Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘Cibercultura’ Category

Ouvir Bach foi sempre um enlevo para mim. E talvez a ária Erbarme Dich seja uma das peças que mais ouvi dele, exatamente porque é das que mais me arrebatam. Por isso, em primeiro lugar quero registrar meu agradecimento ao André Estevez (meu professor de canto), à Camila Brioli e à Carolina Rosati Colepicolo, por terem tornado esse momento possível, contornando as inseguranças de um cantor amador como eu, que se aventura num desafio arriscado (agradeço também à minha amada Fabi Turci, pelo registro).

Bach é um compositor único. Ao ouvi-lo, ele me parece conduzir o fio de suas melodias de uma forma quase orgânica. Ao cantá-lo (ou executá-lo), no entanto, vejo claramente o quanto ele fazia música como um exercício inconsciente da matemática. Sua precisão é aterradora e, por isso, vozes que parecem passear livres se encontram e se enlaçam tanto e com tamanha harmonia. Fazer uma peça de Bach exige em primeiro lugar uma precisão e uma segurança rítmicas que me ultrapassam. Por isso, ao ensaiar a peça, saí com grande temor. Qualquer tropeço seria emaranhar-se num novelo do qual ficaria impossível sair e voltar ao fio da meada. Por isso, acabei estudando loucamente, cantando de forma quase exaustiva, aparando aresta, firmando entradas. E, além disso, contei com a generosidade e a competência de duas grandes musicistas, que fizeram de tudo para que eu me sentisse mais seguro.

Com isso, superei a parte de tornar possível esse grande desafio. Tenho consciência que agora é preciso trabalhar mais, para tornar o possível mais fácil e — por que não? — transformar facilidade em mais beleza e expressividade. É um longo caminho a trilhar. Mas ter cantado pela primeira vez essa ária desafiadora, que escuto há tantos anos, já foi uma alegria e um importante primeiro passo. Quero, talvez no ano que vem, tentar novamente essa música e vislumbrar uma evolução — e, me ouvindo, ouço claramente que há ainda bastante a progredir…

O Erbarme Dich é uma ária do oratório “A Paixão segundo São Mateus” (BVW 244), de Johann Sebastian Bach. Ela é cantada logo após o trecho que narra o momento em que Pedro nega Cristo por três vezes. A ária expressa a penitência, o choro de Pedro, ecoando como um pedido de misericórdia. O trecho do Evangelho que narra a negação de Pedro termina dizendo que Pedro, saindo, “chorou amargamente”. E é o choro de Pedro que a música ecoa: Schaue hier, Herz und Auge / weint vor dir bitterlich (Olhai aqui, olhos e coração / choram amargamente diante de vós).

Erbame Dich (do oratório “A Paixão segundo São Mateus”)
Johann Sebastian Bach

Barítono: Teofilo Tostes Daniel
Violino Barroco: Camila Rosati Colepicolo
Piano: Camila Brioli

Recital dos alunos de canto de
André Estevez e Angélica Menezes
16 de dezembro de 2017
Espaço Núcleo
Filmagem: Fabiana Turci

Anúncios

Read Full Post »

Capa do livro “Trítonos – intervalos do delírio” (Editora Patuá, 2015)

Faz exatamente dois anos do lançamento de “Trítonos – intervalos do delírio“. Era uma quarta-feira, 2 de dezembro de 2015. Eu estava de férias. O lançamento havia começado às 19h e seguiu até 22h na Casa das Rosas (e até mais tarde em casa, com a família e amigos. Essa é uma data que celebro muito. E que celebrarei sempre, não tenho dúvidas. Ter publicado “Trítonos” foi o acontecimento literário mais importante na minha vida até hoje.

Exatamente no dia de hoje, recebi da querida Tamy, do canal LiteraTamy, dois presentes muito especiais. O primeiro foi uma resenha muito generosa no site dela, que foi um verdadeiro mergulho em meu livro. Um mergulho capaz de trazer a tona muitas camadas do livro e de cozer sentidos a partir do lido — afinal, quem sempre tem a palavra (ou o silêncio, pois na minha experiência de leitor, há leituras que me calam) final é o leitor.

