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Posts Tagged ‘Voz’

Sabe quando a música chega, chama, passa e você segue empós o rastro de uma melodia, para que ela não pare? Cantar na Cia Coral Mawaca é um pouco assim. Recebemos canções que vêm das esquinas dos tempos e juntos soamos para que elas sigam. Fazendo com que nossos corpos se transformem em condutores de sons ancestrais.

O grupo se formou no início desse ano, quando o Mawaca abriu a atividade em sua sede. E desde então, somos um único corpo que soa. E eu, mais uma voz-pessoa dentre todas, essenciais para que o canto-comunhão se faça.

Cantar é uma festa. E, na Cia Coral Mawaca, é ainda ser atravessado, em diáspora, pelo canto de tantos povos, por variados modos de escalar o som. Há dez dias, em nossa última apresentação, com a qual fechamos nosso primeiro ano de existência como grupo, levamos no corpo os sons e as canções que soaram. Quebramos a distinção dos gregos, que tinham uma musa para a música (Euterpe) e outra para a dança (Terpsícore). E nos unimos a certas culturas, para as quais a dança e a música são artes quase indistintas. Cantar e soar é também dançar, e tudo em grupo, em roda, em rito… Quase sempre, por lá, também é assim!

Nesse dia plateia nos seguiu e a música só acabou lá fora. Acabou? Não! Ecoa ainda como memória e desejo de seguir soando…


Vídeo sobre a Cia Coral Mawaca


Teaser do vídeo sobre a Cia Coral Mawaca

Cia Coral Mawaca

Cia Coral Mawaca

Cia Coral Mawaca

Cia Coral Mawaca

Cia Coral Mawaca

Cia Coral Mawaca

Cia Coral Mawaca

Cia Coral Mawaca

Cia Coral Mawaca

Cia Coral Mawaca

Apresentação da Cia Coral Mawaca no Estúdio Mawaca em 18 de dezembro de 2018. Direção Músical: Angélica Lewwiller, Cris Miguel, Magda Pucci, Rita Braga e Zuzu Leiva

 

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(À Cia. Coral Mawaca)

I

Quando canto projeto no futuro
cada som que eu desejo permanente.
Mesmo lançando a voz num tempo obscuro,
já me sinto soando lá na frente.

Quando canto eu sei que me aventuro,
pois soando me ligo no presente
de modo mais inteiro e mais seguro.
É na voz que carrego o que é urgente.

Nesse espelho dos tempos que é a vida,
eu sou um eco vago que convida
o agora a se encontrar com o amanhã.

São urdidas num cântico voraz
as longínquas memórias lá de trás,
levadas pelos ventos de Iansã.

II

Quando cantamos, nunca estamos sós.
Na voz levamos nossos ancestrais
e as canções que trouxeram para nós.

Passageiros do ar, são pelos ventos
conduzidos os sons inaugurais,
espelhos de folias e lamentos.

Eu ouço sedimentos de memórias
ressonando em escalas. Ouço vidas
que nos contam e cantam as histórias
que movem nossas forças incontidas.

Meu corpo é instrumento em que se abriga
tudo o que invoco e sinto que é sagrado.
Celebro assim, numa canção antiga,
as vozes e os cantores do passado.


O meu sentimento é de gratidão por tudo o que foi na sexta-feira (6/7), na apresentação da Cia. Coral Mawaca. Pelas músicas que nos atravessaram, pela forma como soamos e pela alegria pulsante em nós.

Desejo agradecer por tanta coisa que é até difícil encontrar palavra para descrever esse tanto. Agradecer pela troca, pela alegria, pelo entusiasmo, pelos sons, pelas danças, pelos abraços, pelos sorrisos… e pelas palavras.

Queria ainda fazer um agradecimento especial à Angélica Leutwiller por suas palavras antes do concerto, que me levaram às lágrimas (e não só a mim). E, porque aprendi tanto com aqueles dizeres, agradeço também a todas as vozes ancestrais que trouxeram todas essas músicas até nós, o que de certa forma permitiu que esse grupo pudesse se encontrar. A partir dessa sexta, passarei sempre a pedir licença a todas essas vozes e povos que cantaram essas músicas, quando eu for cantar.

 

Primeira apresentação da Cia Coral Mawaca, em 6 de julho de 2018.

Primeira apresentação da Cia Coral Mawaca, em 6 de julho de 2018.

Primeira apresentação da Cia Coral Mawaca, em 6 de julho de 2018.

Primeira apresentação da Cia Coral Mawaca, em 6 de julho de 2018.

Primeira apresentação da Cia Coral Mawaca, em 6 de julho de 2018.

Primeira apresentação da Cia Coral Mawaca, em 6 de julho de 2018.

Primeira apresentação da Cia Coral Mawaca, em 6 de julho de 2018.

Primeira apresentação da Cia Coral Mawaca, em 6 de julho de 2018.

Primeira apresentação da Cia Coral Mawaca, em 6 de julho de 2018.

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Inundação a duas vozes

Entre piedras, cactus, abrazos y algodones
viene de tus pupilas pozo de agua infinito
hacia el plexo de mis adentros
donde duela nunca dudes, camino certo
(Perotá Chingó – Certo)

I

Doar a voz ao público.
Inundá-la de notas,
acordes quase abraços
e ritmos múltiplos.

Acender fagulhas
em todas as almas
apenas com o som.

II

Reverberam harmonias
que habitam essa forma
aquosa de música.
Um aguaceiro de lágrimas
apascenta o peito.

E assim ouvimos mergulhados
em lagunas amnióticas.

III

Milênios há
sob o chão dessas vozes donde
emanam sacras alegrias.
As sacerdotisas do som
evocam antepassados
e projetam

os olhos do amanhã.

IV

Fazer da voz a ferramenta.
Para avivar o fogo
não falta o ar,
assim como a água é vital
para fecundar a terra.

Isso é o que diz a vida,
esse infinito espelhado em mandalas.

V

Solares canções pequenas
reverdecem o dentro
de cada manhã.

E assim cantamos também,
dando graças
e pedindo à vida:
empresta-me teu sol!

VI

Lavra louca
trespassada por águas
que espelham o profundo –
essa é a matéria
que engendra nossa voz.

Assim se pode ouvi-la desde
as raízes de si.

VII

Silêncios também soam
com eloquência.
Fazem das gentes
ilhas num mar de encantos.

E se anuncia esse mistério
sob a forma úmida de um canto
desde a primeira chacarera.

Imagem do Show "Aguas" - Perotá Chingó - São Paulo, 13 de agosto de 2017

Show “Aguas” – Perotá Chingó – São Paulo, 13 de agosto de 2017

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Cortar a ideia de lua
com a lâmina da língua.
Dizer o mundo não míngua
porque sempre o perpetua.

Extrair da lua cheia
o sumo que não é dito.
Erigir um monolito
feito de sal, ar e areia.

E adorar, por fim, o pó
daquilo que, na linguagem,
me deixa um pouco mais só.

Se houver alguma poesia,
que a minha voz, em viagem,
leve sua melodia.

Matt Cardy - Supermoon

Matt Cardy – Supermoon

http://www.perotachingo.com.ar/

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