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Posts Tagged ‘Livros’

Há muitas coisas que cabem nos laços de irmandade. Irmãos geralmente partilham as primeiras memórias que os conformam como seres no mundo. Dividem histórias colhidas nos caminhos e veredas por que passaram. Repartem brincadeiras, segredos e amigos. Compartem ainda gostos, descobertas e alumbramentos.

Entre mim e minha irmã, há ainda uma partilha fundante de nossa experiência no mundo: o rito da escrita. Descobrimos juntos, embora por caminhos paralelos, esse sacro ofício de cultuar palavras. Éramos crianças, quando ela inventou sua primeira cerimônia de sagração da linguagem, num caderno dedicado à escrita de histórias – geralmente um pouco trágicas. Uma poeta que teve sua infância na prosa, redescobriu-se “um animal, no ermo / da linguagem” com a prosa poética e, por fim, assenhorou-se dos versos. Apropriei-me também desse rito brincante e, com onze ou doze anos, inventei-me poeta – somente muitos anos depois é que fui invocar as energias e os fluxos da prosa.

Durante toda essa trajetória, partilhar os ritos da escrita formou esse laço que participa dos fundamentos de nossa experiência de irmandade. Sempre fomos leitores um do outro. Muitas vezes, isso suplantava silêncios impostos pelo hábito – sobretudo meu, que sempre fui um animal silencioso e sempre usei a escrita também como um escudo, onde tentava realizar a impossível tarefa de esconder fragilidades. Não pude deixar de pensar no silêncio – e na escrita esgarçando sons e, por vezes, dissonâncias nas entranhas dele – ao ler os versos “Foi preciso muita palavra / até arrancar deste silêncio / um lugar seguro.”

A leitura é sempre uma experiência pessoal. Aqui neste livro, em especial, é muito frequente eu cometer o “pecado” de inserir na literatura o biográfico. Em diversos momentos, me lembro que uma parte central daquilo que nos tornamos teve início naquela longínqua atividade em que cada um de nós consagrou um caderno somente para a escrita. Vivíamos uma segunda mudança de cidade e, naquele momento em que o movimento parecia mais definitivo – dentro do provisório de todas as coisas –, tomávamos contato com a poesia de nosso pai, junto dos livros da minha mãe que haviam chegado do Rio de Janeiro – e longe dos quais estivemos por mais de um ano. Nosso pai já era uma ausência há alguns anos e, naquele contato com poucos de seus escritos, pudemos buscar uma espécie de diálogo literário para preencher o vazio de sua presença. Sei que essa é uma experiência marcante tanto para minha irmã quanto para mim. São essas histórias, que fundam nossa memória, que são evocadas por um poema como Art is a guaranty of sanity:

A aranha se nivela ao espaço urbano
o rosa é alimentado pelas cavidades orais
dois pedaços de madeira se abraçam
duas pessoas se amam e não se veem.

No refratário masculino ou museu
da imensa colcha de retalhos, almejo
Louise Bourgeois entre pernas mutiladas.

De peles que habitam almodôvares
de casas sobre eus femininos
de lampejos da gritaria

do passado, da máquina do tempo.
Na mania de cheirar o teto
de fotografar as árvores, de olhar o pai morto.

Amantes se deitam ao frio chão da sala
do ano de 2006 onde guarneço devires e cachorros.

Dez anos se passam: o céu se abre aos minaretes
o olhar de um muezim vale o templo
onde a arte é uma garantia de sanidade.

Após mais de vinte e cinco anos de leituras recíprocas, partilhadas desde o fim da infância, acompanho a publicação de Uma casa perto de um vulcão. Para o leitor e o irmão que sou, é um acontecimento muito especial. Se o irmão por vezes acaba lendo por trás de muitos versos os traços biográficos de memórias partilhadas, o leitor vai além, por não identificar na literatura uma escrita confessional. Ainda mais porque aqui encontro a força de um fenômeno da natureza, um derramamento poético diante do qual não é possível estar incólume. Com isso, adentramos noutras camadas vulcânicas da palavra, sendo especialmente tocado pelo trabalho com a linguagem dessa poeta que diz: “mastigo o ermo das palavras / quando não quero dizê-las / estendo os braços, frágeis de sentido / por algo como a luz – ou a fome.”

