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Posts Tagged ‘Arte’

Caminho e Canção

(Teofilo Tostes Daniel e Fabiana Turci)

Voz e Violão: Teofilo Tostes Daniel
Gravado durante o Sarau Virtual
da Cia Coral Mawaca
no dia 3 de junho de 2020

Música:
Teofilo Tostes Daniel e Fabiana Turci

Tom Em (com capotraste na 5ª casa, tornando Am)
Intro: Em Am D/B Bm7/11 D5/B B7 B7(13-) B7 Em

Em          Am     D/B           D5/B
Faço pra terra minha invocação,
B7                             B7(13-) B7 Em
que ela germine nas minhas mãos.
Em          Am            D/B Bm7/11 D5/B
Sopro no vento a minha oração,
B7                             B7(13-) B7 Em
que ela floresça meu coração.

Em                  Am
Que eu possa me espalhar
Em                 Am
que eu possa me perder
Em          Am
em tudo que brotar
Em                 Am
no que ainda vai nascer.
D              D4
O que frutifico
B7 B7(13-) B7 Em
eu vou colher.

Em                  Am
Que eu possa conceber
Em               Am
os sons que vou cantar,
Em                 Am
e aos poucos refazer
Em             Am
pés para então dançar.
D                  D4
Quero meus olhos
B7  B7(13-) B7 Em
no que eu amar.

Em              Am       D/B            D5/B
Meu corpo abre caminho e canção,
B7                       B7(13-) B7 Em
que ele receba sonho e pão.
Em          Am          D/B Bm7/11 D5/B
Faço pro tempo minha invocação.

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Toda sociedade que se imaginou nova, se imaginou matriarcal.
Viviane Dias – Matriarcado de Pindorama

Na Poética, que trata especificamente da tragédia, mas cujas análises comumente são usadas em muitos outros tipos de arte, Aristóteles indica que o teatro (e talvez, por extensão, a arte) tem como função promover a purificação das emoções, por meio da catarse. Ao buscar demonstrar isso, Aristóteles deixa visível o rastro que liga o teatro grego que ele conheceu – e as grandes tragédias de seu tempo – com os ritos de purificação, não somente aqueles presentes nos grandes ritos cívicos celebrados na pólis, mas também nas celebrações de mistérios (órficos, báquicos, eleusinos). Aqui, vale lembrar que Téspis, conhecido como o primeiro ator e tido como inventor da tragédia, se apresentava em coros dedicados a cantos de ditirambos, que possuíam um caráter litúrgico em louvor a Dionísio, e não um caráter propriamente artístico. Portanto, a arte e a liturgia muito provavelmente nasceram indistintas na Grécia antiga.

Talvez seja possível hoje pensar que a arte atende a muitas necessidades. Ela celebra valores, deuses e a própria vida; estabelece conexões e laços de comunhão; engendra não apenas mecanismos de imitação e percepção da realidade, como também cria novas realidades potenciais; permite formas de expressão; faz denúncias e aponta riscos; promove prazer, diversão, riso ou gozo, etc. Olhando agora, passados alguns dias daquele alumbramento experimentado ao assistir à peça, penso que “Matriarcado de Pindorama”, encenada pela companhia Estelar de Teatro, acaba para mim atendendo um pouco a todas essas necessidades.

A encenação revisita a História do Brasil a partir do ponto de vista do protagonismo feminino. Revela histórias de resistência de personagens históricas, que cruzam com deusas e pombagiras. “Quando a nossa voz entra no mundo, todos os mapas se alteram. Porque a voz das mulheres é um rio caudaloso que abre caminho para muitas vozes”, anuncia o coro de mulheres.

Mas a peça faz mais do que revisitar a história. A plateia participa de um rito cênico, um ritual de pajelança em que uma mulher – Vera Brasilis – busca a cura de suas dores, que se originam de um mal presente desde o mais remoto passado, ou seja, desde a invasão desta terra há mais de 500 anos. O rito evoca toda uma ancestralidade que se manifesta bem diante de nossos olhos. “E neste espaço de possibilidades, rito-teatro, me permito o desejo-magia. Agora sou ponte-cabocla. Quantas mulheres cabem neste corpo?”, pergunta ao público uma das atrizes, ainda na rua, pouco antes de conduzi-lo a uma viagem pelas funduras do espaço cênico, onde muitas vozes se levantam.

Como provavelmente ocorria com o teatro em suas origens mais remotas na antiguidade, toda encenação é também um rito de purificação. Uma das personagem, porém, adverte: “Mas aqui, meu senhor e minha senhora, queremos apresentar uma atração inédita. Um mundo em vias de despatriarcalização. Se eu tive forças para cavar um passado inacreditável, neste rito-teatro inverto meu sentido e olho para frente, cavando um futuro que já se faz presente sim, mesmo se invisível para a maioria”.

A plateia é convidada a revisitar o passado para escrever um novo futuro, para ser mais um tijolo que construirá esse mundo em vias de despatriarcalização que está nas ruas, nas redes, na luta diária pela vida. Por todas as formas de vida, pois recontar a história do ponto de vista das mulheres também pode ser contar a história a partir do ponto de vista da exploração da natureza. E, prenunciando essa possibilidade, a índia Moema proclama: “sou parente da terra, também irmã da água, e sei ler os segredos do tempo. E eu sabia que esse fogo que você trouxe para cá não ia parar de queimar nem em quinhentos anos.”

Nesse trajeto, somos lembrados de que “o mundo nos ensina por todos os poros. Ainda que silenciados!” E a plateia segue, conduzida entre vertiginosos fragmentos sem fim de histórias. Todas, histórias de resistência e apagamento. Histórias que A HISTÓRIA não conta “O que acontece se apenas uma mulher contasse a verdade sobre sua vida?” Ao fim dessa mescla de manifesto e rito cênico catártico pela despatriarcalização do amanhã, presenciamos uma espécie de Sabbat de bruxas. Brasileiras e antropofágicas, cultuando o inapreensível ao som de batuques. “Somos bruxas e preparamos um caldeirão de imagens em ebulição”. Quem vem?

