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Posts Tagged ‘Rio de Janeiro’

A alegria é o presente do amor. A tristeza é o preço do amor. A raiva é a força que o protege. Esta foi minha terceira lição de amor revolucionário. Nós amamos a nós mesmos quando respiramos no fogo da dor e recusamos a deixá-la transformar-se em ódio (1).
– Valarie Kaur

Há exatamente uma semana, Marielle Franco foi executada. E até hoje, eu não havia conseguido digerir em palavras essa dor política. A dor de uma morte violenta choca sempre, especialmente num país em que os números da violência urbana superam os números de países em guerra. Abre a chaga latente que nos faz sentir que estamos todos vulneráveis. Uns bem mais do que outros, é verdade.

Escrevo agora, não apenas por Marielle, ou por Anderson, seu motorista que também se tornou alvo incidental. Eles já foram mortos covardemente e nenhuma palavra poderá fazer o tempo retroceder. Não escrevo por suas famílias, que lidam com a dor íntima da perda e a lacuna que a partida de uma pessoa querida deixa. Desde os primeiros momentos, eles lidam com o desafio de viver o recolhimento de um luto que também tem uma dimensão pública. Tampouco escrevo por uma obrigação de dizer qualquer coisa. Vozes mais qualificadas e representativas vêm ecoando a luta e o luto por Marielle. Escrevo para fazer o exercício fundamental que sempre foi a escrita para mim: a oportunidade de colocar as ideias no lugar, diante do assombro. Seja o assombro diante do sublime (que frequentemente me leva à literatura), seja diante do absurdo, que encontra não apenas na literatura, mas em textos tateantes como este, uma forma de dar vazão e significado ao que não tem sentido, nem nunca terá. Porque nossos olhos sempre ardem por compreender e interpretar as coisas. E assim cosemos nossas precárias explicações sobre o mundo.

Há uma semana eu estava trabalhado no computador e entrei num site de notícias e li uma matéria, publicada mais ou menos naquela hora, que falava da morte de uma vereadora do PSOL. Naquele momento (sempre somos bastante autorreferentes), meu primeiro susto foi o local, relativamente próximo de dois locais em que morei no Rio, um deles em que minha mãe e minha irmã moram até hoje.

Mas o espanto ao ler a matéria se transformou. Pelo que estava escrito, havia indícios de que se tratava de uma execução, o que se confirmou depois. Era, portanto, um crime que vinha em resposta à atuação política da ex-vereadora. O leque de suspeitos é grande, de policiais que cometeram abuso de poder e foram denunciados a milicianos.

Os dias que se seguiram prolongaram o assombro. Foram dias de peso e perplexidade. Pelo ocorrido e pelos desdobramentos dessa morte. Pois à dor pessoal de quem perdeu Marielle se somou a dor política de uma parcela do país que anda sedenta por justiça e paz. Um luto de milhões acabou invadindo o luto particular da filha, da companheira, da irmã, dos pais e dos amigos de Marielle. A família, certamente, sofre a impossibilidade do recolhimento, nesse momento de dor tão íntima. Mas segue lutando, para dar sentido à essa perda. Ou muitos sentidos.

Por mais que até o momento não se tenha nenhuma certeza sobre quem seriam os responsáveis por esse crime, as investigações mostraram claramente que o carro em que estava a vereadora foi seguido desde o evento de que ela participou, na Lapa (região central do Rio de Janeiro), até o local da execução, a cerca de quatro quilômetros. A munição usada foi comprada originalmente pela Polícia Federal e desviada, sabe-se lá sob que circunstâncias. O que se sabe é que se trata do mesmo lote de munições usadas em crimes nos locais mais variados, tanto no Rio de Janeiro quanto fora do estado. O principal deles foi a chacina de Osasco, a maior ocorrida no estado de São Paulo. Cometida por policiais militares (e um guarda civil) que teriam vendido parte dessa munição para PMs do Rio.

