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Archive for outubro \23\UTC 2016

Frequento orvalhos,
essas formas úmidas
do silêncio.

Habito a pele das folhas.
Na hora mais silente da madrugada
eu me banho do escuro da noite.

Exalo aromas ressonantes,
quando fio o avesso do verbo
que cria o que sou.

Enquanto sou,
soa um silêncio essencial
chamado solidão.

Invento só,
banhado por minhas noites.
Mas a matéria espessa

dos silêncios consonantes

fundamenta auroras
e solares sentires.

quinzenario0049

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correntezas

não gosto de aquarela
ele disse :
é impossível domar
a água.

quando cheguei em casa
as paredes estavam desenhadas de giz
e eu ao centro dessa secura fértil
tentando cerzir correntezas.

lembrou da minha taquicardia e
no lugar da assinatura :
os desenhos são silenciosos.

também os finais
como afogamentos.

(Bruna Mitrano & Teofilo Tostes Daniel)

***
Poema a quatro mãos, publicado originalmente na mallarmagens revista de poesia e arte contemporânea.

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ei, poeta! me conte sobre suas certezas, suas convicções poéticas?
(Carla Diacov)

 

Repara no corpo
das palavras empilhadas
verso a verso,
estrofe a estrofe –

ali dentro reside
o avesso de um aedo órfico.

Poesia é a dança
de um deus niilista
despindo-se da (in)utilidade
das palavras dos homens.

Para o movimento, os sons
delineiam sentidos.

Ouve a melodia silente
ressoando nas formas das letras
e nos entres das linhas.
Ela te convoca

para uma contradança
de fremir as carnes.

Poesia é o cosmo
que se engendra quando
aquele que será
diz: “faça-se”!

E na lucilação da palavra
o corpo se a(s)cende.

Poesia é atirar-se no abismo,
aceitando esta ética do acaso
a tecer um caos de formas.
Ao erguer e desmanchar paradoxos,

a criação vive
a incerteza da página em branco.

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