*Fotos: Tati Wexler
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Matriarcado de Pindorama é uma peça escrita por Viviane Dias, que também assina a direção, junto com Ismar Rachmann. No elenco, além de Viviane, estão Anderson Negreiro, Carla Raíza, Gabriel Moreira, Inês Soares Martins, Lucía Soledad Spívak, Nathalia Lorda, Regina Santos e Rico Marcondes. Vídeo projeções: Bianca Turner. O espetáculo está em cartaz sábados e domingos, até 28 de abril, na sede da companhia Estelar de Teatro, na Rua 13 de Maio, 120 (São Paulo).

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Ouvir Bach foi sempre um enlevo para mim. E talvez a ária Erbarme Dich seja uma das peças que mais ouvi dele, exatamente porque é das que mais me arrebatam. Por isso, em primeiro lugar quero registrar meu agradecimento ao André Estevez (meu professor de canto), à Camila Brioli e à Carolina Rosati Colepicolo, por terem tornado esse momento possível, contornando as inseguranças de um cantor amador como eu, que se aventura num desafio arriscado (agradeço também à minha amada Fabi Turci, pelo registro).

Bach é um compositor único. Ao ouvi-lo, ele me parece conduzir o fio de suas melodias de uma forma quase orgânica. Ao cantá-lo (ou executá-lo), no entanto, vejo claramente o quanto ele fazia música como um exercício inconsciente da matemática. Sua precisão é aterradora e, por isso, vozes que parecem passear livres se encontram e se enlaçam tanto e com tamanha harmonia. Fazer uma peça de Bach exige em primeiro lugar uma precisão e uma segurança rítmicas que me ultrapassam. Por isso, ao ensaiar a peça, saí com grande temor. Qualquer tropeço seria emaranhar-se num novelo do qual ficaria impossível sair e voltar ao fio da meada. Por isso, acabei estudando loucamente, cantando de forma quase exaustiva, aparando aresta, firmando entradas. E, além disso, contei com a generosidade e a competência de duas grandes musicistas, que fizeram de tudo para que eu me sentisse mais seguro.

Com isso, superei a parte de tornar possível esse grande desafio. Tenho consciência que agora é preciso trabalhar mais, para tornar o possível mais fácil e — por que não? — transformar facilidade em mais beleza e expressividade. É um longo caminho a trilhar. Mas ter cantado pela primeira vez essa ária desafiadora, que escuto há tantos anos, já foi uma alegria e um importante primeiro passo. Quero, talvez no ano que vem, tentar novamente essa música e vislumbrar uma evolução — e, me ouvindo, ouço claramente que há ainda bastante a progredir…

O Erbarme Dich é uma ária do oratório “A Paixão segundo São Mateus” (BVW 244), de Johann Sebastian Bach. Ela é cantada logo após o trecho que narra o momento em que Pedro nega Cristo por três vezes. A ária expressa a penitência, o choro de Pedro, ecoando como um pedido de misericórdia. O trecho do Evangelho que narra a negação de Pedro termina dizendo que Pedro, saindo, “chorou amargamente”. E é o choro de Pedro que a música ecoa: Schaue hier, Herz und Auge / weint vor dir bitterlich (Olhai aqui, olhos e coração / choram amargamente diante de vós).

Erbame Dich (do oratório “A Paixão segundo São Mateus”)
Johann Sebastian Bach

Barítono: Teofilo Tostes Daniel
Violino Barroco: Camila Rosati Colepicolo
Piano: Camila Brioli

Recital dos alunos de canto de
André Estevez e Angélica Menezes
16 de dezembro de 2017
Espaço Núcleo
Filmagem: Fabiana Turci

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Já torturamos blasfemos e apóstatas, queimamos bruxas, hereges e livros em praça pública, já chamamos de degenerada a arte que questionava seus fundamentos e abria a porta para a criação de novas percepções e sensibilidades. Devo me corrigir. Continuamos torturando e matando bruxas, hereges, blasfemos e apóstatas – esses são crimes oficialmente passíveis de morte em vários países do mundo.

Talvez o peso de toda incapacidade histórica (e contínua, e atual) de acolhermos o Outro em sua profunda alteridade seja o que mais me aterra na sequência de acontecimentos ligados ao desejo de banir manifestações artísticas “degeneradas” (impossível, diante desses episódios, não lembrar do conceito de Arte Degenerada na Alemanha Nazista). Esses acontecimentos começaram no domingo (10/9), quando, por meio de pressão de um movimento que se define como liberal, a exposição “Queermuseu” – que estava aberta ao público desde o dia 8 de agosto em Porto Alegre – foi encerrada prematuramente por um museu mantido por um grande banco.

Cruzando Jesus Cristo com o Deus Shiva – Fernando Baril – uma das obras da exposição Queermuseu.

Na quinta-feira (14/9), quatro dias depois o encerramento da exposição “Queermuseu”, parlamentares da Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul registraram um boletim de ocorrência, por apologia ao estupro de vulnerável (pedofilia), contra a artista plástica mineira Alessandra Cunha, que tinha obras expostas no Museu de Arte Contemporânea de Campo Grande. A denúncia foi feita por causa de um quadro chamado “Pedofilia”, em que se vê uma espécie de sombra de uma figura masculina, com um pênis ereto, próximo a uma menina de olhos arregalados e assustados. No quadro, pode-se ler duas vezes a frase “O machismo mata, violenta, humilha”. Os deputados classificaram a obra da artista como promoção “de sacanagens e desrespeito à família e aos bons costumes”. Com base nessa denúncia, um delegado de polícia julgou que, como no quadro aparece a figura de um homem com o pênis muito próximo de uma criança, teria havido o crime de apologia e apreendeu o quadro (apesar de ser bastante óbvia a crítica que a obra faz desse ato), além de ter intimado a coordenadora do museu a depor sobre a exposição “Cadafalso”, da artista mineira.

Pedofilia - Alessandra Cunha - obra da exposição Cadafalso.

Pedofilia – Alessandra Cunha – obra da exposição Cadafalso.

Para coroar a semana de pânicos morais em relação a manifestações artísticas “degeneradas”, na sexta-feira (15/9), decisão liminar de um juiz proibiu a apresentação, no Sesc de Jundiaí (SP), da peça de teatro “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu”, em que Jesus Cristo é representado por (e como) uma travesti. A liminar foi concedida em ação movida por uma advogada para quem “a peça afeta a dignidade cristã, expondo ao ridículo símbolos como a cruz e a religiosidade que ela representa” (Processo n° 10164228620178260309 – Primeira Vara Cível da Comarca de Jundiaí/SP).