Mas a perplexidade não estancou aí, na morte brutal e premeditada, e na proliferação de suspeitos. Depois de morta, Marielle não esteve imune ao ódio que parece se alastrar como praga pelo país. Não basta matar a mulher. Muitos querem também apagar sua memória. Na falta de fatos concretos, proliferam mentiras. Numa ampla campanha difamatória, afirmaram que ela era ex-esposa de um traficante, teria sido eleita com apoio do tráfico e que sua morte estaria ligada a uma suposta troca de facção criminosa. Quando não apelam para mentiras, se valem de lógica deturpada. Como a afirmação de que, por defender bandido, ela acabou sendo morta por eles, num claro movimento de responsabilizar Marielle pela própria morte.

Toda essa campanha difamatória acaba apagando o caráter político de sua morte. Além disso, ela funciona como uma espécie de recado velado a toda pessoa que defende os direitos humanos, um alerta insinuando que “o próximo pode ser você”. Isso é extremamente preocupante, ainda mais nesse momento, pouco mais de um mês depois de o comandante do Exército, o general Villas Boas, declarar que os militares precisam ter garantia para agir sem o risco de surgir uma nova Comissão da Verdade. Isso no início de uma intervenção federal no Rio de Janeiro da qual o presidente em exercício pretende obter ganhos eleitorais.

Há ainda uma terceiro aspecto que essa campanha difamatória cumpre, que eu só compreendi ao assistir a um vídeo (que reproduzo aqui, ao fim deste texto) de uma ativista norte-americana, de origem indiana, chamada Valarie Kaur. Cheguei a esse vídeo também pela Fabi, que o assistiu no dia seguinte à morte de Marielle. Ela disse que passou todo o dia com um nó na garganta, pensando em como seguir, e então foi atravessada pelo vídeo e voltou a respirar. No vídeo, Valarie diz o seguinte:

“As histórias podem criar o milagre que transforma estranhos em irmãs e irmãos. Esta foi a minha primeira lição do amor revolucionário – que as histórias podem nos ajudar a não vermos estranhos.” (2)

Essa foi a chave que me fez ver que é um risco, para um sistema de pensamento pautado pela raiva, tomar contato com a história do outro, que pensa e age de forma distinta. Pois isso pode minar essa raiva, dissipar esse ódio. Encontrar a humanidade nessa alteridade pode parecer inaceitável. Por isso também é tão importante destruir reputações. Se eu vejo uma pessoa como Marielle, que milita em favor dos direitos humanos, como oponente, eu não posso descobrir que ela é tão semelhante a mim em seus sonhos, seus medos, suas alegrias. Não posso sentir como legítimas as lágrimas de quem chora por sua partida. Preciso desqualificar a memória de quem parte e o luto de quem chora essa perda. Além de desencorajar quem segue pelo mesmo caminho.

Como alguém que é atingido por esse recado que desqualifica a dimensão política da morte de Marielle, me vi impelido a tentar ouvir essas críticas e refletir sobre sua origem. Sobre que mundo é esse, que torna possível a articulação desses discursos.

Quem defende os Direitos Humanos defende bandidos?

Uma das primeiras tentativas que vi de culpar Marielle pela própria morte foi uma imagem amplamente compartilhada (inclusive por um vereador de São Leopoldo pelo MDB), com uma foto da ex-vereadora e os seguintes dizeres: “Trate bandido como vítima e um dia a vítima será você”. Essa frase tem como pressuposto que quem defende o respeito aos direitos humanos é contra a punição a quem comete crimes. E tem um segundo pressuposto, ainda mais complicado, que é o de que a criminalidade estaria ligada à pobreza. Os dois pressupostos são, no entanto, falsos.

Quem defende os direitos humanos se opõe à execução de culpados (e, não custa lembrar, também inocentes) por agentes que detêm o monopólio do uso legal da força (a polícia). Ou seja, defende que quando se flagra alguém cometendo um crime, o criminoso deve responder por seu ato perante a justiça. No entanto, num país com alto índice de violência e forte sensação de impunidade, defender o devido processo legal soa como defender que criminosos não paguem pelo que fizeram.