O outro presente foi um vídeo-entrevista, publicado hoje em seu canal no Youtube. O vídeo é resultado de uma conversa deliciosa que tivemos no dia 17 de novembro. E como forma de retribuir a todos os leitores (que já me leram ou me lerão), dei ao canal um exemplar para ser sorteado a quem tiver interesse em ganhá-lo. Para participar do sorteio, basta ser inscrito no canal e dizer nos comentários que deseja participar.

Deixo o meu muito obrigado à Tamy. Pela leitura generosa, que se transformaram nos presentes que me deu nesse dia!

Fiquei muito feliz com essa conversa. Mas gostaria muito de ter falado duas coisas durante ela, que acabei não dizendo. Por isso, uso a palavra escrita — que costumo manejar um pouco melhor do que a fala — para fazer isso.

A primeira delas não é algo essencial. Mas há um determinado momento em que a Tamy me pergunta, além de Guimarães Rosa, que outros autores foram importantes para mim, como autor de um modo geral, mas principalmente para o livro, e até que ponto eles me influenciaram. Eu falei de Jorge Luis Borges e Ítalo Calvino. Mas faltou dizer que omiti dois essenciais: Raduan Nassar e Ismail Kadaré. Há “apropriações” de trechos tanto do “Lavoura Arcaica” quanto do “Abril Despedaçado” na fala do personagem Marco Ukaçjerra. Aliás, a forma da fala desse personagem, num fluxo contínuo sem pontuação, é inspirada no início da novela “Um copo de cólera” do Raduan. Já o nome do personagem é apenas forma aportuguesada de Mark Ukaçjerra, nome do feitor de sangue do kanun do “Abril Despedaçado”.

A segunda omissão que há no vídeo é bem mais essencial em tudo. Isso porque acabei não dizendo em nenhum momento da importância que a minha esposa, a Fabi, teve para o livro. Já escrevi em outro texto que, como leitora primeira, modificou muitas vezes e essencialmente os rumos de minha prosa nesse projeto. E isso ocorre em praticamente tudo que escrevo, desde que nos conhecemos. E, sobretudo, desde que começamos a namorar, quando a Fabi se tornou a primeira leitora e, de alguma maneira, destinatária de tudo que escrevo. E esse processo começou antes mesmo do nosso namoro, quando seus comentários ao conto “Gritos do Açafrão” permitiram que ele se transformasse naquilo que ele se tornou. Foi assim em todo o “Trítonos”. E tem sido assim em todos os meus escritos. No livro, seu nome aparece como revisora (além da parte da dedicatória). Mas sua importância não tem nem um nome apropriado, pois ela participa, amplia e torna mais bonito tudo o que consigo fazer durante meu processo de escritura. Devo a ela muitas ideias, muitas indicações (como a do livro do José Miguel Wisnik, indicação que eu não cito no vídeo-entrevista, embora já tenha escrito sobre ela). Além disso, lhe devo também muitos sorrisos e alegrias, mas isso não é o terreno da literatura (embora a literatura esteja sempre imbricada na vida).

“Trítonos — intervalos do delírio”, no LiteraTamy

 

Foto: Tamy Ghannam – Instagram do Blog e Canal LiteraTamy (Divulgação)

 

Foto: Tamy Ghannam – Instagram do Blog e Canal LiteraTamy (Divulgação)

Atualização em 18/12: Na semana passada, foi feito pela Tamy o sorteio de um exemplar de Trítonos, que vai encontrar um leitor do Rio Grande do Sul!

Read Full Post »

Foto: Mell Ferraz – Blog e Canal Literature-se (Divulgação)

A Mell Ferraz, do canal e Blog Literature-se, vai promover um sorteio especial, para celebrar os 70 mil inscritos no canal do Youtube. E a maneira não poderia ser melhor: sorteando livros.

Ao todo, são 12 kits de livros, chegando no total de pouco mais de 70 livros sorteados. Tem livros para todos os gostos e idades: clássicos, infanto-juvenis, bestsellers, livros de não ficção… E algo especial nesse sorteio é que dois desses kits são compostos por livros nacionais contemporâneos. Num deles está o meu Trítonos – intervalos do delírio, como um presente pelos dois anos de seu lançamento, que se comemora amanhã (2 de dezembro). O livro foi resenhado pela Mell num vídeo em dezembro do ano passado.