O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu – apresentação no Sesc de Jundiaí foi cancelada por decisão judicial (retirado da página do espetáculo).

Existe uma linha tênue que marca a diferença entre o caso do cancelamento da exposição “Queermuseu” e os outros dois casos ocorridos nessa semana. O cancelamento do “Queermuseu” foi fruto da pressão de movimentos que se insurgiram, por causa de certo pânico moral, fazendo com que indivíduos, assumindo o lugar de cruzados morais, se levantassem para acusar uma determinada manifestação artística, fazendo com que a instituição que a apoiava deixasse de fazê-lo. Já nos casos de quinta e sexta-feira, há uma intervenção direta de poderes públicos (a polícia ou o judiciário) contra a liberdade de expressão. O que ocorreu em Campo Grande, aliás, guarda muitas semelhanças a histórias contadas pelo Stanislaw Ponte Preta (pseudônimo de Sérgio Porto) na série de livros chamados “Febeapá – Festival de Besteiras que Assola o País”. Li o Febeapá na adolescência, durante a primeira metade da década de 90, e naquela época não podia imaginar que eu veria histórias como aquelas se repetindo. Nunca me esqueci de uma dessas histórias, em que um delegado de polícia havia apreendido todos os exemplares de uma encíclica papal, por se tratar de material pornográfico. Aquilo era tão absurdo – mesmo para os padrões do período da ditadura militar, em que o nonsense e o medo imperavam irmanados –, que ele foi questionado sobre como aquilo era possível. Mas o delegado respondeu, com uma truculência que perdura até os dias de hoje entre os que exercem poder policial, que quem entendia de literatura era a polícia… E hoje, na literatura contemporânea, temos o exemplo de um autor (Ricardo Lísias) que teve problemas com a Justiça por polêmicas relacionadas a pelo menos duas obras suas. Numa delas, Lísias teve de explicar à Polícia Federal algo óbvio: que uma decisão judicial dentro da obra Delegado Tobias era apenas ficção, e não uma falsificação documental.

No entanto, há também uma clara linha de continuidade nos três casos. Apenas quando uma parcela significativa da população clama por censura é que os poderes públicos têm o espaço necessário para exercê-la. Foi assim no nazismo. Foi assim no regime stalinista. Foi assim também em todas as ditaduras latino-americanas, durante a Guerra Fria. A decisão que proibiu a exibição da peça em Jundiaí, por exemplo, veio precedida, segundo a própria diretora do espetáculo censurado, por “ameaças de censura, ameaça física, insultos e difamação na internet” no decorrer de um ano que a peça está em cartaz – embora esta tenha sido a primeira vez em que o espetáculo foi impedido de acontecer. Já no caso da denúncia contra a autora do quadro “Pedofilia”, é sintomático que, antes de ela ocorrer, os deputados estivessem discutindo exatamente a exposição encerrada precocemente em Porto Alegre.

Inevitável pensar que as críticas que aparecem em meu livro “Trítonos – intervalos do delírio” a uma concepção divina dominada pelo masculino também podem ser vistas como degenerações, levando certos grupos a querer censurá-las um dia. Ali, invento uma obra perdida da filósofa Hipátia em que ela diz que, havendo um deus trino que criou o homem e a mulher a sua imagem e semelhança, sendo Jesus um homem e o Espírito Santo a relação de amor entre Jesus e a divindade criadora, essa primeira pessoa divina só poderia ser uma mulher, uma deusa mãe. No conceito de arte degenerada da Alemanha Nazista, fica muito claro que determinado tipo de arte era associada a certos grupos de pessoas. Por essa razão, me parece que proibir a arte é um limite tão extremo e perigoso, que tende sempre ao fracasso. Dizer que uma arte não pode ser feita significa que um determinado tipo de pessoas não deveria existir. Embora o estatuto do artístico dê – ou ao menos devesse dar – a possibilidade de abordar tabus sem fazer apologia, o discurso da arte não é panfleto e contém em si também a própria crítica. Assim, de uma certa forma não há assunto proibido à arte – e talvez aí resida seu maior poder.

Mas celebro uma constatação, talvez óbvia, diante de tudo isso: a força avassaladora da arte. A arte mobiliza as pessoas, funda sensibilidades, provoca e expõe as entranhas dúbias, inclusive, dos poderes. Numa semana como a última, em que três manifestações artísticas, em três pontos distintos desse imenso país, sofreram com perseguição e censura, há um pequeno alento em me dar conta de que as artes são uma forma de poder, nas mãos daqueles em que me reconheço.

Heronimus Bosch - O Jardim das Delícias Terrenas

O Jardim das Delícias Terrenas – Hieronymus Bosch – Arte Degenerada no fim da Idade Média?

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(em comemoração conjunta dos meus 38 anos e dos 81 anos de Hermeto Pascoal)

I

Ele conhece a intimidade do som,
as frequências brincantes
de cada nota.

Quase posso tocar
no ar
a cadência hermética

do impossível.

São sons de se ouvir
com a nuca.

II

Ele pega um compasso
e divide
e distorce
e retorce.

Acelera, ralenta, breca
ad infinitum.

III

Ele sabe que é possível extrair
a magnitude de cada
objeto.

Afinar brinquedos,
ritmar tamancos,
descobrir a embocadura
de uma chaleira

e fazer de qualquer coisa
matéria de soar.

IV

Ele joga com as notas,
empilha várias delas
e dança com suas durações.

Em seus jogos herméticos,
a única verdade
do som é o corpo
que o produz

e determina

suas inúmeras qualidades
e efeitos.

V

Ele improvisa a chuva
que mareja os olhos
a partir dos ouvidos.

Diante do milagre
do som, compreendo
que música é coisa
de criança

eterna.

Toda brincadeira é imensa demais
para não ser levada a sério.

VI

Ele entende do trítono,
esse tão íntimo

intervalo do delírio.
Em suas mãos
nada desafina
e os semitons deslizam

caudalosos

como leitos de rio.