Opor-se a execuções por grupos de extermínio ou ao linchamento (no Brasil, algumas fontes apontam a média de um linchamento por dia) é ser contrário à prática do justiçamento, da vingança. E defender que mesmo quem comete um crime deve ter alguns direitos básicos garantidos, como o direito à vida, o direito de não ser considerado culpado sem um devido processo legal, o de não sofrer tortura e outras penas cruéis e desumanas, entre outros.

Quem defende os direitos humanos não defende a impunidade e, muito menos, supõe que bandidos sejam vítimas da sociedade. Afinal, há criminosos ricos e pobres. A ausência de Estado em locais mais periféricos apenas permite que criminosos ajam com mais liberdade, aumentando a sensação geral de insegurança e submissão ao crime. Mas muito dificilmente na mais violenta das favelas a porcentagem de ligadas a atividades criminosas será maior do que, por exemplo, no Congresso Nacional. Portanto, bandidos não são vistos como vítimas da sociedade por quem defende os direitos humanos. Mas é evidente que quem milita nessa área vai se opor à criminalização da pobreza.

Aqui, lembro a crítica tecida por um procurador do Ministério Público Federal sobre quem se podem tecer várias críticas, menos a de ser a favor da impunidade. Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jata no Paraná, foi uma das muitas vozes que se insurgiu contra o absurdo mandado de prisão coletivo que se pretendia expedir em determinadas regiões (pobres) do Rio de Janeiro, no começo da intervenção no Rio. Seguindo a tradição de defesa dos direitos humanos, que marca o MPF, o procurador declarou que “se cabem buscas e apreensões gerais nas favelas do Rio, cabem também nos gabinetes do Congresso”.

Quem defende os direitos humanos não liga quando morre um policial?

Outra crítica comum contra militantes e organismos que trabalham em favor dos direitos humanos é que esses organismos e essas pessoas agiriam quando se executa um bandido, mas não fazem nada em relação aos policiais que morrem. Esse tipo de crítica frequentemente é feita por quem não costuma se engajar quando ocorre a morte de policiais e certamente não sabe que no Rio (estado que tem a segunda polícia que mais mata e a primeira que mais morre no país), a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa realiza um trabalho de apoio aos parentes de policiais mortos. A própria Marielle, quando era assessora do deputado estadual Marcelo Freixo, trabalhou nessa comissão. O ex-chefe do estado-maior da PM no Rio, que acompanhou e incentivou esse trabalho desde o início, se manifestou homenageando Marielle Franco e pedindo que cessassem as tentativas de macular sua memória com boatos e notícias falsas.

Quem defende os direitos humanos não está preocupado com quem é vítima da violência?

Não é raro ouvir que quem defende os direitos humanos cobra investigação quando um bandido é morto, mas ignora as pessoas que morrem vítimas da violência urbana. Essa crítica talvez se fundamente no fato de que vítimas de crime buscam amparo nas forças de estado (polícia e judiciário), enquanto militantes em prol de direitos humanos costumam ser mais ouvidos quando é um agente de estado que comente um crime (o que pode deixar a vítima desse crime órfã de amparo). No entanto, pessoas que defendem os direitos humanos têm forte preocupação acerca de que modelos de segurança pública o país utiliza. Isso porque é impossível conceber um estado que garanta os direitos humanos se os direitos básicos à vida e à segurança não são garantidos.

Evidentemente, os modelos de segurança podem divergir. Mesmo entre os grupos que militam em prol dos direitos humanos. Em geral, no entanto, esses grupos tentem a preferir uma polícia desmilitarizada ou, no mínimo, com uma melhor formação para o respeito aos direitos humanos (a desmilitarização foi recomendada em 2012 pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, num relatório que continha 170 recomendações diversas ao país — mas essa recomendação sobre a política não foi aceita pelo então governo). Também tendem a apoiar restrições ao porte e uso de armas pela população e a progressiva descriminalização das drogas. E contrários, em geral, à pena de morte. Até aqui, há o espaço para divergências, pois se trata de modelos de políticas de segurança pública. No âmbito do inegociável, esses grupos costumam defender de forma incisiva os cidadãos contra torturas, execuções, abusos de autoridade, buscando proteger o cidadão quando este é perseguido por agentes estatais e perde o amparo do próprio estado.