As lavas de um vulcão, quando emergem de dentro das entranhas da Terra, expõem as infâncias do mundo. O magma é uma espécie de memória, que dá a ver que as paisagens por aqui já foram formadas por ebuliente rocha líquida. Essa memória hoje irrompe, em geral, nas margens de placas tectônicas e quase sempre vem precedida por abalos sísmicos. Por isso, não nos enganemos: a profundeza dos chãos não guarda silêncios.

Pelo trabalho incansável nos meandros da linguagem, é possível exumar os diversos elementos que culminam na constituição da voz. São as lavas arrefecidas que se transformam em terras férteis e abrigam raízes em si. A poesia magmática ganha contornos de uma evocação de diversas formas de ancestralidade. Esse olhar poético voltado às origens (do cosmo, da casa/planeta que habitamos, das coisas, da vida, das estruturas que nos cercam, das referências, da linguagem e de si mesma) já se revela desde o primeiro poema do livro, chamado Infância, que anuncia: “Tenho a idade da Terra”.

Todos esses elementos ancestrais constituem a individualidade da voz em sua enunciação poética. E o tempo dessa condensação de elementos é o presente, ao qual esse livro também volta seu olhar. É possível vislumbrar os olhos frequentemente perplexos ante os absurdos que estruturam as relações de poder em que estamos inseridos. Nesse movimento, os versos se embatem tanto com as estruturas políticas dominantes quanto com a microfísica do poder, dando a ver dissimetrias. E se colocando, politicamente, ao lado daqueles que desejam e lutam e clamam e precisam de mudanças. Vapores é um exemplo expressivo desse movimento, trazendo versos como:

Caminho até a Praça XV
onde a seda vermelha
se enrola à estátua
equestre do general
Osório. Fagulhas
e fumaça alucinógena
fundida com os bronzes
dos canhões roubados
no Paraguai
incensam as acrobacias
das garotas
na manifestação.

Consciente de sua ancestralidade e desejosa de mudanças, a voz poética é permanentemente confrontada com as potências e os limites da linguagem. E, dessa forma, Uma casa perto de um vulcão faz uma incursão pelo pensamento meditativo. Talvez respondendo à constatação de que “Ninguém te ensina / a devassar / o cômodo / do que és”, a poesia adentra no terreno fecundo da reflexão filosófica. Ao lado de um fenômeno como um vulcão, é impossível que o pensamento não seja conclamado para dar conta, não de entender, mas talvez de erigir o mundo. “O mundo é menos / que acaso. Filos, ethos, ente / fatos.”

Esses três movimentos não são estanques. Talvez cada um deles predomine em determinado ponto da obra, mas todos podem ser percebidos constantemente, se fazendo presentes ao mesmo tempo em muitos poemas. E assim o livro se assemelha a um vulcão. O passado do mundo vem à tona na erupção de tudo o que se guarda nas funduras da terra. Esse passado/lava encontra de forma imediata e avassaladora com o presente em torno, a casa perto do vulcão, promovendo o embate e, por vezes até, a destruição das estruturas e a necessidade de novos fundamentos. E, por fim, no tempo mais lento da reflexão e do pensamento, a poesia sedimenta a experiência de perplexidade diante de tudo o que há, como as rochas que, quando resfriadas, deram conformação de eternidade aos últimos momentos de Pompeia e Herculano, após a erupção do Vesúvio.

