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Archive for fevereiro \12\UTC 2012

(para Fabi)

Acomodando o existir
no ventre do tempo,
a chuva,
o vento,
o mar
tocam leve a concretude
da rocha.

Desgastam seu corpo escuro,
extraindo poeira fecunda.
Espalham o verde da vida
ao longo de seu corpo de pedra
resfriado pelos milênios,
sob o azul anterior ao nome
dos céus de muitas eras.

Nossos corpos descendem
dessa vida ancestral.
E nomeiam
e adjetivam
e substantivam
e verbalizam
suas cores.

Nossos lábios fundadores de nomes
dizem do existir de coisas
que lhes são anteriores.
Nossos lábios inauguram o vermelho
quando se encontram.

Acomodando o existir
no ventre do tempo,
a chuva,
o vento,
o mar
e o amor
tocam leve a concretude
da rocha,
esculpindo a beleza inaudita
na dureza do monte.

E nós seguimos
sendo rochas

de carne.

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