Feeds:
Posts
Comentários

Archive for março \31\UTC 2017

Torturas, execuções sumárias, abusos de autoridade, exclusão ou preconceito oficial, ameaças veladas ou explícitas. O Estado Brasileiro não deixou de ameaçar significativa parcela de sua população (especialmente a mais vulnerável) por nenhum dia, desde que o país se redemocratizou.

Não promovemos uma transição que se pautasse pela verdade e pela justiça. Todos que mataram em nome do Estado, em prol de um regime que teve início há exatamente 53 anos estão anistiados.

Ainda no período da Ditadura Militar, foi realizado um projeto que tentou fazer com que a memória nefasta desse tempo não se perdesse. O BRASIL: NUNCA MAIS conseguiu reunir, clandestinamente, mais de 850 mil páginas de 710 processos que tramitavam no Superior Tribunal Militar. Ele foi coordenado por dois religiosos: o reverendo Jaime Wright e o cardeal de São Paulo Dom Paulo Evaristo Arns.

O projeto foi responsável por ser a primeira — e talvez, até hoje, uma das mais importantes — pesquisa sistemática que revelou a violação frequente violação aos direitos humanos por parte de agentes do estado. E tudo isso, com uma característica peculiar: tais revelações eram extraídas de documentos produzidos pelo próprio Estado, autor de tais violações.

A História hoje nos mostra que esse foi um trabalho ousado, arriscado e imenso. Pode-se imaginar a dificuldade de copiar clandestinamente mais de 850 mil páginas, preservá-las e remetê-las a um local seguro, para que não se perdessem.

Tenho orgulho de trabalhar hoje numa instituição que luta para preservar e, não só isso, para ampliar essa memória. Hoje o Ministério Público Federal é responsável por manter no site Brasil: Nunca Mais digital (http://bnmdigital.mpf.mp.br/) todo esse acervo, digitalizado e indexado, permitindo pesquisas textuais nesses documentos, disponíveis na íntegra para consulta de qualquer cidadão.

No entanto, sinto que, como sociedade, falhamos terrivelmente em preservar a memória, a lembrança desse passado. “Para que não se esqueça; para que nunca mais aconteça”, como dissera Dom Paulo. Mas infelizmente não deixou de acontecer um só dia. As torturas e execuções sumárias (de culpados ou inocentes, pouco importa) continuam ocorrendo. A polícia continua vandalizando quase toda manifestação contra o status quo (isso ficou evidente em 2013, nas manifestações do Movimento Passe Livre, quando bastou a polícia se retirar, apostando no caos, e o caos deixou de existir nas ruas). Abusos de autoridades, detenções por desacato após ordens claramente ilegais e arbitrárias, tudo isso continua. O arbítrio da força ainda impera, gerando medo, dor, morte e desaparecimentos forçados.

E como a história acontece como tragédia e se repete como farsa, ganha força hoje no país um estarrecedor discurso de ódio anti-comunista, como se ainda vivêssemos em plena guerra fria. E no ano passado, em outro dia 31, dessa vez de agosto (52 anos e cinco meses depois daquele 31 de março), assistimos a mais um envergonhado golpe. Inegavelmente, algo mudou desde então. Algo difícil de precisar e cujas consequências estamos bem longe de vislumbrar agora, enquanto vivemos no turbilhão desses dias.

Anúncios

Read Full Post »

Nessa quarta-feira (8/3), às 20h, daremos início aos encontros do Grupo de Poesia Falada, na sede da Comunidade Dedo Verde (Rua Mauro, 400, próximo da estação Saúde de metrô). Os encontros, serão coordenados por mim e pelo querido amigo Ivan Carlos Regina.

O objetivo é formar um conjunto permanente de pessoas dedicadas a discutir e desenvolver técnicas de declamação de poesia. Não se trata de Sarau, de forma que não serão trabalhados textos dos próprios participantes, pois será dada ênfase às técnicas de declamação. Dentre as atividades previstas para esse trabalho, haverá audição de poemas, bate papo sobre técnicas, oficinas de interpretação de textos, jogos e dinâmica de grupos. Todas as atividades culminarão na formação de um grupo permanente de declamação de poesia, de forma participativa.

Haverá um valor de contribuição voluntária que será revertido para a Comunidade, com sugestão de R$ 60 por mês (se constante), ou R$ 20,00 por participação avulsa. As inscrições estão abertas podem ser feitas pelo email grupodepoesiafalada@gmail.com. Convido a todos!

Primeiro encontro do Grupo de Poesia Falada
Quarta-feira, 8 de março, às 20h
Comunidade Dedo Verde (Rua Mauro, 400, próximo à estação Saúde de metrô).
Inscrições: grupodepoesiafalada@gmail.com.

Read Full Post »

%d blogueiros gostam disto: