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Archive for junho \27\UTC 2017

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(com Roberta Tostes Daniel, Fabiana Turci, Laboratório dos sentidos, Trítonos – intervalos do delírio e Editora Patuá)

Essas são as palavras que mais uso no Facebook. Quais são as suas?

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(em comemoração conjunta dos meus 38 anos e dos 81 anos de Hermeto Pascoal)

I

Ele conhece a intimidade do som,
as frequências brincantes
de cada nota.

Quase posso tocar
no ar
a cadência hermética

do impossível.

São sons de se ouvir
com a nuca.

II

Ele pega um compasso
e divide
e distorce
e retorce.

Acelera, ralenta, breca
ad infinitum.

III

Ele sabe que é possível extrair
a magnitude de cada
objeto.

Afinar brinquedos,
ritmar tamancos,
descobrir a embocadura
de uma chaleira

e fazer de qualquer coisa
matéria de soar.

IV

Ele joga com as notas,
empilha várias delas
e dança com suas durações.

Em seus jogos herméticos,
a única verdade
do som é o corpo
que o produz

e determina

suas inúmeras qualidades
e efeitos.

V

Ele improvisa a chuva
que mareja os olhos
a partir dos ouvidos.

Diante do milagre
do som, compreendo
que música é coisa
de criança

eterna.

Toda brincadeira é imensa demais
para não ser levada a sério.

VI

Ele entende do trítono,
esse tão íntimo

intervalo do delírio.
Em suas mãos
nada desafina
e os semitons deslizam

caudalosos

como leitos de rio.

VII

Em consonância
estão também os nossos sóis.
E neste novo ciclo

que se inicia no céu
de nossa boca
(esse instrumento
de pulsos, tons e palavras),

celebro a viva certeza
de que há oitenta e um anos
(descontados os sons uterinos
e as composições placentárias)
ele se diverte

com notas
como eu

com palavras.

> São Paulo, 22/6/2017.

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