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Posts Tagged ‘Verdade’

Aos deuses e às deusas de todas as crenças e incertezas eu invoco, para o caso de haver um ou mais que, eventualmente existindo, possa me ouvir.

Rogo-lhes que santifiquem minhas dúvidas, que multipliquem em meus olhos perguntas e questionamentos. E que a incerteza me livre de dizer como verdades perpétuas e imutáveis os seus incognoscíveis nomes, ou de tomar alguma explicação provisória como um absoluto.

Para isso, que minha fome de eternidade se aplaque com o efêmero da beleza, e não com o dogma de suas inexistências. Ou de suas presenças constantes ao redor do mundo, no fundamento mítico de toda cultura e de toda palavra.

Por amor a tudo quanto é sagrado e a tudo quanto é profano, que a frágil liberdade de ser me guie por todo onde. E que criemos tantas terras e tantos céus quantos nossa potência criadora, nossas linguagens e nossos verbos puderem fundar.

Possa eu sempre repartir liberdade e palavra como quem reparte o pão. Porque o corpóreo desejo de encontro pode criar conversas infinitas. Se hoje me engajo na conversa de tantos que já inexistem na carne, possa eu também semear uma precária eternidade pelo sopro de minhas palavras.

Que eu lute pelos meus princípios, e tenha a coragem de abandoná-los caso encontre outros que me pareçam melhores. Que eles me bastem enquanto me servirem ao íntimo. E que eu tenha a sorte de partilhá-los, nunca os infligir. Mas que minha ética jamais consinta em silenciamentos.

E peço que eu não seja submetido à tentação de achar que meus princípios devam mudar o mundo. Preservem-me desse engodo, deuses e deusas de toda descrença. Afastem-me ainda de todo dever-ser que eu possa tencionar impor a quem quer que seja.

Mas mesmo me mantendo longe do engodo de mudar o mundo, livrem-me também da indiferença e da apatia. Para que eu prossiga contando histórias buscando tocar, quiçá, alguns corações. E para que eu siga desejando, ardentemente, o impossível…

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Seus deuses? Seus orixás? Suas figuras do sagrado? Seus templos? Não são válidos, pois você não acredita numa verdadeira religião. E se você tem fé, ela é sem fundamentos. Sem razões de ser. Afinal, onde está sua escritura sagrada?

Em uma pessoa, essa visão indica um fechamento que pode ser lamentado por uns, mas que também será louvado pelos que contrapõem uma verdadeira religião — a própria — às outras, falsas. É esperado que pessoas digam que só há um verdadeiro deus: o meu; e uma verdadeira religião: a minha. Não há nada de errado nisso. Elas podem dizer isso com respeito, ou atacando o que veem como o caráter nocivo daquilo que julgam falso, errado, canhoto ou demoníaco. E mais, pessoas eventualmente podem ter preconceitos, e não considerarem algumas manifestações de fé como religiões. É uma visão cega à pluralidade do mundo. Porém, quando manifesta individualmente, é apenas algo que se pode lamentar.

Mas, e quando é o Estado que afirma esse tipo de coisa? Um Estado que se diz laico? Que não tem religião oficial desde 1891, com a primeira Constituição Republicana? Se isso acontece — ou, pior, quando isso acontece — o que se percebe é que somos continuamente convocados a agir em favor das vozes que são, de algum modo, caladas. Somos convocados a não consentir em silenciamentos. E a lembrar ao Estado que ele deve garantir a igualdade.

Há igualdade? Uma igualdade formal, legal, escrita na letra morta das leis. Mas que está longe de existir nas práticas discursivas. Nas práticas discursivas do próprio Estado, inclusive. Por essa razão, não é possível se calar quando o Estado toma partido ou retira direitos, sob o risco de sermos cúmplices.

Um juiz de direito, ao julgar um pedido feito numa Ação Civil Pública do Ministério Público Federal que requer a retirada de vídeos do Youtube que promoveriam a intolerância e a discriminação religiosas, manifestou em nome do Estado um preconceito que nega a pluralidade do mundo. O que é inaceitável. No processo 0004747-33.2014.4.02.5101, o juiz Eugenio Rosa de Araújo, da 17ª Vara Federal do Rio, assinou uma decisão, de 28 de abril, em que afirmou que os cultos afro-brasileiros não contêm traços necessários de uma religião, que seriam um texto-base (cujos exemplos ele cita o corão e bíblia), uma estrutura hierárquica e um Deus a ser venerado.