Nesse sentido, a linguagem do livro recria a própria experiência vulcânica que enuncia. A palavra em ebulição escapa para a superfície da folha e se molda aos contornos da voz – com tudo aquilo que lhe dá um timbre único. Desse vulcão, repleto da densidade de camadas poéticas, irrompe um jorro sempre em busca de fissuras sobre o sólido para emergir, quente e denso, e assim lançar outras novas camadas sobre o mundo. “O futuro / é logo ali” e, para dar conta do vir a ser, é necessário imaginação – essa memória alucinada como um poema. “Um poema sempre um poema / à deriva / da próxima página.”

(O livro está à venda no site da Editora Patuá. Clique aqui.)

Uma casa perto de um vulcão – Roberta Tostes Daniel

 

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Há livros que temos o privilégio de ler antes que ele se torne a obra que será. Lemos antecipadamente esses livros porque recebemos o presente de falarmos a futuros leitores do nosso testemunho de leitura. Neste ano, dois livros me chegaram como um presente, para que eu desse esse testemunho de leitura antecipada, e comungasse da espera de suas autoras para que aquelas páginas ganhem a concretude de papel e tinta: “Vísceras”, da Clara Baccarin, que deverá sair no ano que vem, e “Azul caixão”, da Julia Bicalho Mendes, que deve estar chegando logo por aí.

Faço essa digressão para dizer que ano passado, acompanhei o nascimento de um livro que espero há muitos anos, desde que ele habitava as planícies do sem nome, onde são depositados os projetos futuros. Posso dizer que espero pelo primeiro livro da Beta Tostes, minhas irmã, pelo menos desde 2000 ou 2001, quando a escrita tornou-se uma de suas marcas. Já planejamos, eu e a Fabi Turci, lançarmos esse livro-hipótese-desejo pela breve editora que tivemos nos idos de 2012 (a Vagamundo), finada com após um belo livro lançado.

Foi no ano passado que esse livro ganhou corpo de obra. Em pouco mais de um mês, a Beta cerziu das várias centenas de obras de seu (excelente!) blog, o Sede em Frente ao Mar (https://sedemfrenteaomar.com/), junto a poemas inéditos, o corpo poético de seu primeiro livro. Um livro que se escrevia há pelo menos quinze anos, habitou vários projetos possíveis, e amadureceu sob as intempéries dos tempos presentes. Um livro fundante e fundamental, poético e político. Essa erupção vulcânica nasceu. E do lugar de leitor e irmão, além de acompanhar e participar da estruturação do livro, que ganhou o nome lindo de “Uma casa perto do vulcão“, escrevi-lhe o prefácio (cujos primeiros parágrafos deixo abaixo, apenas para dizer um pouco mais do que virá).

Ontem, a Beta estava no ônibus, vindo para nossa casa aqui São Paulo, quando recebeu a capa do livro, para aprovar ou sugerir mudanças. Mas diante de uma erupção vulcânica, não há o que fazer, senão contemplar-lhe — se estamos protegidos — a beleza e a potência, o imenso terror de entranhas da terra (semelhante ao terror despertado pela beleza que, segundo Rilke, seria “o começo do Terrível que ainda suportamos”). A capa que chegou era uma leitura generosa e precisa dessa poesia imensa e imersa em delicadezas vulcânicas. Não havia o que refazer. Havia muito pelo que sorrir e comemorar.

Não imaginávamos que era apenas o início de um período de preciosas surpresas. Uma vez aprovada a capa, vista e aprovada ontem, o livro já está em pré-venda lá no site da Editora Patuá. Aguarda leitores — muitos! — que há anos — e muitos — andam ávidos por essa ebulição poética.


Há muitas coisas que cabem nos laços de irmandade. Irmãos geralmente partilham as primeiras memórias que os conformam como seres no mundo. Dividem histórias colhidas nos caminhos e veredas por que passaram. Repartem brincadeiras, segredos e amigos. Compartem ainda gostos, descobertas e alumbramentos.