VII

Em consonância
estão também os nossos sóis.
E neste novo ciclo

que se inicia no céu
de nossa boca
(esse instrumento
de pulsos, tons e palavras),

celebro a viva certeza
de que há oitenta e um anos
(descontados os sons uterinos
e as composições placentárias)
ele se diverte

com notas
como eu

com palavras.

> São Paulo, 22/6/2017.

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Hoje me deparei com uma alegria que mostra que um livro não se esgota na novidade de seu lançamento. Ele é capaz de produzir vários e inesperados desdobramentos. Isso porque é o leitor quem direciona e determina os sentidos de uma obra.

Ontem, foi publicada a entrevista que o querido Fernando Sousa Andrade fez comigo, sobre o meu Trítonos – intervalos do delírio, para o Ambrosia.com.br. Foi um grande prazer e um grande privilégio refletir, a partir desse diálogo, sobre o processo de escrita do livro, revisitar temas e caminhos da criação.

Escrevo também pelo desejo de encontro. E essa entrevista foi um desses felizes encontros, em que senti que a escrita alcançou o seu delírio de alucinar nos olhos do leitor.

Para ler a entrevista, clique aqui. E caso tenha interesse em adquirir o livro, ele está à venda no site da Editora Patuá. Acesse http://bit.ly/teofilopatua.

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Veredas do Tempo

(Teofilo Tostes Daniel)

Intro.: Am E7 (2x)

__ Am ______________ E7
Eu corro pelas veredas do tempo
__ Am _______________ A7
Tecendo caminhos com meus pés
Dm ____________ C C5+/7+
Eu que desenho as paisagens
_______ F _________________ E
Que transporto em minhas próprias viagens
_______ F ____________ E E7
Que transbordo em minhas marés

Am ____________ E7
Escrevo no ventre do vento
Am ____________ A7
Sussurros que fazem soar
Dm ___________ C C5+/7+
O que o silêncio me fala
______ F ________ E
Que não cala no peito e faz vibrar o ar
____ F _______________ E
E permite que eu construa em mim um lar

_ Am __ E7
O corpo é guardião da memória
_______ F ______ E
Em meus pés eu levo as estradas, trajetórias
_____ F ___________ E ___________ E7
E sob a pele habitam-me as canções e as histórias

__ Am _____________ E7
Percorro as incertezas do tempo
___ Am _____________ A7
Que trago sozinho em meu revés
Dm _____________ C C5+/7+
Eu que consinto em miragens
____ F _____________ E
E naufrago em meus personagens
_____ F __________________ E
Mas renasço em minhas próprias marés

_ Am __ E7
O corpo é celebração da minha história
_______ F _________ E
Em meus céus eu guardo as miradas, desmemórias
_____ F ________ E _____ E7
E sob a pele deliram sensações

Am

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A ideia primeira desse vídeo era apenas apresentar essa música para divulgar minha participação no último “Desconcertos de Poesia” de 2016 no dia 6 de dezembro, evento promovido pelo amigo, escritor e poeta Claudinei Vieira no Patuscada – Livraria, bar & café. Neste evento, para o qual tive a honra de ser convidado para mostrar um pouco da minha escrita e também um pouco de música, vou cantar algumas canções ciganas, entre as quais esta.

Mas ser casado com uma Youtuber abre possibilidades que para mim, menos habituado à linguagem audiovisual, são impensáveis. A partir das gravações feitas, minha amada Fabi Turci, autora do site (https://laboratoriodossentidos.com/) e do canal (https://www.youtube.com/c/laboratoriodossentidos) Laboratório dos sentidos editou esse vídeo incrível usando não só as gravações que ela fez comigo cantando, mas também com inserções de imagens tiradas dos documentários “Cobra Gypsies”, “Los olvidados – Palestina una historia de resistência” e “Al otro lado – la vida en palestina dividida por el muro israeli”, todos disponíveis aqui no Youtube.

‘Naci en Alamo’ é uma canção cigana, de autoria de Giorgos Katsaris e Dionisis Tsaknis, que descobri na voz de uma cantora de origem judaica (sefardita), chamada Yasmin Levy. Ela é um lamento de povos apátridas e/ou que têm experiências de um nomadismo forçado. Cabe hoje na voz e na história de ciganos, de palestinos, de curdos (especialmente os yazidis), de congoleses, de sírios etc, assim como também de judeus, sobretudo antes de 1948. Descobri a versão ‘Naci en Palestina’ na voz de uma excepcional cantora tunisiana que conheci recentemente, Emel Mathlouthi.

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Onde faltam palavras, resta a música do delírio. E os mil e um fragmentos de memória, tecidos numa imensa colcha dos afetos. A noite de 2 de setembro reverbera ainda. E continuará reverberando uma teia de reencontros com amigos que cruzaram meus caminhos há dez, quinze ou até vinte e cinco anos. Se as estradas por vezes traçam pontos de fuga, os laços da amizade aproximam…

Agradeço cada presença, cada abraço, cada sorriso. Agradeço também cada palavra, dita pelos timbres da voz presente ou pelas mensagens escritas por tantas vias. Agradeço cada leitura, cada leitor que a Editora Patuá permitiu que minha escrita encontrasse, realizando assim seu delírio. E dou graças à vida por todos vocês fazerem parte dela.

Compartilho aqui algumas lembranças fotográficas do Lançamento de Trítonos – intervalos do delírio no Rio de Janeiro, na sede da Editora Oito e Meio.

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Lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio (Editora Patuá), na sede da Editora Oito e Meio – 2 de setembro de 2016.

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Lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio (Editora Patuá), na sede da Editora Oito e Meio – 2 de setembro de 2016.

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Lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio (Editora Patuá), na sede da Editora Oito e Meio – 2 de setembro de 2016.

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Lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio (Editora Patuá), na sede da Editora Oito e Meio – 2 de setembro de 2016.

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Lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio (Editora Patuá), na sede da Editora Oito e Meio – 2 de setembro de 2016.

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Lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio (Editora Patuá), na sede da Editora Oito e Meio – 2 de setembro de 2016.

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Lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio (Editora Patuá), na sede da Editora Oito e Meio – 2 de setembro de 2016.

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Lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio (Editora Patuá), na sede da Editora Oito e Meio – 2 de setembro de 2016.