O MPF, na ação, pede a retirada de vídeos que, ao criticarem as práticas dessas religiões, disseminariam discursos de ódio e desprezo a religiões de origem africana. E solicitava antecipação desse pedido, o que foi negado pelo juiz. Para fundamentar sua decisão, o magistrado fez um enviesado raciocínio. A ação do MPF contraporia dois direitos fundamentais: a liberdade de opinião e a liberdade de religião. No entanto, segundo a decisão, “as manifestações religiosas afro-brasileiras não se constituem em religiões”, só restando à Justiça negar o pedido do Ministério Público, para garantir a liberdade de opinião, que em momento algum estaria colidindo com a liberdade de religião, já que a opinião não era direcionada a nenhuma religião.

O fato de um agente público afirmar, em nome do Estado, que os cultos afro-brasileiros não são religiões provocou uma onda de justas críticas. Era realmente espantoso que alguém, em nome de um poder do estado brasileiro, dissesse algo assim. O repúdio à decisão não veio apenas dos adeptos das religiões desconsideradas ou de operadores do direito. Líderes religiosos diversos, dentre os quais um pastor evangélico, também criticaram com justiça a decisão.

O MPF moveu um recurso em que o procurador regional dos direitos do cidadão do Rio de Janeiro, Jaime Mitropoulos, deixa manifesta sua perplexidade pelo fato de o juiz “dizer o que é e o que não pode ser considerado religião, chegando a ponto de estabelecer, de acordo com sua compreensão, que as manifestações afro-brasileiras não são religiões”. “Como assim, Excelências!?”, questiona o procurador, e muitas outras vozes. Embora o recurso trate da retirada dos vídeos, uma boa parte dele era dedicada a mostrar como a argumentação do juiz colide com uma série de estudos e tratados internacionais que tratam da matéria.

“Equivoca-se a decisão, tendo em vista que as religiões de matrizes africanas são sim sistemas de crenças, possuem liturgias, corpos com alguma estrutura sacerdotal organizada hierarquicamente, cerimônias, altares, fiéis, ritos, templos (embora via de regra sem suntuosidade, muitos sobre o chão de terra batida, o que em hipótese alguma lhes retira o caráter sagrado) e, essencialmente, a fé em divindades que são cultuadas (adoradas e veneradas, como queira), não obstante possam destoar do padrão hegemônico das religiões majoritárias que a decisão pretende usar como paradigma para restringir o seu alcance.” Esse foi, na minha opinião, o contraponto mais tocante de todo o recurso contra o absurdo proferido pelo juiz da 17ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Tocante porque eu já estive, para contemplação estética do rito, num centro desses, que ficava na zona rural de uma pequena cidade, e testemunhei com meus próprios olhos como um pedaço de chão de terra batida se transfigura em solo sagrado.

A repercussão do que ele escreveu na sentença foi tão negativa que o juiz voltou atrás e, no dia 20 de junho — alguns dias após o MPF mover seu recurso –, assinou uma nova decisão, em que destacava o forte apelo da mídia e da sociedade civil contra a sua decisão. No novo documento, ele registrou que sua percepção agora era de que os cultos afro-brasileiros se tratam, sim, de religiões. E, ainda que de forma rasa e superficial, ele enfim contrapôs a liberdade religiosa à liberdade de opinião. E manteve sua decisão de indeferir a liminar pedida pelo MPF, sob o argumento de que a liberdade de opinião estaria sendo regularmente exercida.

Pode-se discordar desse julgamento, como certamente discorda o autor da ação, mas dessa vez o juiz conseguiu se aproximar do tema que deveria ser discutido na ação: quando a liberdade de opinião deve sofrer alguma restrição para resguardar outras liberdades, como, no caso, a de religião? Essa é uma discussão difícil, pois as religiões podem criticar os fundamentos e as práticas umas das outras, demonstrando aos fiéis porque aquela é a religião verdadeira. Além disso, também não são incomuns os discursos contrários às religiões de um modo mais amplo.

É habitual religiões protestantes criticarem o catolicismo — e nem sempre o desrespeitando da mesma forma como um pastor da Universal fez quando chutou, num programa de televisão, uma santa católica — por adorarem imagens. Católicos criticam os protestantes por não seguirem a tradição apostólica dos primeiros cristãos, nem crerem na igreja fundada por Cristo e confiada a Pedro e seus sucessores. Católicos e protestante criticam o espiritismo por evocarem os mortos. O espiritismo diz que a besta do apocalipse é a figura do papa no período em que vigorava o dogma da infalibilidade papal (de 610 a 1870), e que o próprio número da besta estaria presente em cada soma dos algarismos romanos encontrados nos títulos que o papa ostentava nesse período: VICARIVS GENERALIS DEI IN TERRIS (Vigário Geral de Deus na Terra), VICARIVS FILII DEI (Vigário do Filho de Deus) ou DVX CLERI (Príncipe do Clero). O espiritismo também critica o candomblé, afirmando que suas práticas muitas vezes estimulam espíritos obsessores. Todo movimento comunista costuma repetir que a religião é o ópio do povo. E Richard Dawkins, uma espécie de profeta do ateísmo, afirma que crer em Deus não é apenas inútil e supérfluo, mas também prejudicial. Tais opiniões podem soar agressivas para quem crê naquilo que é criticado, mas dificilmente poderiam fundamentar decisões contra a difusão desses conteúdos.