Entre mim e minha irmã, há ainda uma partilha fundante de nossa experiência no mundo: o rito da escrita. Descobrimos juntos, embora por caminhos paralelos, esse sacro ofício de cultuar palavras. Éramos crianças, quando ela inventou sua primeira cerimônia de sagração da linguagem, num caderno dedicado à escrita de histórias – geralmente um pouco trágicas. Uma poeta que teve sua infância na prosa, redescobriu-se “um animal, no ermo / da linguagem” com a prosa poética e, por fim, assenhorou-se dos versos. Apropriei-me também desse rito brincante e, com onze ou doze anos, inventei-me poeta – somente muitos anos depois é que fui invocar as energias e os fluxos da prosa.

Durante toda essa trajetória, partilhar os ritos da escrita formou esse laço que participa dos fundamentos de nossa experiência de irmandade. Sempre fomos leitores um do outro. Muitas vezes, isso suplantava silêncios impostos pelo hábito – sobretudo meu, que sempre fui um animal silencioso e sempre usei a escrita também como um escudo, onde tentava realizar a impossível tarefa de esconder fragilidades. Não pude deixar de pensar no silêncio – e na escrita esgarçando sons e, por vezes, dissonâncias nas entranhas dele – ao ler os versos “Foi preciso muita palavra / até arrancar deste silêncio / um lugar seguro.”

(…)

(trecho de “Nas camadas vulcânicas da palavra” – prefácio de “Uma casa perto do vulcão)

Uma casa perto de um vulcão – Roberta Tostes Daniel

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Uma tradução fotográfica do conto “Gritos do açafrão” — Imagem de Fabiana Turci, retirada de vídeo do canal Laboratório dos sentidos.

Foi para cozinha pôr novamente fogo nas sobras de seu solitário banquete noturno. Na sala, quem punha fogo no corpo daquela mulher era sua imaginação, seus desejos, seus pensamentos embalados por vozes sefarditas. E, posteriormente, pelos aromas que se exalavam da cozinha, menos perturbadores do que os da noite anterior, mas igualmente empesteados pelos gritos do açafrão.

O que aquele ente de diverso feitio serviu à sua vizinha era, de fato, um banquete de fogo. Carne de cordeiro assada com alecrim, páprica, açafrão e abacaxi, acompanhada de um arroz com hortelã, batatas noissettes, e uma salada de agrião, rúcula, manga, cenoura e pétalas (de rosa?), temperada com um molho de mostarda e mel. Ofertou-lhe ainda uma taça de vinho branco. Enquanto ela banqueteava, estonteada por tantos aromas e sabores, aquele homem de olhos pintados contou que era músico. Fazia concertos e também tocava na noite, às vezes cantando. Também compunha sob encomenda, em geral trilhas para filmes, peças e séries de televisão. Demian ainda se desculpou por não acompanhá-la no almoço, mas seus horários eram totalmente adversos. Enquanto ela almoçava, ele tomava seu café da manhã, servindo-se de um pão negro com azeite, suco de laranja, frutas e iogurte.

Saciados do comer e do beber, cada um segundo sua fome, a mulher, após agradecer-lhe, perguntou se ele poderia tocar um pouco para ela. Ele sorriu e perguntou de seus gostos. Mais uma vez ela se esquivou de dar direção a qualquer coisa que fosse. Disse que queria ouvir coisas às quais não estivesse habituada, quase como se desejasse, sem o saber, refundar seu campo da escuta.

Demian sentou-se ao piano. Anunciou que iria tocar duas músicas de Eric Satie. Começaria por uma chamada Gymnospédie n° 1, nome derivado de um antigo ritual grego ao deus Apolo, em que jovens dançavam nus ao som de flauta e lira. Ela esperava um som insano, como aquele que invadiu seus ouvidos enquanto escutava as músicas judaicas. No entanto, do piano de cauda saiu um som lento, grave, suave, quase doloroso. Mas também agradável como uma luz leitosa de fim de tarde. Enquanto ele tocava, ela fechou as cortinas da sala, até chegar na luminância que sua mente imaginou para a música. Lenta e grave, tirou toda a roupa e começou a dançar, completamente nua, sobre o suave tapete da sala, até deitar-se nele, para ouvir os últimos acordes de olhos fechados.

(Trecho do conto “Gritos do açafrão”, publicado em “Trítonos — intervalos do delírio“)

Cada vez mais sinto que escrevo movido pelo desejo do encontro, do diálogo, da troca. Sonho que minhas palavras encontrem leitores, e que também a partir delas eles dialoguem — comigo, entre si, com seus textos e futuros leitores, com o mundo. É imprevisível o fluxo e o alcance que as palavras podem ter.

Por isso, ver um encontro que efetivamente se deu a partir de minha escrita é um presente. Há uma semana, no último domingo (22), foram publicados no Youtube dois vídeos muitos especiais. Um, no Laboratório dos sentidos, canal de minha amada esposa, fala sobre literatura e comida e traz trechos de algumas obras, em que a comida aparece de alguma forma emblemática. E nesse vídeo lindo, repleto da poética audiovisual tão própria da Fabi em seu canal, aparece o trecho do meu conto “Gritos do açafrão”, publicado no meu livro “Trítonos — intervalos do delírio“, publicado em 2015 pela Editora Patuá. E meu conto aparece bem acompanhado, com trechos de “No caminho do Swann” (Marcel Proust), “Cem anos de solidão” (Gabriel Garcia Marques) e do conto “A terceira margem do rio” (Guimarães Rosa).

O outro vídeo foi publicado no canal LiteraTamy (em que eu já estive para falar do meu livro). Lá, a Fabi indica alguns livros marcantes sobre literatura, filosofia, comida e culinária.

Por fim, aproveito para deixar aqui novamente o vídeo do canal da Tamy que fala sobre o meu “Trítonos — intervalos do delírio”.

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Foto: Mell Ferraz – Blog e Canal Literature-se (Divulgação)

A Mell Ferraz, do canal e Blog Literature-se, vai promover um sorteio especial, para celebrar os 70 mil inscritos no canal do Youtube. E a maneira não poderia ser melhor: sorteando livros.

Ao todo, são 12 kits de livros, chegando no total de pouco mais de 70 livros sorteados. Tem livros para todos os gostos e idades: clássicos, infanto-juvenis, bestsellers, livros de não ficção… E algo especial nesse sorteio é que dois desses kits são compostos por livros nacionais contemporâneos. Num deles está o meu Trítonos – intervalos do delírio, como um presente pelos dois anos de seu lançamento, que se comemora amanhã (2 de dezembro). O livro foi resenhado pela Mell num vídeo em dezembro do ano passado.

O sorteio vai ocorrer quando o canal chegar a 70 mil inscritos (e falta pouco!). Quer participar? Assista ao vídeo abaixo para saber como. E não deixe de se inscrever, pois o conteúdo do canal é ótimo. E, além disso, para participar do sorteio é preciso ser inscrito por lá.

www.youtube.com/watch?v=40q7I8ZY2rw

Aproveito o ensejo para relembrar a resenha que a Mell fez, há quase um ano, do meu livro. Uma resenha generosa que até hoje me enche de alegria.

Como o Trítonos só está em um dos Kits, para quem tiver interesse no meu livro de contos, mas não ganhá-lo nesse sorteio, ele está à venda no site da Editora Patuá, em http://bit.ly/teofilopatua.

Foto: Mell Ferraz – Blog e Canal Literature-se (Divulgação)

 

Atualização em 11/12/2017. O sorteio já ocorreu e teve o resultado divulgado no vídeo abaixo:

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Se perguntássemos a cem escritores o porquê de escreverem, certamente obteríamos cem respostas diferentes. Mas posso dizer que uma das razões que me levam à escrita é o desejo de encontro e de diálogo que a leitura propicia. Um evento como o de sábado é uma excelente oportunidade de exercício desse diálogo a partir da escrita, mas que se estende com a presença física, repleta de expressões, tons de vozes e sorrisos.