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Lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio (Editora Patuá), na sede da Editora Oito e Meio – 2 de setembro de 2016.

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Lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio (Editora Patuá), na sede da Editora Oito e Meio – 2 de setembro de 2016.

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Lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio (Editora Patuá), na sede da Editora Oito e Meio – 2 de setembro de 2016.

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Lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio (Editora Patuá), na sede da Editora Oito e Meio – 2 de setembro de 2016.

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Lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio (Editora Patuá), na sede da Editora Oito e Meio – 2 de setembro de 2016.

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Lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio (Editora Patuá), na sede da Editora Oito e Meio – 2 de setembro de 2016.

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Lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio (Editora Patuá), na sede da Editora Oito e Meio – 2 de setembro de 2016.

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Lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio (Editora Patuá), na sede da Editora Oito e Meio – 2 de setembro de 2016.

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Lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio (Editora Patuá), na sede da Editora Oito e Meio – 2 de setembro de 2016.

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Lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio (Editora Patuá), na sede da Editora Oito e Meio – 2 de setembro de 2016.

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Lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio (Editora Patuá), na sede da Editora Oito e Meio – 2 de setembro de 2016.

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Lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio (Editora Patuá), na sede da Editora Oito e Meio – 2 de setembro de 2016.

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Lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio (Editora Patuá), na sede da Editora Oito e Meio – 2 de setembro de 2016.

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Lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio (Editora Patuá), na sede da Editora Oito e Meio – 2 de setembro de 2016.

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Lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio (Editora Patuá), na sede da Editora Oito e Meio – 2 de setembro de 2016.

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Lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio (Editora Patuá), na sede da Editora Oito e Meio – 2 de setembro de 2016.

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Lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio (Editora Patuá), na sede da Editora Oito e Meio – 2 de setembro de 2016.

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Lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio (Editora Patuá), na sede da Editora Oito e Meio – 2 de setembro de 2016.

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Pós-lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio – 2 de setembro de 2016.

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Pós-lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio – 2 de setembro de 2016.

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Pós-lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio – 2 de setembro de 2016.

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Pós-lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio – 2 de setembro de 2016.

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Pós-lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio – 2 de setembro de 2016.

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Pós-lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio – 2 de setembro de 2016.

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Pós-lançamento no Rio de Janeiro de Trítonos – intervalos do delírio – 2 de setembro de 2016.

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Hoje, o querido amigo Sândrio Cândido publicou um texto que me emocionou demais, com reflexões feitas a partir do meu “Trítonos — intervalos do delírio” (Editora Patuá, 2015). Convido todos a lerem “Teofilo e as arapucas“, que me fez sentir verdadeiramente que esse livro não é mais meu. O livro se dá para que o leitor faça o que quiser com ele. Como autor posso ter feito a cartografia, mas o mar é de quem o navega. Gratidão infinita por navegar minhas palavras…

“O texto lido já não é apenas o texto do autor, mas é acima de tudo a enxada doada ao leitor, para limpar suas próprias terras e assim plantar suas próprias roças.” Essas palavras do Sândrio não param de ecoar em mim. Que mais pode querer um autor, se não fazer de suas palavras uma enxada doada ao leitor?

Leia aqui a íntegra de “Teofilo e as arapucas”, de Sândrio Cândido.

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Na festa que quatro anos da Editora Patuá (há pouco mais de um ano, portanto), voltei acompanhado por dez amuletos, além de duas garrafas de cerveja. Entre esses amuletos, estava Des. caminhos, o livro de Adri Aleixo. Nessa ocasião, ela me disse que seu livro era para se ler num único ato, numa tarde de sábado — imaginei uma tarde chuvosa, com cheiro de terra subindo e abraçando o olfato acostumado ao asfalto dessa selva de pedras a que hoje chamo de minha cidade, por adoção e no provisório de todo estar. Na primeira folha em branco do livro, sua caligrafia me faz “um convite para des. caminhar entre pétalas e estilhaços”.

Dos amuletos que vieram comigo após a festa de 4 anos da Editora Patuá, em 20 de fevereiro de 2015.

Dos amuletos que vieram comigo após a festa de 4 anos da Editora Patuá, em 20 de fevereiro de 2015.

Já faz algum tempo que respondi a esse convite e me coloquei, des. caminhante, nas estradas impressas dessas páginas. Em setembro terminei o livro e em outubro comecei a escrever esse texto, que acabou interrompido pelo incessante fluxo de dias corridos. Mas lembro bem que adentrei o livro como num orbe repleto de sonhos e quimeras, pétalas e estilhaços, delicadezas e rios… E, claro, de montes, desses típicos dos horizontes dessas Minas Gerais. Logo no início, uma revelação (ou uma re-lembrança)  me preparou para a natureza dos poemas que me esperavam: Poético é o Estado Físico da Matéria.

Os poemas ali devem ser lidos com todo o corpo, com “orvalho no olhar” e “os pés cheios de inundação”. Como leitor, ecoei a súplica desses versos: “me pegue e me leve / para um desses seus / poemas.” Mas a verdade é que eu já estava neles, des.caminhando com os olhos, atendo ao momento nos quais se “desprende um clarão / para sublimar insanos”.

Os versos de Adri me evocavam tardes chuvosas, nas quais a gente vai se “desconhecendo a partir do que falavam / ora pétala / ora erva”. Talvez porque seu livro inteiro me evoque aquela imagem que ela me ofereceu numa conversa: “um livro para se ler inteiro numa tarde de sábado (que imaginei chuvosa). Ainda que eu tenha me deslocado bastante, na ordem prática dos dias, desse ambiente de leitura, ele pulsa no livro inteiro. Encenei meu papel de leitor em três atos, quase cíclicos. O primeiro, numa noite, voltando do trabalho de ônibus. O segundo e maior, numa manhã quente de domingo, enquanto a casa ainda dormia. E o último ato, repetindo o primeiro, também dentro de um ônibus, mas com a leitura terminando antes que eu chegasse ao meu destino — e, com isso, me ficaram reverberando os poemas finais pelo resto do trajeto. No poema Des.caminhos, leio que “Foi refazendo caminhos que me permiti / necessária”. O poema seguiu “Adejando rios / Desfolhando noites.” Fiquei com essas imagens ressonantes, antes de me dirigir ao poema derradeiro, Des.caminhos II — “Coisa de rir e de sonhar”! Deixo-o inteiro aqui:

Na ida todo santo ajuda
mas na volta
houve tanto alumbramento
tanta iluminura.
Coisa de rir e de sonhar.

