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Posts Tagged ‘Laboratório dos sentidos’

Uma tradução fotográfica do conto “Gritos do açafrão” — Imagem de Fabiana Turci, retirada de vídeo do canal Laboratório dos sentidos.

Foi para cozinha pôr novamente fogo nas sobras de seu solitário banquete noturno. Na sala, quem punha fogo no corpo daquela mulher era sua imaginação, seus desejos, seus pensamentos embalados por vozes sefarditas. E, posteriormente, pelos aromas que se exalavam da cozinha, menos perturbadores do que os da noite anterior, mas igualmente empesteados pelos gritos do açafrão.

O que aquele ente de diverso feitio serviu à sua vizinha era, de fato, um banquete de fogo. Carne de cordeiro assada com alecrim, páprica, açafrão e abacaxi, acompanhada de um arroz com hortelã, batatas noissettes, e uma salada de agrião, rúcula, manga, cenoura e pétalas (de rosa?), temperada com um molho de mostarda e mel. Ofertou-lhe ainda uma taça de vinho branco. Enquanto ela banqueteava, estonteada por tantos aromas e sabores, aquele homem de olhos pintados contou que era músico. Fazia concertos e também tocava na noite, às vezes cantando. Também compunha sob encomenda, em geral trilhas para filmes, peças e séries de televisão. Demian ainda se desculpou por não acompanhá-la no almoço, mas seus horários eram totalmente adversos. Enquanto ela almoçava, ele tomava seu café da manhã, servindo-se de um pão negro com azeite, suco de laranja, frutas e iogurte.

Saciados do comer e do beber, cada um segundo sua fome, a mulher, após agradecer-lhe, perguntou se ele poderia tocar um pouco para ela. Ele sorriu e perguntou de seus gostos. Mais uma vez ela se esquivou de dar direção a qualquer coisa que fosse. Disse que queria ouvir coisas às quais não estivesse habituada, quase como se desejasse, sem o saber, refundar seu campo da escuta.

Demian sentou-se ao piano. Anunciou que iria tocar duas músicas de Eric Satie. Começaria por uma chamada Gymnospédie n° 1, nome derivado de um antigo ritual grego ao deus Apolo, em que jovens dançavam nus ao som de flauta e lira. Ela esperava um som insano, como aquele que invadiu seus ouvidos enquanto escutava as músicas judaicas. No entanto, do piano de cauda saiu um som lento, grave, suave, quase doloroso. Mas também agradável como uma luz leitosa de fim de tarde. Enquanto ele tocava, ela fechou as cortinas da sala, até chegar na luminância que sua mente imaginou para a música. Lenta e grave, tirou toda a roupa e começou a dançar, completamente nua, sobre o suave tapete da sala, até deitar-se nele, para ouvir os últimos acordes de olhos fechados.

(Trecho do conto “Gritos do açafrão”, publicado em “Trítonos — intervalos do delírio“)

Cada vez mais sinto que escrevo movido pelo desejo do encontro, do diálogo, da troca. Sonho que minhas palavras encontrem leitores, e que também a partir delas eles dialoguem — comigo, entre si, com seus textos e futuros leitores, com o mundo. É imprevisível o fluxo e o alcance que as palavras podem ter.

Por isso, ver um encontro que efetivamente se deu a partir de minha escrita é um presente. Há uma semana, no último domingo (22), foram publicados no Youtube dois vídeos muitos especiais. Um, no Laboratório dos sentidos, canal de minha amada esposa, fala sobre literatura e comida e traz trechos de algumas obras, em que a comida aparece de alguma forma emblemática. E nesse vídeo lindo, repleto da poética audiovisual tão própria da Fabi em seu canal, aparece o trecho do meu conto “Gritos do açafrão”, publicado no meu livro “Trítonos — intervalos do delírio“, publicado em 2015 pela Editora Patuá. E meu conto aparece bem acompanhado, com trechos de “No caminho do Swann” (Marcel Proust), “Cem anos de solidão” (Gabriel Garcia Marques) e do conto “A terceira margem do rio” (Guimarães Rosa).

O outro vídeo foi publicado no canal LiteraTamy (em que eu já estive para falar do meu livro). Lá, a Fabi indica alguns livros marcantes sobre literatura, filosofia, comida e culinária.

Por fim, aproveito para deixar aqui novamente o vídeo do canal da Tamy que fala sobre o meu “Trítonos — intervalos do delírio”.

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Todo ano, gosto de escrever alguma mensagem a todos que me rodeiam, com a ternura nostálgica dos dias que se acumularam nas páginas do calendário que se encerra, e os desejos de vida e sonho para o novo ciclo solar que terá início. Hoje, no entanto, porque “um ano pode ser bem menor / que o calendário / e bem maior”, nada poderia dizer com mais exatidão tudo o que eu gostaria de exprimir do que algumas palavras que não são minhas. Mas que o amor permite que delas eu me aproprie e espalhe, como desejos também meus, ditos de forma perfeita e precisa pela voz e pela poesia de minha amada Fabi Turci.

http://bit.ly/anonovolab

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Se perguntássemos a cem escritores o porquê de escreverem, certamente obteríamos cem respostas diferentes. Mas posso dizer que uma das razões que me levam à escrita é o desejo de encontro e de diálogo que a leitura propicia. Um evento como o de sábado é uma excelente oportunidade de exercício desse diálogo a partir da escrita, mas que se estende com a presença física, repleta de expressões, tons de vozes e sorrisos.

Fiquei feliz com cada abraço, cada dedo de prosa trocada, ainda que brevemente (era grande o desejo que o tempo não passasse e fosse possível conversar detidamente com todos). Fiquei muito feliz pelo interesse de muitos dos autores que me fazem companhia nesta coletânea tiveram em meu livro, lançado há um ano e meio pela Editora Patuá (saí com cinco novos potenciais leitores de meu Trítonos – intervalos do delírio!).

Compartilho aqui algumas lembranças fotográficas do lançamento pela Editora Oito e Meio da coletânea de contos Tabu (clique aqui para mais informações), da qual faço parte. O livro foi organizado pela Flávia Iriarte com integrantes do curso de escrita criativa do Carreira Literária.

Além das fotos, a Fabi (que, por ser a fotógrafa, acabou não saindo em nenhuma foto comigo) fez um vídeo lindo, para o canal do Laboratório dos Sentidos, sobre nossa viagem para o Rio de Janeiro. Deixo aqui também:

Lançamento do coletânea "Tabu" - 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com Marisa Tostes Daniel (mamãe) – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com André Balbo – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com André Balbo e Samir Oliveira Ramos – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu, com Samir Oliveira Ramos” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com Paula Giannini e Táscia Souza – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com Nuno Rau – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com Fernando Sousa Andrade e Nuno Rau – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com Nuno Rau – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do livro "Tabu" no sábado (15/7), na sede da Editora Oito e Meio.

Lançamento do livro “Tabu” no sábado (15/7), na sede da Editora Oito e Meio.

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(com Roberta Tostes Daniel, Fabiana Turci, Laboratório dos sentidos, Trítonos – intervalos do delírio e Editora Patuá)

Essas são as palavras que mais uso no Facebook. Quais são as suas?

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Sabe aquela sensação de plenitude quando você se depara com algo imenso? É assim o último texto da minha amada Fabi Turci no seu Laboratório dos sentidos. Imenso, cheio de força e vida, sabor e nuances. Como a receita: um incrível espaguete de abobrinha e cenoura com molho de guacamole.

Ao ler hoje esse Manifesto ao ato de cozinhar e de inventar pela junção de sabores e aromas, cores e texturas, sensação que me deu foi de que esse projeto da Fabi vive uma espécie de ápice, desde a publicação da primeira receita há quase dois anos, em julho de 2014.

Mas talvez não seja verdade que seja propriamente um ápice. Já era imenso desde aquele primeiro bolo, condimentado com escrita, literatura, ideal e paixão. Mas hoje ele ganha uma nova dimensão, um novo começo. Esta é a primeira receita que se faz acompanhar de um vídeo. E assim nasce o canal do Laboratório dos sentidos no Youtube.

Para ler o Manifesto e a receita no Laboratório dos Sentidos, clique aqui. Já para acessar o Canal do Laboratórios no Youtube, clique aqui. E veja abaixo o vídeo que inaugura o canal. Sabores para ler, assistir e se deliciar!

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