Fiquei feliz com cada abraço, cada dedo de prosa trocada, ainda que brevemente (era grande o desejo que o tempo não passasse e fosse possível conversar detidamente com todos). Fiquei muito feliz pelo interesse de muitos dos autores que me fazem companhia nesta coletânea tiveram em meu livro, lançado há um ano e meio pela Editora Patuá (saí com cinco novos potenciais leitores de meu Trítonos – intervalos do delírio!).

Compartilho aqui algumas lembranças fotográficas do lançamento pela Editora Oito e Meio da coletânea de contos Tabu (clique aqui para mais informações), da qual faço parte. O livro foi organizado pela Flávia Iriarte com integrantes do curso de escrita criativa do Carreira Literária.

Além das fotos, a Fabi (que, por ser a fotógrafa, acabou não saindo em nenhuma foto comigo) fez um vídeo lindo, para o canal do Laboratório dos Sentidos, sobre nossa viagem para o Rio de Janeiro. Deixo aqui também:

Lançamento do coletânea "Tabu" - 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com Marisa Tostes Daniel (mamãe) – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com André Balbo – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com André Balbo e Samir Oliveira Ramos – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu, com Samir Oliveira Ramos” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com Paula Giannini e Táscia Souza – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com Nuno Rau – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com Fernando Sousa Andrade e Nuno Rau – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com Nuno Rau – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do livro "Tabu" no sábado (15/7), na sede da Editora Oito e Meio.

Lançamento do livro “Tabu” no sábado (15/7), na sede da Editora Oito e Meio.

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Neste sábado (15/7), no espaço Oito e Meio, será lançada pelo Carreira Literária a coletânea Tabu, organizada pela editora e publisher Flávia Iriarte. A coletânea reúne cerca contos escritos por cerca de trinta autores, que se debruçam sobre as diversas interdições da cultura e da sociedade que regulam os corpos e a vida das pessoas.

O livro acabou surgindo como um desejo de continuação dos encontros virtuais semanais de autores que faziam a segunda edição do Curso de Escrita Criativa do Carreira Literária. E surgiu porque ocorreu algo durante o curso que não estava no script: além de das análises de contos e trechos de romances em processo de escrita, acabaram se desenvolvendo verdadeiros laços de amizade, que extrapolaram, no tempo e no espaço, os limites daquele breve período.

“Tabu”, além de reunir alguns dos escritores que estão produzindo a literatura de hoje, tem a proposta colocar luz sobre o inquietante tema dessas interdições. Câncer, incesto, nudez, necrofilia, pedofilia, zoofilia, antropofagia, eutanásia, homossexualidade, transgeneridade, poligamia, suicídio, morte… Como chama atenção a organizadora da coletânea, “talvez sejam essas palavras, muitas vezes proibidas de serem ditas, as que mais tenham a dizer sobre nós. E esta coletânea está aqui para isso. Para afirmar a literatura como um dos raros espaços possíveis de liberdade.”

Tenho um orgulho imenso de estar nessa coletânea, com o conto A última claridade desse dia. Li a versão inicial de cada um dos contos e posso assegurar: são demais! É uma honra habitar essas páginas ao lado de tantos ótimos escritores.

Lançamento da coletânea “Tabu”
Sábado (15/7), às 19h
Espaço Oito e Meio
Travessa dos Tamoios, 32-C – Flamengo

Lançamento do livro "Tabu" no sábado (15/7), na sede da Editora Oito e Meio.

Lançamento do livro “Tabu” no sábado (15/7), na sede da Editora Oito e Meio.

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Tenho um orgulho imenso de estar nessa coletânea que será lançada no próximo sábado (15/7), no espaço da Editora Oito e Meio, no Rio de Janeiro… Li a versão inicial de cada um dos contos e posso assegurar: são demais! É uma honra habitar essas páginas ao lado de tantos ótimos escritores.

Lançamento do livro "Tabu" no sábado (15/7), na sede da Editora Oito e Meio.

Lançamento do livro “Tabu” no sábado (15/7), na sede da Editora Oito e Meio.