O sorteio vai ocorrer quando o canal chegar a 70 mil inscritos (e falta pouco!). Quer participar? Assista ao vídeo abaixo para saber como. E não deixe de se inscrever, pois o conteúdo do canal é ótimo. E, além disso, para participar do sorteio é preciso ser inscrito por lá.

www.youtube.com/watch?v=40q7I8ZY2rw

Aproveito o ensejo para relembrar a resenha que a Mell fez, há quase um ano, do meu livro. Uma resenha generosa que até hoje me enche de alegria.

Como o Trítonos só está em um dos Kits, para quem tiver interesse no meu livro de contos, mas não ganhá-lo nesse sorteio, ele está à venda no site da Editora Patuá, em http://bit.ly/teofilopatua.

Foto: Mell Ferraz – Blog e Canal Literature-se (Divulgação)

 

Atualização em 11/12/2017. O sorteio já ocorreu e teve o resultado divulgado no vídeo abaixo:

Read Full Post »

Por vezes, há presentes que o mundo espalha e vamos recebê-los depois, embora antes mesmo que soubéssemos eles já estavam ali. Como um fruto já maduro, aguardando as mãos que vão colhê-lo!

Cada leitura que recebo, recebo como um presente. Afinal, é um presente que alguém dedique seu tempo e seus olhos às palavras que escrevemos. E no dia de ontem, me deparei com um presente que já estava pronto para ser colhido desde o dia 17 de julho: uma generosa partilha de leitura do meu Trítonos – intervalos do delírio (à venda no site da Editora Patuá, no endereço http://bit.ly/teofilopatua), feita pela Carol Miranda em seu canal no Youtube. No vídeo, aliás, meu Trítonos está apenas com excelentes companhias!

Porque cada leitura é um presente, e cada partilha que testemunha a leitura é uma forma de multiplicar esse presente que recebo, com minha gratidão imensa divido esse presente por aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=UUDIHaJNNuU&t=228s

Read Full Post »

trabalho blog além
forma delírio escrita primeiro
intervalos dessa amada leitura
hoje espécie livro
meio poema alegria
anos projeto poesia

leitor ainda

fazer trítonos exatamente palavras
patuá desse ontem
conto vida
publiquei sentidos

editora laboratório

(com Roberta Tostes Daniel, Fabiana Turci, Laboratório dos sentidos, Trítonos – intervalos do delírio e Editora Patuá)

Essas são as palavras que mais uso no Facebook. Quais são as suas?

Read Full Post »

Em 2014, me lancei um desafio. Escrever periodicamente neste blog. Num primeiro momento, a ideia era fazer publicações semanais. Não tive fôlego para isso e, logo no início, alterei a periodicidade para quinzenal.

Esses três anos mantendo esse projeto revitalizaram meu blog, fazendo com que se ampliassem os acessos e as leituras. Basta constatar que entre 2014 e 2016, publiquei 106, dos 165 textos aqui publicados (contando este). Nesse período, terminei a escrita e lancei (em dezembro de 2015) o meu livro “Trítonos – intervalos do delírio“. Muitas das publicações feitas aqui entre fins de 2015 até dezembro do ano passado ecoam esse livro.

Os resultados dessas publicações periódicas já se evidenciaram em 2014. Foram 36 textos publicados, 1386 visitas e 2027 visualizações. Em 2015, os números foram ligeiramente mais modestos: 28 textos publicados, 1276 visitas e 1930 visualizações.

Em contrapartida, 2016 foi um ano talvez inigualável para esse modesto “lugar de ensaiar com as palavras”. No ano passado, eu fiz 42 publicações. O blog alcançou incríveis 1812 visitas e 2777 visualizações. Dezembro foi o mês com o maior número de visualizações (284) e o segundo maior número de visitas (195). O maior número de visitas no ano passado foi alcançado em setembro (198), que foi o segundo melhor em visualizações (282).

A resenha que fiz sobre o livro de contos “Olhos d´Água“, da Conceição Evaristo, publicada em abril, foi o texto mais acessado do ano passado. Com uma diferença de somente um acesso, o poema “Se eu acreditasse num deus“, publicado no fim de novembro, ficou em segundo lugar. Talvez pelo tema (questionamentos sobre o sagrado, a fé e a dúvida), ele acabou se tornando um fenômeno de acessos em pouco tempo.

