Daniel, Fabiana Turci, Laboratório dos sentidos, Trítonos – intervalos do delírio e Editora Patuá)

Essas são as palavras que mais uso no Facebook. Quais são as suas?

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Ontem essa indagação não me saiu da cabeça: a mitificação de alguém é uma forma de desumanizá-lo? Que processos nos levam a apagar o lado humano de alguém que admiramos demais, para torná-lo uma espécie de semideus?

Anteontem à noite (25/5), fui ao lançamento do livro Estórias autênticas (Editora Patuá), do querido André Balbo, no Patuscada. Ainda não havia conseguido que o André autografasse o meu exemplar (sim, uma ótima notícia: o lançamento foi bem concorrido!), quando o Edu (Eduardo Lacerda) comenta comigo que haviam dito que o Raduan Nassar estava lá.

Meu primeiro sentimento foi um misto de incredulidade e espanto. O Raduan Nassar habita, ao lado de outros quatro escritores, uma parede da minha casa, dedicada às referências literárias mais importantes, comuns a mim e à minha esposa. Um conjunto pensado há sete anos, quando planejávamos os detalhes de como seria a nossa casa. Num tempo em que a matéria da vida quotidiana se modificava e ganhava novos significados projetados pelas emanações de sonhos em comum. Alguns dos cinco quadros que existiam originalmente na casa da Fabi emoldurariam novas fotos.

Foram conversas várias para que chegássemos a cinco nomes. Havia uma projeção de que novos quadros poderiam vir, aumentar esse conjunto, mas isso não ocorreu. Claro que certos autores já então cogitados se agigantaram ainda mais (como no caso de Ítalo Calvino) e outros surgiram assombrosamente (como Ismail Kadaré). Mas acredito que ali habitam a base do que me forma como leitor, e boa parte do que forma a Fabi (que vai muito além de mim) como leitora. Não consigo imaginar minhas palavras sem tê-los encontrado um dia. Estão lá Drummond, sentado modestamente no chão a folhear um livro próprio; Hilda Hilst abraçada com ternura a um cão; Borges com um olhar de tempestade, voltado para a incerteza; Guimarães Rosa acariciando um excêntrico rinoceronte. E, no centro, sentado numa cadeira sob uma árvore, talvez em sua mítica terra que o fez abandonar a escrita, Raduan Nassar.

Drummond, Hilda Hilst, Borges, Guimarães Rosa e Raduan Nassar habitam nossa cozinha, o lugar mais sagrado da casa.

Isso significa que aquela espécie de entidade que habita nossa cozinha, que é o lugar mais sagrado da casa, estava ali. Devo muito da minha linguagem à leitura dos livros de Raduan. Mas não teria como dizer isso a ele. Não teria como contar o alumbramento perplexo suas palavras me causaram. O quanto elas foram fundantes para o prosador que sou, e que desejo me tornar. Também não teria como dizer que a fala de um dos personagens do meu Trítonos tem toda fala construída como um fluxo, um jorro, como o vi fazendo em “Um Copo de Cólera”. E que nessa mesma fala há uma espécie de incorporação de uma trecho do “Lavoura Arcaica”, em que o personagem diz que será o profeta da própria história.

Quando fui buscar o autógrafo do meu exemplar do livro do André, numa sala mais reservada, aquela figura deixou de ser apenas um quadro na parede, e um nome na capa de livros essenciais. Diante de mim estava ele: Raduan! Desde então, fui meio que levado pelos acontecimentos. Ainda não acredito que autografei e dei um exemplar do meu Trítonos – intervalos do delírio para Raduan Nassar. Era como conhecer uma entidade mítica. E a perplexidade paralisa. Ao lado de Raduan, outra figura conhecida. Embora longe de ser mítica, é alguém que, em tempos de uma política desumana que a administração da cidade vem adotando, deixa saudoso o cidadão político que sou: Fernando Haddad.

No entanto, num primeiro momento, só consegui ver o escritor e mito. Em vão tentei balbuciar algo absolutamente banal, falando do quanto era difícil de acreditar naquele momento. Mas eu sabia que quaisquer palavras eram insuficientes. Voltei para casa eufórico, como se tivesse vivido uma experiência sobrenatural. Repleto de uma emoção difícil de explicar, mas plenamente possível de entender. Ao mesmo tempo, porém, pensava no quanto aquela euforia e aquele maravilhamento, que quase me emudeceram, nasciam da mitificação de um homem. Ao entrar naquela sala, vi um homem frágil, talvez um pouco menor que eu, feito de carne e osso, sentimentos e incertezas. Mas essa dimensão havia se apagado. Meus olhos viam apenas a figura mítica, o escritor desmedido e o personagem repleto de idiossincrasias, que largou a literatura para cuidar da terra e seus maravilhamentos. E essa figura me parecia desumanizar o Raduan homem.

Longe da emoção, penso que talvez eu devesse ter falado que sabia que toda aquela situação talvez fosse um pouco constrangedora para ele, mas que certamente ele também entendia que, como leitor, me era impossível não lhe dizer o quanto o admirava. Afinal, era ele: Raduan Nassar. Há seis anos ele habita o espaço mais sagrado da minha casa. Suas palavras me habitam há pelo menos uns quinze. E era lindo conhecê-lo ali na Patuscada, pois aquele lugar também é, um pouco, uma espécie de casa para mim…

Fernando Haddad, Raduan Nassar, Edson Valente, Eduardo Lacerda e eu.