Como surgiu o livro? Com a palavras, a querida Flávia Iriarte, organizadora da obra:

Estamos em outubro de 2016. Dois grupos de escritores de todas as partes do Brasil se encontram às quartas e quintas-feiras, durante um mês, para debater acerca de suas produções literárias, em um encontro online (bendita era digital!). Cada participante deve apresentar um projeto – romance ou coletânea de contos – para desenvolver, o quanto possível, ao longo deste período. Eu e a Maiara Líbano somos as encarregadas de coordenar o desafio, fazendo a leitura dos textos e dando um retorno com sugestões aos seus respectivos autores. Era esta a proposta da segunda edição do Curso de Escrita Criativa do Carreira Literária.

Com o que não contávamos, no entanto, era que, além de personagens e narradores, conflitos e pontos de virada, das nossas histórias, terminássemos os encontros falando sobre tudo que estava por detrás delas. Sobre nossos próprios conflitos e angústias e o quanto deles têm os nossos personagens, sobre nossos processos de criação e o quanto eles têm de falhas e acertos, sobre as relações – complexas e intrigantes – entre nossas vidas e nossas ficções.

Em suma, o que não estava no script, era que, além de contos e romances, se desenvolvessem, durante aquelas quartas e quintas, verdadeiros laços de amizade, que extrapolaram os limites daquele outubro para se desdobrar no tempo e no espaço.

É um livro, portanto, que nasceu a partir de uma certa política da amizade. Uma política em que a leitura — e a crítica que constrói junto — é um dever do amigo…

Participo da coletânea Tabu com o conto A última claridade desse dia, do qual deixo os primeiros parágrafos:

É estranho pensar nisso, mas a festa foi perfeita. Mal posso acreditar. Dois dias inteiros junto das pessoas mais importantes da minha vida. Tentei prever cada detalhe, controlar cada emoção. Porque, ao menos nesse instante, eu me queria rodeada apenas pela alegria de celebrar a existência com essas pessoas que amo tanto. Lá dentro, escuto Noah tocar no acordeão minha música preferida. É um presente que torna essa hora extrema ainda mais bonita. E difícil. O sol avermelha todo o horizonte. É impressionante como esses acordes melancólicos combinam com a feérica paisagem daqui.

Ouvir esse acordeão me lembrou de quando cheguei aqui no Canadá, para fazer a residência artística. Com pouco dinheiro, pegava um monte de trabalhos paralelos. Num deles, fui contratada para fazer a ilustração da capa de um disco de Noah. E quem estava lá, me esperando para discutir sobre esse trabalho? Seu irmão, Ethan. Bastou trocarmos algumas palavras para que a afinidade entre nós se tornasse evidente. Dessa afinidade, veio um convite para sair… E hoje Ethan está aqui do meu lado. Nossos dedos se entrelaçam como no dia do nosso primeiro beijo, há quase vinte e dois anos atrás.

Ethan aperta minhas mãos com muita intensidade. Está lindo, escondido atrás desses óculos escuros. Ele evita a todo custo me olhar. Quer apenas cumprir o combinado, como se eu não estivesse vendo as lágrimas silenciosas que já caem em seu rosto. Penso agora na sorte de tê-lo conhecido. Em toda uma vida incrível ao seu lado, cercada de arte e dos amigos que estiveram aqui nesse fim de semana. Em nossa Daphne, que hoje segue os passos do tio na música. É estranho pensar que a minha menina já está na faculdade. Ainda penso como se ela fosse aquela coisinha pequena, espevitada, correndo pela casa e batucando em todas as coisas. Sentir que vou deixá-la desamparada é a única coisa que me faz pôr em dúvida minha resolução. Sei que isso não é real, mas a verdade da gente é aquilo que a gente sente. Acho que não… A verdade de um ser é seu próprio corpo.

Para saber mais sobre o livro Tabu, clique aqui.

Capa do livro Tabu, lançado pela Carreira Literária / Editora Oito e Meio

Tabu – Carreira Literária / Editora Oito e Meio

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