Sinto-me impelido a escrever sobre direitos humanos, pois o fato de Marielle Franco ter sido uma ativista dessa causa foi visto por muitas pessoas como motivo suficiente para questionar a gravidade de sua morte, ou para responsabilizar parcialmente a própria vítima pelo ocorrido. Além disso, há a difamação, que tem sido tão grave que um grupo de advogadas se uniu para rastrear os boatos contra a ex-vereadora, para encaminhá-los à Delegacia de Repressão contra Crimes de Informática. Elas pedem o seguinte:

“Se você se deparar com algum post de ódio ou que contenha alguma afirmação que difame a vereadora, salve uma cópia do material com o máximo de informações que puder, como o nome de quem fez o compartilhamento, link da postagem e do perfil da pessoa. Se tiver sido por WhatsApp, adicione também o número do telefone que te encaminhou a mensagem. Envie as informações para contato @ ejsadvogadas.com.br.”

Nos primeiros dois dias desse anúncio, mais de duas mil denúncias foram encaminhadas a esse grupo. Não devemos nos alarmar, pensando no alcance potencial das mentiras inventas. Essas duas mil denúncias testemunham algo poderoso, que é a intensa mobilização em torno da preservação de uma memória de luta.

Vivemos um tempo em que ter esperança é um exercício diário. Somos chamados a prosseguir e cada uma de nossas escolhas determina o lugar que ocupamos (ou desejamos ocupar) no mundo. Dá um alento saber que a morte de Marielle não produziu silêncio, e que atos se espalham pelo país. Enquanto vejo a dimensão dessas manifestações, canto mentalmente uma nova letra para uma velha canção. Quase ouço uma voz indistinta, entoando que “Mais que nunca é preciso cantar. / É preciso cantar e tomar as cidades.”

Se uma voz poderosa se cala, precisamos de dez novas que ressoem numa defesa intransigente das garantias e direitos que vêm sendo negados a tantos. Há tanto tempo! Vozes que se recusem a se deixar transformar em ódio. Que ocupem ruas, praças, tribunas e tribunais. Talvez nesses encontros surjam algumas dessas vozes.

Penso que é primordial aprender a usar os mecanismos de vigilância a nosso favor. Cada cidadão, hoje, tem a possibilidade de fiscalizar atos de agentes que detêm o monopólio da força. É importante que se saiba e se propague que qualquer cidadão tem o direito de filmar uma abordagem policial. Sabemos do risco de algo assim, pois forças autoritárias inventam regras que não existem para não serem fiscalizadas. Mas se estivermos em segurança, não precisamos hesitar de fazê-lo. Talvez estejamos contribuindo para criar uma cultura em que agentes públicos que detêm o monopólio da força sintam medo de infringir a lei. Como qualquer cidadão.

Certamente há ainda muitos caminhos a percorrer e a se inventar. Mas, por fim, registro que hoje fiquei feliz quando, conversando com a Fabi, ela me contou que há diversos grupos que vêm fazendo um resgate do trabalho e da memória de ativistas vivos. Contando histórias como a de Marielle, que infelizmente só se tornou conhecida após sua morte. E, como sabemos, “as histórias podem criar o milagre que transforma estranhos em irmãs e irmãos”.

____
(1) No original: “Joy is the gift of love. Grief is the price of love. Anger is the force that protects it. This was my third lesson in revolutionary love. We love ourselves when we breathe through the fire of pain and refuse to let it harden into hate.”

(2) No original: “Stories can create the wonder that turns strangers into sisters and brothers. This was my first lesson in revolutionary love – that stories can help us see no stranger.”

Marielle Presente! Atos se espalham pelo país.

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Se perguntássemos a cem escritores o porquê de escreverem, certamente obteríamos cem respostas diferentes. Mas posso dizer que uma das razões que me levam à escrita é o desejo de encontro e de diálogo que a leitura propicia. Um evento como o de sábado é uma excelente oportunidade de exercício desse diálogo a partir da escrita, mas que se estende com a presença física, repleta de expressões, tons de vozes e sorrisos.