Esses versos são uma bela metáfora sobre a escrita. Aliás, são muitas as alusões à escrita, à leitura e a linguagem. Inda no primeiro ato de minha leitura, deparei-me com um poema que, sem pudores, ordena: “Tire sua roupa e leia este poema / você tirou os seus sapatos para empinar a pipa / Para que servem as máscaras”. No percurso desse poema, ainda me deparo com a seguinte preocupação: “não deixe amarelar as palavras como se amarelam as flores”. Mal saído desse alumbramento, sou tragado pelo início espantoso de Fonemas: “Ele inaugura linguagens / no percurso do meu corpo”. A poeta, que se diz “Vestida de chuva / e plena de encantos”, anuncia e partilha Do Verbo que se encarna em todo leitor e todo escriba:

A palavra estilhaçou meu peito
e o que pulso
É poesia.

É poesia, pulsante e em estado puro, o que encontrará todo leitor que se aventurar por esses Des. caminhos.

Des. caminhos, de Adri Aleixo (Patuá, 2014).

Des. caminhos, de Adri Aleixo (Patuá, 2014).

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Um voo amplo tem início logo nas primeiras páginas. Casulo rompido, é hora de ganhar alturas e conhecer a vertigem do espanto. Violeta velha e outras flores (Editora Patuá, 2014), de Matheus Arcaro, lança logo o leitor, em seu primeiro conto, no olho do redemoinho, numa avalanche de sensações pequeninas – e incomensuráveis.

Esta narrativa me tocou como uma obra-prima a dizer do que o autor era capaz, acendendo em mim o desejo de seguir empós dessa prosa repleta de poesia.. Ali, a descrição inicial da estrada, numa viagem de carro em família, me remeteu inicialmente ao Caçador de vidro, conto de abertura de O volume do silêncio, de João Carrascoza. Mas as descobertas e epifanias na jornada do pequeno Lucas no decorrer da história me remeteram à poesia que encontrei nos olhos míopes de Miguilim. Este, porém, se revelou um Miguilim solitário, sem gozar de nenhuma cumplicidade com o irmão.

A intensidade da experiência de Lucas – e de sua comunhão com o mundo – provoca uma aterradora ternura. “Era como se sua alma se multiplicasse dentro do corpo.” Sim, é isso que nós, leitores, sentimos. Sentimos sua vertigem e seu alumbramento e sua dor, na descoberta da finitude – e também da solidão essencial. “E pela primeira vez Lucas chorou em silêncio.” Nós também choramos, mas sem a inocência da primeira vez.

Mas se Casulo rompido é o que primeiro me vem à cabeça, quando penso em Violeta velha – uma primeira impressão que ficou, de tão arrebatadora – o fato é que o livro vai muito além. São 22 contos que se dividem em seis conjuntos e exploram diversas formas de se narrar.

No primeiro conjunto, personagens simples são confrontados com a complexidade da vida: a criança de cinco anos se defronta com a imensidão do mundo, o indigente com os meandros da memória (no belíssimo O sonho), o mentalmente diverso com a rejeição e a própria fúria, o menino com um adeus, o garoto estranho e sua mãe aflita com a impossibilidade de se diagnosticar o extraordinário.

O segundo conjunto, composto por uma única história, descreve a experiência de ser atropelado pelo jorro incessante do quotidiano, cujas contingências desimportantes e cíclicas se sucedem feito enxurrada. Ou avalanche.

Um mergulho profundo no abismo de dentro de si me parece conectar as histórias do terceiro bloco. Desse mergulho, nem sempre é possível voltar (evoco aqui o pungente Ausência confirmada) ou encontrar o mundo da mesma forma (como em À beira do abismo, com seus ecos de surrealismo, absurdo ou realismo fantástico).

O quarto grupo de histórias funciona como um espécie de contraponto do segundo, com suas narrativas em que o estranhamento do quotidiano permite que se abram portas para fora da trivialidade de todo dia. As três histórias (Reencontro, Noite nua e Em nome do pai) são de uma beleza dorida e melancólica que me encheram de exclamações estupefatas. Talvez por ofertarem “Aos que transitam pela rua disseminando instintos e dissipando instantes, uma cara despida de esperança.” Ou talvez por mostrarem que mesmo a escuridão pode revelar e fortalecer outros sentidos do corpo. Seja como for, neste percurso a sensação que fica é o desejo de “acariciar cada vestígio do momento”.

As cinco histórias que compõem o quinto grupo exploram variações sobre o tema da degeneração, ou da destruição e da autodestruição. A iminência da morte, a violência, a velhice, o abandono, a doença, o vício, as sequelas do acaso que vitima o corpo e a morte são elementos presentes nessas narrativas. O horror instintivo de entregar-se “à sensação de não sentir” acompanha cada percurso aqui. Não sei se esses contos formam uma ode à vida, cantada às avessas, ou se apenas testemunham a inexorável finitude e a impermanência de todas as coisas.

Para além da morte, o conjunto derradeiro oferece ao leitor três histórias que abordam questões ligadas à construção da fé, à descrença, ao confronto entre ciência e religião e à experiência mística. Nesse conjunto primoroso, a diversidade de formas narrativas conduz o leitor, com ironia mordaz, pelas muitas moradas de um além que se espelha no mundo – ou que faz do mundo seu espelho (em Está tudo escrito), para depois assombrá-lo com o vislumbre de uma verossímil comprovação científica capaz de abalar os pilares da fé ocidental (Dois homens mortais).

Fechando este grupo – e toda o livro – Condenado à liberdade nos convida a voltar à própria obra, sugerindo a repetição cíclica de um eterno retorno. Por vezes, parece fletir-se e refletir sobre a própria linguagem: “Aqui consegui ouvir a vida gritando em meus pulsos, consegui apanhar a eternidade em cada átimo e soltá-la para que tudo não passe de possibilidades”. Penso que, nesse lugar, “o mundo é pequeno demais; eu só caibo nesta cela”, que pode ser a palavra, essa entidade que carrega em si o gérmen do incomunicável.

