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Archive for dezembro \13\UTC 2013

Há dez anos, inaugurava o Tablo[i]g na blogosfera. Na época, embora os blogs fossem uma febre, eu optei por fazer um blog dentro de um site pessoal, todo construído em HTML. Tinha aprendido, não havia muito, a construir sites. Portanto, além do exercício de escrita, havia também o exercício da edição.

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Primeira versão do Tablo[i]g num antigo site pessoal

O nome, simplório, conquistou permanência. Junção das palavras Tabloide e Blog. Sua ideia era existir na fronteira das noções de um caderno de notas públicas e de um tabloide íntimo.

Hoje, olho para traz buscando tatear aquele que fui, e que deu início ao exercício público da escrita. Sou o mesmo e tão diverso do eu que era… Dez anos de vida é vida inteira. A gente é capaz de se recontruir incontáveis vezes num tempo assim tão dilatado. É capaz de se inventar novo de tempos em tempos, sem perceber que o novo guarda o mesmo que lhe deu origem. E que recolhe na memória alguns vestígios de história, a que se costuma chamar identidade.

Aquele que fui se rendeu às facilidades de uma plataforma para blog somente em 2005. Quando já habitava outra cidade. Era outro? Talvez fosse, na telúrica Minas. Passeei pelo novo blog, expondo textos e tateando incertezas, durante cinco anos.

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O Tablo[i]g enfim se rende à plataforma de blog em 2005

A internet era outra. E o eu, também outros — vezes tantas! Com as mudanças da internet, fui levado a inaugurar em 2010 meu blog atual. As ferramentas da nova plataforma me permitiram, além de continuar meu “caderno de notas públicas”, recolher e armazenar os textos antigos dos dois blogs anteriores. Foi o que fiz, reunindo essa dispersa história que, nesta sexta-feira 13, completa dez anos.

São dez anos de escrita pública aqui, nas infovias. E dez anos de outras escritas várias, em grande parte ainda não publicadas. Isso porque eu acabo sendo um tanto antiquado: em geral, quando escrevo, penso em livro. Livro impresso. Tinta em papel. Por isso, termino relegando ao blog o esporádico das palavras. Mais do que um caderno de notas públicas ou um tabloide íntimo, faço do meu blog um espaço de diálogo impermanente. Ou de ensaios de escrita. Ou de tudo quanto é vário e inacabado. Talvez aí resida a verdade de meu blog se anunciar como um caderno de notas públicas…

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Em 2010, na nova plataforma, o Tablo[i]g passa a não só cumprir sua função de “caderno de notas públicas”, mas também a reunir sua história, armazenando os posts dos dois blogs anteriores

Para 2014, pretendo dar ao Tablo[i]g uma nova dinâmica de atualização que dependa menos de eu querer publicar no ecrã algo daquilo que escrevo para manchar a brancura do papel. É o desejo de hoje. Tudo pode mudar até lá, embora estejamos às portas desse novo ano. Se é assim, que ele abra uma nova década aos meus escritos!

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Dia a dia, são diásporas
que transmutam as entranhas
das cidades. Megalópoles
erigem distâncias tantas,
fundam tribos sem contato
e sem qualquer vizinhança.

A carne da multidão
se esvai em sangue no cinza
asfalto, donde não rompem
quaisquer flores improváveis.
Célere, transita a vida
sem chegar a não-lugares.

Faustos, beatos, pactários,
faunos, putas, cramulhões,
rábulas, cegos, senhores,
indigentes e doutores:
os frágeis pés dessas gentes
acumulam pó das ruas.

Os pés passam desfilando
o transitório das gentes
sobre o pó de todo espaço.
Público. Local de encontro,
concerto ou desacerto
de almas sempre sozinhas.

Solidão em SP - Foto: Frederico Antonio Ferreira
Solidão em SP
Foto: Frederico Antonio Ferreira

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