Fiquei feliz com cada abraço, cada dedo de prosa trocada, ainda que brevemente (era grande o desejo que o tempo não passasse e fosse possível conversar detidamente com todos). Fiquei muito feliz pelo interesse de muitos dos autores que me fazem companhia nesta coletânea tiveram em meu livro, lançado há um ano e meio pela Editora Patuá (saí com cinco novos potenciais leitores de meu Trítonos – intervalos do delírio!).

Compartilho aqui algumas lembranças fotográficas do lançamento pela Editora Oito e Meio da coletânea de contos Tabu (clique aqui para mais informações), da qual faço parte. O livro foi organizado pela Flávia Iriarte com integrantes do curso de escrita criativa do Carreira Literária.

Além das fotos, a Fabi (que, por ser a fotógrafa, acabou não saindo em nenhuma foto comigo) fez um vídeo lindo, para o canal do Laboratório dos Sentidos, sobre nossa viagem para o Rio de Janeiro. Deixo aqui também:

Lançamento do coletânea "Tabu" - 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com Marisa Tostes Daniel (mamãe) – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com André Balbo – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com André Balbo e Samir Oliveira Ramos – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu, com Samir Oliveira Ramos” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com Paula Giannini e Táscia Souza – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com Nuno Rau – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com Fernando Sousa Andrade e Nuno Rau – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu”, com Nuno Rau – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do coletânea “Tabu” – 15 de julho de 2017.

Lançamento do livro "Tabu" no sábado (15/7), na sede da Editora Oito e Meio.

Lançamento do livro “Tabu” no sábado (15/7), na sede da Editora Oito e Meio.

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Neste sábado (15/7), no espaço Oito e Meio, será lançada pelo Carreira Literária a coletânea Tabu, organizada pela editora e publisher Flávia Iriarte. A coletânea reúne cerca contos escritos por cerca de trinta autores, que se debruçam sobre as diversas interdições da cultura e da sociedade que regulam os corpos e a vida das pessoas.

O livro acabou surgindo como um desejo de continuação dos encontros virtuais semanais de autores que faziam a segunda edição do Curso de Escrita Criativa do Carreira Literária. E surgiu porque ocorreu algo durante o curso que não estava no script: além de das análises de contos e trechos de romances em processo de escrita, acabaram se desenvolvendo verdadeiros laços de amizade, que extrapolaram, no tempo e no espaço, os limites daquele breve período.

“Tabu”, além de reunir alguns dos escritores que estão produzindo a literatura de hoje, tem a proposta colocar luz sobre o inquietante tema dessas interdições. Câncer, incesto, nudez, necrofilia, pedofilia, zoofilia, antropofagia, eutanásia, homossexualidade, transgeneridade, poligamia, suicídio, morte… Como chama atenção a organizadora da coletânea, “talvez sejam essas palavras, muitas vezes proibidas de serem ditas, as que mais tenham a dizer sobre nós. E esta coletânea está aqui para isso. Para afirmar a literatura como um dos raros espaços possíveis de liberdade.”

Tenho um orgulho imenso de estar nessa coletânea, com o conto A última claridade desse dia. Li a versão inicial de cada um dos contos e posso assegurar: são demais! É uma honra habitar essas páginas ao lado de tantos ótimos escritores.

Lançamento da coletânea “Tabu”
Sábado (15/7), às 19h
Espaço Oito e Meio
Travessa dos Tamoios, 32-C – Flamengo

Lançamento do livro "Tabu" no sábado (15/7), na sede da Editora Oito e Meio.

Lançamento do livro “Tabu” no sábado (15/7), na sede da Editora Oito e Meio.

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Tenho um orgulho imenso de estar nessa coletânea que será lançada no próximo sábado (15/7), no espaço da Editora Oito e Meio, no Rio de Janeiro… Li a versão inicial de cada um dos contos e posso assegurar: são demais! É uma honra habitar essas páginas ao lado de tantos ótimos escritores.

Lançamento do livro "Tabu" no sábado (15/7), na sede da Editora Oito e Meio.