Violeta velha e outras histórias, de Matheus Arcaro (Editora Pautá, 2014)

Violeta velha e outras flores, de Matheus Arcaro (Editora Pautá, 2014)

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Onde faltam palavras, resta a música do delírio. E os mil e um fragmentos de memória, tecidos numa imensa colcha dos afetos. Esse dia reverbera ainda. E continuará reverberando em mim…

Registro minha gratidão imensa a todos que trouxeram suas palavras e seu carinho, pelas várias estradas rasgadas nas infovias. A todos que me povoaram com sua presença. E que alucinarão minha escrita em seus olhos ledores. Gratidão a todos. Gratidão à vida por todos vocês estarem nela.

Algumas lembranças fotográficas desse dia 2 de dezembro de 2015, quando Trítonos – intervalos do delírio deixou de ser o meu livro e ganhou o mundo, graças à Editora Patuá.

Essa foto foi possível porque no dia 30 de novembro, o amigo Délcio Teobaldo me presenteou com um texto incrível (veja aqui) em que falava de sua amizade com meu pai, Guilherme Daniel Neto, e do lançamento de meu livro. Por fim, Délcio pedia que eu colocasse ao meu lado flores, pois ali meu pai estaria presente.

Esta foto foi possível porque no dia 30 de novembro, o amigo Délcio Teobaldo me presenteou com um texto tocante (veja aqui) em que falava de sua amizade com meu pai, Guilherme Daniel Neto, e do lançamento de meu livro. Por fim, Délcio pedia que eu colocasse ao meu lado flores, pois ali meu pai estaria presente.

Correndo para chegar no lançamento. "Corram, poetas, corram!"

Correndo para chegar ao lançamento. “Corram, poetas, corram!”

Lançamento do livro Trítonos - intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

Lançamento do livro Trítonos - intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

Lançamento do livro Trítonos - intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

Lançamento do livro Trítonos - intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

♥ – Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

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♥ – Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

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Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

Registro do instante em que vi o livro pela primeira vez, com seu corpo feito de celulose e tinta, palavras e espaços vazios para o leitor.

Registro do instante em que vi o livro pela primeira vez, com seu corpo feito de celulose e tinta, palavras e espaços vazios para o leitor.

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Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

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Meu querido amigo e editor, Eduardo Lacerda.

Cavaleiro andante estrela marginal
Sobre o Rocinante escravo de metal
Um acorde rasga o céu
Raio negro a cavalgar o som
E cavalgar sozinho… e cavalgar

Viverá pra sempre em nosso coração
O moinho vento nova geração
Um menino vai crescer
Procurando em cada olhar o amor

(DOM QUIXOTE – César Camargo Mariano & Lula Barbosa)

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Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

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Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

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Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

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Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

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♥ – Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

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Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

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Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

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Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

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Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

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Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

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Meu querido amigo e editor, Eduardo Lacerda.

Tanta gente se esconde do sonho com o medo de sofrer
Tanta gente se esquece que é preciso viver
Combater moinhos, caminhar entre o medo e o prazer
Somos todos na vida, qualquer um de nós
Vilões e heróis, vilões e heróis

(DOM QUIXOTE – César Camargo Mariano & Lula Barbosa)

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Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

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Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

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Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

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Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

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Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

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Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

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Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

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Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

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Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

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Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

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Lançamento do livro Trítonos – intervalos do delírio, publicado pela Editora Patuá.

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No dia do lançamento de Trítonos – intervalos do delírio, a Janaina, o Gilberto, a Olivia e a Larissa, muito queridos, me ofereceram, além da preciosa presença deles, essas lindas hortências. Somente no dia seguinte descobri que junto às flores morava um pequenino ser, que me pareceu ter se interessado pelo meu livro… Premonição? Tomara!!!

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Texto de Délcio Teobaldo, publicado em 30 de novembro de 2015.

1. Um dia ele chegou lá em casa com o gravador já ligado e perguntas na ponta da língua. Queria uma entrevista para a rádio onde era “a voz” do horário de maior audiência. Alto, cabeludo, desleixado e desajeitado, dava a impressão (nunca fez questão que se desfizesse) que metia os pés pelas mãos e vice-versa.

2. Eu havia escrito uma peça de teatro e dirigia os primeiros ensaios, daí a justificativa da entrevista. Dei um passo atrás, mas diante da insistência dele, concordei com a entrevista. Quando ouviu minha voz mudou o objetivo do encontro: “Com esta voz, você ganha fácil, fácil, um horário na rádio”.

3. Daí se dispôs a me ensinar os truques da profissão. Através dele e de outros amigos pacientes e crédulos, conquistei um dos horários nobres (das 17 às 22hs) na Rádio Sociedade de Ponte Nova, MG. Quando decidi vir para o Rio de Janeiro, duas semanas depois ele desembarcou por aqui onde éramos um bando de mineiros aprontando anarquias numa pensão da Ladeira Felipe Neri, Praça Mauá.

4. Poeta, ativista, comunicador brilhante, Guilherme Daniel Neto fez nome no rádio carioca. Quando fui para o jornalismo impresso, nos distanciamos. Viveu em estado de poesia. Morreu no limite dos sonhos e dos desejos. Agora, recente, nos reaproximamos através dos seus dois filhos que descobri por aqui: os poetas Teofilo Tostes Daniel e Roberta Tostes Daniel

5. Leio eles sempre. Identifico aqui e ali a língua lâmina do pai: “A xamã vem em meu socorro com seu bailado, seus aromas e suas canções. Confundo-a com a serpente. Ou com a divindade mãe. Sua mão sobre a minha cabeça é a pata de um jaguar, em cuja pele se inscrevem segredos milenares. Leio o incomunicável dos tempos.“ Trecho de “Primeiro interlúdio” do livro “Trítonos – intervalos do delírio” (Editora Patuá)

6. Nesta quarta, dia 2, meus caros amigos paulistanos, Peter O. Sagae, Sergio Gagliardi-Gag, Antonio Carlos Nogueira, Dolores Prades, May Shuravel, Juliana Rego, Alessandro Buzo… Teofilo lança seu primeiro livro. Fica a vocês o compromisso compadrio de abraçá-lo na minha ausência. A você, poeta, ponha ao seu lado uma cadeira vazia. Sobre ela uma flor qualquer, natural ou de crepom, celofane. Seu pai vai estar aí. Orgulhoso, sim, contemplativo, nunca. Giramundo, inquieto, metendo os pés pelas mãos e vice-versa, sorriso feito o seu, do tamanho do mundo.