No caso da ação do MPF, a análise do contexto é fundamental. De acordo com o mapeamento das casas de religiões de matriz africana no Rio feito pelo Núcleo Interdisciplinar de Reflexão e Memória Afrodescendente (Nirema) da PUC-Rio, e que deu origem ao livro Presença do Axé, lançado este ano, 430 das 847 casas pesquisadas desde 2008 relataram episódios de intolerância religiosa contra seus centros ou seguidores. E como não há limites para o absurdo, terreiros são fechados e seguidores de religiões afro vêm sendo expulsos de favelas do Rio por traficantes evangélicos, numa versão da realidade que faria inveja à Ionesco. Coincidentemente, entre os vídeos apontados pelo MPF na ação, existe um que me parece justificá-la, em que um pastor diz aos fiéis: “toca no irmão do teu lado e diz, você pode fechar todos os terreiros de macumba do teu bairro”. Ainda assim, não é fácil encontrar o limite entre o que são críticas a uma outra religião e o que é discurso de ódio e intolerância. Mas, talvez para fugir à dificuldade de sopesar dois direitos fundamentais colidentes, a decisão do juiz só perpetua a intolerância.

Esse tipo de apagamento do outro muito me choca, bem como qualquer prática violenta contra aqueles que existem na diferença da maioria. Assim como me choca que num estado laico, uma autoridade oficial ainda se arrogue o direito de dizer que religiões são só as monoteístas. E quanto ao resto, talvez sejam apenas bonitas mitologias. Em minha posição agnóstica, só me resta rezar aos deuses que não sei se existem por tempos melhores.

quinzenario0008

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Amanhã é um dia para não ser celebrado. Mas é preciso lembrá-lo e, sobretudo, é preciso enxergar seus revérberos contínuos em nossos dias. Saber que o silêncio e a impunidade continuam a gerar silêncio e impunidade, tortura institucionalizada e dor.

É imprescindível olhar para trás com o incômodo de termos permitido que criminosos anistiassem a sim próprios. Não há alívio. Sabemos que houve torturas, mortes, execuções, crimes imprescritíveis. Existem vítimas. Mas dos criminosos não se dizem os nomes. Não se pode falar quem torturou, quem matou. Torturou-se, matou-se — indeterminando os sujeitos de tais atrocidades.

quinzenario0007

Além das verdades do senso-comum, muito pouca coisa há. Arquivos inteiros ainda permanecem sob sigilo. É sintoma desse silêncio reinante que uma comissão da verdade tenha sido instituída somente quarenta e oito anos depois do golpe. Assim como é sintoma desse silêncio, e de tanta verdade ocultada, que um dos maiores jornais do país tenha chamado, num editorial de 2009 — poucos meses após a Constituição de 1988 completar 20 anos –, a ditadura militar brasileira de “ditabranda”. Os ecos desse passado silente também estão nas ações policiais contra cada manifestação popular, desde aquela que vimos ano passado contra o aumento nas tarifas do transporte público, até aquelas que não são relatadas — e que terminam em violências maiores, embora invisíveis.

E certamente é um fruto desse silêncio a mera possibilidade, no entanto bastante concreta, de policiais militares correrem quase em fuga pelas ruas da segunda maior cidade do país — a cidade em que nasci –, arrastando o corpo (morto?) de uma pessoa. Inocente. Executada por eles? Socorro policial que induz à morte. Um caso isolado? Em que medida as polícias militares herdam suas práticas dos grupos de extermínio notórios durante o regime de exceção e das práticas de tortura usadas nos chamados porões da ditadura?

O golpe do dia 31 de março de 1964 encontrou apoio de setores da sociedade, que lhe deram sustentação. O clamor por mais ordem, a noção de que a família tradicional e o temor a Deus deveriam ser preservados, além do medo de uma suposta ameaça comunista no contexto da guerra fria foram determinantes para o êxito do golpe. Ao recordar isso, é impossível não se perguntar sobre quais são os clamores alarmistas do tempo presente. Os militares, que diziam assumir provisoriamente o governo para “garantir” a democracia e livrar o país do perigo comunista, ficaram no poder durante 8019 noites, ou 21 anos, 11 meses e 15 dias. Os detalhes dessa história, no entanto, permanecem desconhecidos. O silêncio impera. E esse silêncio que ainda perdura não é uma resposta…

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E as vinte palavras recolhidas
nas águas salgadas do poeta
e de que se servirá o poeta
em sua máquina útil.