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Hoje me deparei com uma alegria que mostra que um livro não se esgota na novidade de seu lançamento. Ele é capaz de produzir vários e inesperados desdobramentos. Isso porque é o leitor quem direciona e determina os sentidos de uma obra.

Ontem, foi publicada a entrevista que o querido Fernando Sousa Andrade fez comigo, sobre o meu Trítonos – intervalos do delírio, para o Ambrosia.com.br. Foi um grande prazer e um grande privilégio refletir, a partir desse diálogo, sobre o processo de escrita do livro, revisitar temas e caminhos da criação.

Escrevo também pelo desejo de encontro. E essa entrevista foi um desses felizes encontros, em que senti que a escrita alcançou o seu delírio de alucinar nos olhos do leitor.

Para ler a entrevista, clique aqui. E caso tenha interesse em adquirir o livro, ele está à venda no site da Editora Patuá. Acesse http://bit.ly/teofilopatua.

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Em 2014, me lancei um desafio. Escrever periodicamente neste blog. Num primeiro momento, a ideia era fazer publicações semanais. Não tive fôlego para isso e, logo no início, alterei a periodicidade para quinzenal.

Esses três anos mantendo esse projeto revitalizaram meu blog, fazendo com que se ampliassem os acessos e as leituras. Basta constatar que entre 2014 e 2016, publiquei 106, dos 165 textos aqui publicados (contando este). Nesse período, terminei a escrita e lancei (em dezembro de 2015) o meu livro “Trítonos – intervalos do delírio“. Muitas das publicações feitas aqui entre fins de 2015 até dezembro do ano passado ecoam esse livro.

Os resultados dessas publicações periódicas já se evidenciaram em 2014. Foram 36 textos publicados, 1386 visitas e 2027 visualizações. Em 2015, os números foram ligeiramente mais modestos: 28 textos publicados, 1276 visitas e 1930 visualizações.

Em contrapartida, 2016 foi um ano talvez inigualável para esse modesto “lugar de ensaiar com as palavras”. No ano passado, eu fiz 42 publicações. O blog alcançou incríveis 1812 visitas e 2777 visualizações. Dezembro foi o mês com o maior número de visualizações (284) e o segundo maior número de visitas (195). O maior número de visitas no ano passado foi alcançado em setembro (198), que foi o segundo melhor em visualizações (282).

A resenha que fiz sobre o livro de contos “Olhos d´Água“, da Conceição Evaristo, publicada em abril, foi o texto mais acessado do ano passado. Com uma diferença de somente um acesso, o poema “Se eu acreditasse num deus“, publicado no fim de novembro, ficou em segundo lugar. Talvez pelo tema (questionamentos sobre o sagrado, a fé e a dúvida), ele acabou se tornando um fenômeno de acessos em pouco tempo.

O terceiro post mais acessado também foi um fenômeno de acessos em um prazo curto de tempo. Ele foi feito em comemoração a um ano de lançamento do meu livroTrítonos“, pela Editora Patuá. Lá, eu compartilho uma playlist de músicas tocadas pelo personagem Demian no conto “Gritos do açafrão” – conto que acabou me levando a encontrar o nome e a forma do livro, que estão interligadas.

Na sequência, temos um poema de amor escrito para minha esposa, Fabiana Turci, quando completamos cinco anos de casados (o “Cinco variações sobre um tema amoroso“), escrito em janeiro. Por fim, empatados na quinta colocação, se encontram um texto sobre os caminhos nebulosos da nossa política e da nossa democracia, escrito ainda março, quando um diálogo entre a então presidenta Dilma e o Lula foi divulgado de forma indevida (ou, no mínimo, questionável) pelo juiz Sérgio Moro (“O dia de hoje nos livros de História“), e um poema-resposta à leitura do último livro de Pedro Tostes (o post tem o mesmo nome do livro: “Jardim minado“).

Além desses seis textos mais acessados, há outros dois textos que merecem destaque. O primeiro é “Cisgeneridade: a suposta natureza é um silêncio“, que foi texto escrito em 2015 mais acessado naquele ano, foi o segundo texto não escrito em 2016 mais acessado do ano, ficando imediatamente atrás do “Cinco variações sobre um tema amoroso”. O segundo destaque tem relação direta com os primeiros dias de 2017. Todo ano, o texto mais acessado é sempre “O meu coração é um músculo involuntário e ele pulsa por você” (certamente por causa da música, de cujos versos retirei esse título), escrito em 2006 ainda no antigo blog, e posteriormente migrado para o blog atual. Em 2016 não foi diferente. Mas nos primeiros 28 dias de 2017, o texto até agora mais acessado foi “Fúria Travesti“, escrito ano passado após a morte da ativista argentina Lohana Berkins. Como amanhã (29 de janeiro) é o Dia da Visibibilidade Trans, não podia deixar de destacar esses dois textos. O primeiro deles, inclusive, foi especialmente escrito para ser publicado no Dia da Visibilidade Trans de 2015 (veja a mobilização desse ano em torno da #VisibilidadeTRANS no Youtube, no Facebook e no Twitter).

Em 2017, haverá uma mudança de rumos por aqui, afinal os caminhos aqui se inventam sob os pés que os percorrem. Não continuarei com as publicações quinzenais. Tenho projetos literários me esperando, dois livros que estão sendo escritos e outros projetos ainda em fase de primeiras notas. E para poder me dedicar mais a essa escrita, vou reduzir a frequência de textos no blog. Meu objetivo então será o de fazer, pelo menos, uma publicação por mês aqui no Ensaio Aberto. Isso porque alguns outros ensaios com as palavras não podem ser tão abertos assim…

2017criarocaminho

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