Lançamento do livro “Tabu” no sábado (15/7), na sede da Editora Oito e Meio.

Como surgiu o livro? Com a palavras, a querida Flávia Iriarte, organizadora da obra:

Estamos em outubro de 2016. Dois grupos de escritores de todas as partes do Brasil se encontram às quartas e quintas-feiras, durante um mês, para debater acerca de suas produções literárias, em um encontro online (bendita era digital!). Cada participante deve apresentar um projeto – romance ou coletânea de contos – para desenvolver, o quanto possível, ao longo deste período. Eu e a Maiara Líbano somos as encarregadas de coordenar o desafio, fazendo a leitura dos textos e dando um retorno com sugestões aos seus respectivos autores. Era esta a proposta da segunda edição do Curso de Escrita Criativa do Carreira Literária.

Com o que não contávamos, no entanto, era que, além de personagens e narradores, conflitos e pontos de virada, das nossas histórias, terminássemos os encontros falando sobre tudo que estava por detrás delas. Sobre nossos próprios conflitos e angústias e o quanto deles têm os nossos personagens, sobre nossos processos de criação e o quanto eles têm de falhas e acertos, sobre as relações – complexas e intrigantes – entre nossas vidas e nossas ficções.

Em suma, o que não estava no script, era que, além de contos e romances, se desenvolvessem, durante aquelas quartas e quintas, verdadeiros laços de amizade, que extrapolaram os limites daquele outubro para se desdobrar no tempo e no espaço.

É um livro, portanto, que nasceu a partir de uma certa política da amizade. Uma política em que a leitura — e a crítica que constrói junto — é um dever do amigo…

Participo da coletânea Tabu com o conto A última claridade desse dia, do qual deixo os primeiros parágrafos:

É estranho pensar nisso, mas a festa foi perfeita. Mal posso acreditar. Dois dias inteiros junto das pessoas mais importantes da minha vida. Tentei prever cada detalhe, controlar cada emoção. Porque, ao menos nesse instante, eu me queria rodeada apenas pela alegria de celebrar a existência com essas pessoas que amo tanto. Lá dentro, escuto Noah tocar no acordeão minha música preferida. É um presente que torna essa hora extrema ainda mais bonita. E difícil. O sol avermelha todo o horizonte. É impressionante como esses acordes melancólicos combinam com a feérica paisagem daqui.

Ouvir esse acordeão me lembrou de quando cheguei aqui no Canadá, para fazer a residência artística. Com pouco dinheiro, pegava um monte de trabalhos paralelos. Num deles, fui contratada para fazer a ilustração da capa de um disco de Noah. E quem estava lá, me esperando para discutir sobre esse trabalho? Seu irmão, Ethan. Bastou trocarmos algumas palavras para que a afinidade entre nós se tornasse evidente. Dessa afinidade, veio um convite para sair… E hoje Ethan está aqui do meu lado. Nossos dedos se entrelaçam como no dia do nosso primeiro beijo, há quase vinte e dois anos atrás.

Ethan aperta minhas mãos com muita intensidade. Está lindo, escondido atrás desses óculos escuros. Ele evita a todo custo me olhar. Quer apenas cumprir o combinado, como se eu não estivesse vendo as lágrimas silenciosas que já caem em seu rosto. Penso agora na sorte de tê-lo conhecido. Em toda uma vida incrível ao seu lado, cercada de arte e dos amigos que estiveram aqui nesse fim de semana. Em nossa Daphne, que hoje segue os passos do tio na música. É estranho pensar que a minha menina já está na faculdade. Ainda penso como se ela fosse aquela coisinha pequena, espevitada, correndo pela casa e batucando em todas as coisas. Sentir que vou deixá-la desamparada é a única coisa que me faz pôr em dúvida minha resolução. Sei que isso não é real, mas a verdade da gente é aquilo que a gente sente. Acho que não… A verdade de um ser é seu próprio corpo.

Para saber mais sobre o livro Tabu, clique aqui.

Capa do livro Tabu, lançado pela Carreira Literária / Editora Oito e Meio

Tabu – Carreira Literária / Editora Oito e Meio

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