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Archive for novembro \12\UTC 2006

Vozes do Silêncio


Certa vez ouvi de um físico que as ondas sonoras jamais se extinguem completamente. Vão perdendo intensidade, tornando-se infinitesimais, mas permanecem vagando imperceptíveis, nunca extintas.

Não sei a exatidão física e científica disso, que ouvi de um homem de ciências. Mas me espantam a força e a exatidão poética desta realidade que, mesmo irreal, merece existir ao menos nos devaneios e nas quimeras. E na minha mente. E no meu silêncio, povoado de versos arcaicos, sons primevos, melodias, canções, gritos e sussurros. Sim, por trás do silêncio oiço os sons que nunca se extinguem. Meu silêncio é e sempre foi povoado de sons.

Mesmo o meu silêncio de hoje, o não-dizer o que já se sabe, contém o que já foi dito. Mesmo na ausência de palavras de amor, retiro de ondas que não se extinguem os meus versos, molhados com palavras tão eternas, ditas, quiçá, pelos primeiros poetas anteriores à escrita.

Ante a eternidade de minhas palavras, que vagarão sem rumo no tempo sem fim do infinitesimal, é preciso ter cuidado. É preciso não dizer o que jamais desejaria assinar com a essência de minha carne, é preciso calar o que não deve ser tornado verbo. Por isso, extirpo de mim palavras letais e levianas; por isso amo as palavras poéticas e as persigo para persignar-me, incréu que sou, com aquilo que sei que sobreviverá a mim…

Retiro de trás do silêncio as vozes que ecoam em meu canto. E mesmo sem murmurar que te amo, vagam no espaço, eternas pelo tempo, as palavras de amor que nos dissemos e que nunca se extinguirão…

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