Vinte palavras sempre as mesmas
de que conhece o funcionamento,
a evaporação, a densidade
menor que a do ar.
(João Cabral de Melo Neto – A Lição de Poesia)

(…)

borboleta
Ente híbrido, entre animal e papiro, em cujas asas estão inscritas respostas para perguntas que nunca foram feitas. Trata-se de um palimpsesto que testemunhou a escritura de todos os absolutos e traz, em diversas camadas, a grafia do indizível. Ao experimentar o estado de solidão existencial, conhece a intimidade da impermanência, caminhando em direção ao outro da forma. Ela não nasce ente híbrido, mas aprende a tornar-se aquilo que se é. Sua existência é também o seu devir. Certo sábio urbano, disfarçado de criança, ao visitar o campo e vê-la pela primeira vez, definiu-a como uma cor voando.

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flor
Ente vegetal que é, na verdade, uma borboleta imóvel e fixa. É frequentemente descrita como um códice cujas folhas acabaram de encarar as mil e uma faces noturnas do silêncio. Nascida do cruzamento entre o encanto e a finitude, tornou-se um tipo de lugar-comum poético, como a lua e o amor. Mesmo assim, certos poetas contemporâneos ainda recorrem a ela. Um poeta gauche certa vez descreveu uma estranha espécie nascida no asfalto. Sim, ela é dividida em várias espécies. Uma delas, habitualmente sacrificada e ofertada às dúzias num ritual em favor de amantes ou amadas, teve seus cinco motivos cantados por uma poetisa moderna e atemporal. Outra, imponente e xântica, conserva ainda algo de borboleta, por se mover no sentido da luz, e aparece convulsa e obsessivamente nas telas de um atormentado pintor que se matou quase dois anos depois de cortar a própria orelha para oferecê-la de presente a uma prostituta.

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história
Ente conceitual formado por um encadeamento de instantes ordenados de modo a constituir uma narrativa. Quando escrita com inicial maiúscula, trata de realidades ou instantes pretéritos pretensamente acontecidos, o que faz com que seja considerada verdadeira. Os supersticiosos costumam atribuir sua autoria à irmandade formada pela solidão, a serenidade e o silêncio.

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Paracoccidioides brasiliensis

Poetas são, às vezes, arbitrários.
Elegem sem motivo certos seres
e os enchem de poéticos poderes,
inscrevendo-os em raros relicários.

Porém, uma cientista que também
é poeta não pode distinguir
dos entes de poético existir
um certo fungo conhecido bem.

Bem conhecido dela, pois poetas
se consideram sempre bons estetas.
Preferem borboletas e condores.

Mesmo por males têm predileções.
Sabem tudo das próprias depressões,
mas nada dos imunodepressores.

(…)

solidão
Ente sentimental que o senso comum associa a tristeza, amargura, angústia e outros entes sentimentais negativos. Ela, no entanto, é uma condição da existência, formando com a serenidade e o silêncio uma antiga irmandade que regia a destinação de deuses, homens e outros entes. Entre os antigos, foi identificada como Cloto, a fiandeira. Os demais entes dessa irmandade também conheceram outras nominações: Láquesis era aquela que mansamente enovelava o fio para sortear o nome de quem teria o silente encontro com Átropos, a quem cabia cortar, inflexível, o fio tecido por Cloto. Há quem sustente que o sozinho de cada ser seja o fundamento de seu sentir.

(…)

verdade
Ente conceitual constituído a partir de uma narrativa pela qual as pessoas podem jurar.

(…)  

*

Escrito para a Oficina Escrevivendo: Poesia, ministrada por Fabiana Turci na Casa das Rosas.

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Mercado de verdades

Sussurram e gritam tantas verdades, que este mundo parece incréu. À rua, pululam certezas, salvações e anátemas. E a mesma questão que me coloco, permanece silente, pendurada no pêndulo das antinomias: Há universal?

O que se pode afirmar com alguma certeza neste mundo, senão que a nossa passagem por aqui é célere? Que haja uma ética universal, que haja valores ou vetores universais, que haja beleza ou padrões estéticos capazes de julgá-la, de nada disso sei. Às vezes, creio que sim. Mas, noutras horas, tenho a impressão de que em cada cabeça assiste uma sentença, ao menos uma!

Assim, experimento o que é ser no mundo. Ser no mundo é finitude, é a experiência da radical finitude. A finitude que é certeza da própria morte e a finitude que é o peso da própria ignorância acerca do sentido das coisas talvez sejam os primeiros (ou únicos) universais que se podem admitir.

Tudo o mais quiçá não passem de mercadorias expostas ao gosto do freguês no mercado de verdades e de respostas que tornam mais suave o mundo.

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