O terceiro post mais acessado também foi um fenômeno de acessos em um prazo curto de tempo. Ele foi feito em comemoração a um ano de lançamento do meu livroTrítonos“, pela Editora Patuá. Lá, eu compartilho uma playlist de músicas tocadas pelo personagem Demian no conto “Gritos do açafrão” – conto que acabou me levando a encontrar o nome e a forma do livro, que estão interligadas.

Na sequência, temos um poema de amor escrito para minha esposa, Fabiana Turci, quando completamos cinco anos de casados (o “Cinco variações sobre um tema amoroso“), escrito em janeiro. Por fim, empatados na quinta colocação, se encontram um texto sobre os caminhos nebulosos da nossa política e da nossa democracia, escrito ainda março, quando um diálogo entre a então presidenta Dilma e o Lula foi divulgado de forma indevida (ou, no mínimo, questionável) pelo juiz Sérgio Moro (“O dia de hoje nos livros de História“), e um poema-resposta à leitura do último livro de Pedro Tostes (o post tem o mesmo nome do livro: “Jardim minado“).

Além desses seis textos mais acessados, há outros dois textos que merecem destaque. O primeiro é “Cisgeneridade: a suposta natureza é um silêncio“, que foi texto escrito em 2015 mais acessado naquele ano, foi o segundo texto não escrito em 2016 mais acessado do ano, ficando imediatamente atrás do “Cinco variações sobre um tema amoroso”. O segundo destaque tem relação direta com os primeiros dias de 2017. Todo ano, o texto mais acessado é sempre “O meu coração é um músculo involuntário e ele pulsa por você” (certamente por causa da música, de cujos versos retirei esse título), escrito em 2006 ainda no antigo blog, e posteriormente migrado para o blog atual. Em 2016 não foi diferente. Mas nos primeiros 28 dias de 2017, o texto até agora mais acessado foi “Fúria Travesti“, escrito ano passado após a morte da ativista argentina Lohana Berkins. Como amanhã (29 de janeiro) é o Dia da Visibibilidade Trans, não podia deixar de destacar esses dois textos. O primeiro deles, inclusive, foi especialmente escrito para ser publicado no Dia da Visibilidade Trans de 2015 (veja a mobilização desse ano em torno da #VisibilidadeTRANS no Youtube, no Facebook e no Twitter).

Em 2017, haverá uma mudança de rumos por aqui, afinal os caminhos aqui se inventam sob os pés que os percorrem. Não continuarei com as publicações quinzenais. Tenho projetos literários me esperando, dois livros que estão sendo escritos e outros projetos ainda em fase de primeiras notas. E para poder me dedicar mais a essa escrita, vou reduzir a frequência de textos no blog. Meu objetivo então será o de fazer, pelo menos, uma publicação por mês aqui no Ensaio Aberto. Isso porque alguns outros ensaios com as palavras não podem ser tão abertos assim…

2017criarocaminho

Read Full Post »

Veredas do Tempo

(Teofilo Tostes Daniel)

Intro.: Am E7 (2x)

__ Am ______________ E7
Eu corro pelas veredas do tempo
__ Am _______________ A7
Tecendo caminhos com meus pés
Dm ____________ C C5+/7+
Eu que desenho as paisagens
_______ F _________________ E
Que transporto em minhas próprias viagens
_______ F ____________ E E7
Que transbordo em minhas marés

Am ____________ E7
Escrevo no ventre do vento
Am ____________ A7
Sussurros que fazem soar
Dm ___________ C C5+/7+
O que o silêncio me fala
______ F ________ E
Que não cala no peito e faz vibrar o ar
____ F _______________ E
E permite que eu construa em mim um lar

_ Am __ E7
O corpo é guardião da memória
_______ F ______ E
Em meus pés eu levo as estradas, trajetórias
_____ F ___________ E ___________ E7
E sob a pele habitam-me as canções e as histórias

__ Am _____________ E7
Percorro as incertezas do tempo
___ Am _____________ A7
Que trago sozinho em meu revés
Dm _____________ C C5+/7+
Eu que consinto em miragens
____ F _____________ E
E naufrago em meus personagens
_____ F __________________ E
Mas renasço em minhas próprias marés

_ Am __ E7
O corpo é celebração da minha história
_______ F _________ E
Em meus céus eu guardo as miradas, desmemórias
_____ F ________ E _____ E7
E sob a pele deliram sensações

Am

Read Full Post »

Older Posts »

%d blogueiros gostam disto: