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Archive for janeiro \27\UTC 2016

Como alguém que escreve e que vendeu a alma à literatura, sempre que sou lido eu sinto a leitura como um ato de generosidade imensa. Assim, ao me saber lido, já nascia minha gratidão à querida Vivian de Moraes. Afinal, palavras nascem sedentas de olhos que as expandam. E ela ofertava seus olhos e seu tempo para matar essa sede.

Mas a generosidade da Vivian não se contenta no ato de leitura. A leitura nela move o desejo de escrita, e os autores lidos por ela sabem que desse ato poderá vir um testemunho de leitora. E em seu testemunho sobre a leitura do meu livro, deparo-me com algumas interpretações que nem sequer me ocorreram, o que comprova que os olhos de quem lê ampliam o escrito.

Por fim, as palavras que ela escreve sobre meu livro acrescem uma terceira camada de generosidade. Terminei a leitura da resenha com vontade de ler meu próprio livro, mas como uma alteridade, como se não fora eu o autor. Desejando talvez encontrar o livro que é descrito, já que ele me pareceu tão maravilhoso…

Após indagar sobre a natureza, sobre o gênero literário de “Trítonos – intervalos do delírio”, que talvez deslize ambígua sobre conceitos e rotulações, desejando o que é híbrido e plural, Vivian grafou que “Seja qual for a resposta, o fato é que o leitor sai do livro diferente de quando entrou. Talvez Teo tenha feito um pacto com o diabo para lançar este livro-música tão contagiante. O fato é que é um livro para se ter, para ser relido outras vezes e outras vezes ser tocado por uma chama que não se apaga na fogueira literária.”

Com imensa alegria e gratidão, compartilho aqui essas palavras, esse testemunho de leitura que hoje completa uma semana: http://amuletospatua.blogspot.com.br/2016/01/a-seducao-de-teo-em-tritonos-intervalos.html.

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Trítonos – intervalos do delírio
Teofilo Tostes Daniel
Contos
São Paulo: Patuá, 2015
168 p.
Formato: 14×21.
ISBN: 978-85-8297-255-7
Preço: R$ 38,00 + frete
Venda no site da Editora Patuá.

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(para Fabiana Turci,
pelos cinco anos em que dividimos a cama e a vida)

I

É porque o amor é fogo
que precisamos manter
crepitante e em combustão
a chama desse braseiro.
Quero arder contigo a vida
inteira, dada no instante.
O que somos alimenta
o que arde sem se ver:
nossos corpos, nossas horas,
nossas vidas, nossas fomes –

material comburente
ou matéria desejante.

II

Com os tijolos dos dias
e a argamassa do afeto
engendramos a morada
desse fogo que acalenta
minha vida, nossas vidas.
Esse fogo que acalenta

recende em nossos olhos
nossas histórias mais íntimas
de leituras tão diversas
que fazemos nesse mundo.
Quero te dar minhas mãos

para afagar teu calor.

III

Nas avalanches do tempo,
inda engendramos mudanças
e descrevemos silêncios
de uma orquestra de papel.

Quando te despes de ti
teu mínimo eu emerge.
Teu mínimo, eu te amo.

Tateamos incertezas juntos,
pois essa vida é assombro
e espanto. E nos caminhos
da dúvida partilhada

nosso amor se fortalece.

IV

Abrimos as nossas portas
para entrarem as brisas
que afagam as nossas horas
Novos ventos descortinam
vocações adormecidas.

E no meio do caminho
dessa vida, sinto o tempo
quando meu corpo fraqueja.
Mas tuas mãos colhem flores
embriagadas de orvalhos.
Ouves segredos da terra

que nas tuas mãos germinam.

V

Quando o teu corpo fraqueja,
vamos ouvi-lo por dentro
para entender seus processos.
Enquanto isso, tu ouves
murmúrios de muitas flores
e eu escuto em folhas brancas
intervalos do delírio.

Porém, quando há desencontro
nos sons da polifonia
que nos chegam aos ouvidos

resgatamos o silêncio
para ouvirmos um ao outro.

Fabi & Teo

Fabi & Teo

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Em 2015 foram 28 publicações em meu blog Ensaio Aberto. Dentre todas, as de novembro anunciavam aquele que certamente foi o momento mais importante do ano, para mim: a publicação de meu livro Trítonos – intervalos do delírio, lançado no dia 2 de dezembro. O texto que escrevi sobre o livro pouco antes de seu lançamento, numa publicação do dia 22 de novembro, testemunha essa espera e foi a segunda que mais teve visualizações, entre as publicadas em 2015.

A frente dela, ficou apenas o texto “Cisgeneridade: a suposta natureza é um silêncio“, que publiquei no dia 29 de janeiro por ocasião do “Dia da Visibilidade Trans*“. Neste texto, no propósito de me unir às vozes e às pautas trans*, esbarrei numa questão: em que poderia eu, um homem cisgênero, casado com uma mulher também cisgênera, contribuir com a questão? E, sobretudo, o que poderia eu falar da condição transgênera? Temendo cair em abismos, pensei que talvez o melhor que eu poderia fazer seria falar sobre a cisgeneridade, que é o meu lugar de fala no mundo, e sobre o meu espanto ao descobrir que existe um desconforto de pessoas cis em serem identificadas como cisgêneras. Torço para que esse esforço tenha sido (ou ainda seja) de alguma valia.

A terceira publicação com mais visualizações em 2015, que está prestes a completar um ano no dia 5 de janeiro, celebra o amor. Foi um poema que escrevi para minha amada Fabiana Turci, para comemorar seus trinta anos de vida.

Poemas e artigos publicados aqui, com reflexões sobre temas diversos, não testemunham completamente minha escrita no ano de 2015. Mas eles dão a ver esse Ensaio Aberto que estabeleço com as palavras e seus eventuais leitores aqui neste blog. Sejam todos bem-vindos em 2016!

Clique aqui para ver o relatório estatístico completo.

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