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Archive for julho \26\UTC 2012

(para meu avô Fernando Daniel)

Foi assim: sem nem adeus.
E o silêncio desses dias
cheios de pequenas coisas
agora fica pesando.

Isso demonstra que o tempo
não está ao meu dispor.
Isso comprova que urgente
é só o tempo do afeto.

Espero que esse silêncio
seja logo perdoado.
Não por ele. Mas por mim.
Ele aqui já não está.

Só sei que nesta manhã
ele se foi. Circunstâncias
ainda não me chegaram.
Foi assim: sem nem adeus.


————————–
Fernando Daniel

* 17/12/1923
+ 26/07/2012

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33

Eu sempre a imaginei distante léguas,
longe, num tempo eterno de porvir.
Algum grau trinta e três. Idade mística,
idade crística, mistério em números.
Idade em que meu pai deixou o mundo
legando-me, de herança, sua ausência.
Nunca pensei exato neste tempo
que, então, chegou sem que eu me desse conta.

A história de meu pai se construiu
só nos trinta e três anos mais um mês
de sua vida breve. Já eu sinto,
quase o mesmo caminho tendo andado,
uma vida inda inteira a percorrer.
Mas olho para trás e vejo os passos,
trôpegos uns e firmes outros tantos:
mais de doze mil dias caminhando.

De palavras escritas, mais que isso
talvez; e certamente muito mais
de notas entoadas. Pois me invento
e me moldo e me forjo e me componho
pela força do verbo e do que soa.
Sou o que logro urdir na finitude,
tecendo o texto-teia dos sentidos
que desemboca em tudo que me faço.

Enfim, eu me redijo no que amo,
naquilo que me afeta e que percebo.
Minha história eu escrevo com meu corpo
e cada cicatriz é um capítulo.
Cada marca no rosto, um testemunho.
Cada uma das parcas cãs que tenho
tingiu na noite escura desse mundo
trinta e três traços de minha existência.

E eu sempre a imaginei distante léguas…

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Há seis anos, pelo que se conta, surgiu aquele espaço que desejava reunir expressões coletivas, mensalmente, em torno das palavras e imagens. Não, não o conheci neste quando. Foi bem mais recentemente, por intermédio de minha irmã, que começou a fazer parte do corpo de palavras daquela revista virtual.

Demorou ainda um pouco para que eu acabasse figurando também por lá. E isso aconteceu pela indicação da minha Fabi. Agora sou mais um dos diversos afins que por lá se reúnem, entre caminhos e palavras. O meu conto “Ay, este azul” participa da 69ª Leva da Revista Diversos Afins. Na prosa, me acompanham José Geraldo Neres e Roberta Simoni. Nesta Leva, ainda estou cercado pelos versos de Mercedes Lorenzo, Clarissa Macedo, Marra Signoreli, Raquel Gaio e Helena Barbagelata. Tudo entremeado pelos traços de Rui Cavaleiro. Acabo de ler hoje, com deslumbramentos vários, todos os contos e poemas que seguem comigo nessa Leva que comemora os seis anos da Diversos Afins. E ainda há o que ler: os artigos de Hilton Valeriano, Sinvaldo Júnior (espécie de heterônimo do escritor Rogers Silva), Ivana Luckesi, Larissa Mendes e Fabrício Brandão, além da “pequena sabatina” à artista Daniela Galdino.

Obrigado à Leila Lopes de Andrade e Fabrício Brandão pelas levas mensais da Diversos Afins. E um agradecimento especial à Leila por ter me convidado a fazer parte da atual leva.

Ay, este azul

69ª Leva

Diversos Afins

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