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Archive for março \19\UTC 2011

(para Fabiana Turci)

I

Quase toco tua ausência
ao meu lado.
O lugar está vazio.
Vazia está
a sala de concertos,
vazada por uns semitons.

Não comentamos a beleza
da decoração do hall de entrada.
Não viste suas flores
nem tua pele se iluminou
por suas velas.

Quando a última nota da sinfonia
soou,
não me olhaste
nem teus lábios me sorriram.

II

Não me iludo
com esse caminho de ausências.
Essa falta,
essa impossibilidade
e esse silêncio
alimentam o desejo do encontro.

Em nossas fronteiras
não nos confundimos.
Nós nos fundimos,

nos fodemos,
fecundos.

III

Em ti, aprendo
que em nós germinam mundos inteiros,
abertos às mil possibilidades
do tornar-se.

Entorno-me
dentro de ti.

IV

Gosto de ser teu homem
sem solenidades,
rituais
ou formalidades civis
exteriores a nós mesmos.

Gosto que sejas minha mulher
bastando, para isso, o teu querer
dar-se e dar a mim
na presença de nossos deuses.

“Eu vos declaro
homem e mulher”…

V

As portas de nossa casa
estão abertas ao acaso do mundo.

Eu me caso contigo
todo novo dia.
Celebro nossos ritos,
venero nossos mitos
em derredor do amor.


(Fotos: Luiz Henrique de Nadal)

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