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Felice: Mirco, você enxerga?
Mirco: Sim. E desde quando você é assim?
F: Desde que nasci. Como são as cores?
M: São lindas.
F: Qual é a sua predileta?
M: O azul.
F: Como é o azul?
M: É como quando anda de bicicleta e o vento bate na sua cara. Ou também é como o mar. O marrom… sinta isso. É como a casca desta árvore. Sente como é áspera?
F: Muito áspera. E o vermelho?
M: O vermelho é como o fogo. Como o céu no pôr-do-sol.
(Do filme “Vermelho como o céu”)

Estamos atentos aos detalhes todos do mundo que podemos perceber? A tudo que o mundo nos oferta? A tudo que ele pode nos dizer? Que lugar cada coisa, pessoa ou memória ocupa em nossos afetos e percepções? É difícil não se fazer essas perguntas depois de assistir a “Vermelho como o céu”. E, principalmente, é difícil não se arrebatar pelo filme de Cristiano Bortone, que conta a história de um menino que em 1970 perde a visão num acidente e, por falta de opção, já que as escolas italianas não aceitam cegos entre seus alunos (testemunho de que a educação inclusiva é recentíssima), acaba enviado para uma instituição de ensino “apropriada” em Gênova, longe de sua família e de sua cidade.

imgsemanario0005Inspirado na vida de Mirco Mencacci, editor de som do cinema italiano, o filme passa distante das edificantes e previsíveis histórias de superação. O espectador assiste a uma celebração da imaginação, dos sonhos e dos sentidos, enquanto acompanha as descobertas do pequeno Mirco em sua nova condição. E é provocado o tempo todo, seja pela grandiosidade da dimensão onírica — que ganha na tela traduções imagéticas, a partir dos sons de que o menino passa a se valer para dizer sobre o mundo –, seja pelas indagações ditas pelos próprios personagens, diante de suas dúvidas e abismos. Indagações sutis como a do professor que, ante a recusa de Mirco em aceitar que não mais enxerga e a participar de uma tarefa proposta em sala — tocar, cheirar e sentir objetos variados –, diz-lhe simplesmente:

— Eu também enxergo, mas não é suficiente. Quando vê uma flor, não quer cheirá-la? Ou quando neva, não quer andar sobre a neve branca? Tocá-la, senti-la derreter nas mãos? Vou lhe contar um segredo. Algo que notei vendo os músicos tocarem. Eles fecham os olhos. Sabe por quê? Para sentir a música mais intensamente. Pois a música se transforma, se torna maior, as notas ficam mais intensas. Como se a música fosse uma sensação física. Você tem cinco sentidos. Por que usar só um deles?

Ao se apropriar de um gravador, primeiramente surrupiado da sala dos professores — e depois veladamente ‘cedido’ por seu professor — Mirco passa a explorar a dimensão sonora de sua imaginação. Os resultados de suas investigações são de tal forma surpreendentes, que acabam por arregimentar os que estão ao seu redor.

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E neste aspecto “Vermelho como o céu” tem uma dimensão política irrefutável. Aliando doses suficientes de coragem e talento, Mirco, um menino que acabara de ficar cego e de chegar a um ambiente estranho — e por vezes hostil –, termina por promover mudanças na instituição antiquada e um tanto castradora que o recebera. Para além da fragilidade óbvia, uma força insuspeita irrompe deste personagem. Contagia a muitos. E promove mudanças. Como que a nos indagar se estamos prontos para sermos a mudança que queremos ver no mundo.

Não sei se, neste ponto, a história de Mirco Balleri, o personagem, se confunde com a história de Mirco Mencacci, a pessoa real em cuja história o filme se baseia. Mas os acontecimentos de “Vermelho como o céu” não precisam ser verdadeiros. Para que a história se sustente, basta que sejam verossímeis. E não é possível descrer da sucessão de eventos que leva a surpreendentes mudanças nos rumos daquele colégio, e de tantos personagens que trabalham nele, habitam-no e, com tijolos de si, constroem aquele lugar.

“Vermelho como o céu” foi uma surpresa do último domingo. Assisti-lhe sabendo apenas que era um filme sobre um menino que fica cego e enfrenta dificuldades para continuar estudando. De repente, ele tomou dimensão de deslumbramento. O filme leva às lágrimas, mas não pela constatação das durezas da condição humana. Chorei no final por um inominado sentimento de celebração e gratidão à vida. E a todas as suas potências criadoras.

Evoé!

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Deixo abaixo uma versão legendada de “Vermelho como o céu” que encontrei no youtube quando comecei a escrever sobre o filme:

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“… we are such stuff / As dreams are made on, and our little life / Is rounded with a sleep.”
William ShakespeareThe Tempest. Act IV, Scene 1

Grandes obras são feitas dessa mesma matéria de que são feitos os sonhos. Por isso têm início como névoa, germinam em dúvidas e descobertas, e palmilham incertezas. Ganham corpo assim, na impermanência. Dessa forma, elas se alimentam constantemente da mesma substância impalpável que erigem mundos, uma vez que o estofo dos sonhos é matéria desejante. Mesmo solidificadas num legado, precisam escorrer do corpo daqueles que as criam, como suor, sêmen, baba… Sem o extrato do corpo, se extinguem antes mesmo de nascerem.

O Núcleo Universitário de Ópera (NUO), criado pelo maestro Paulo Maron, é uma dessas grandes obras, nascida certamente da matéria de um sonho. Um sonho que se alimenta há mais de dez anos, e que hoje existe solidificada, como legado. Essa que é uma das poucas — se não a única — companhia de ópera estável no país levou aos palcos, desde 2004, cerca de vinte espetáculos, formando plateia e artistas. Sim, porque os atuadores do NUO não são somente cantores. São artistas que pesquisam, no vasto instrumento de trabalho que é o corpo, as possibilidades de criação dentro desse templo de Dionísio, chamado palco. Tornam-se múltiplos, para que a linguagem que desenvolvem — e que resulta de intensa e constante pesquisa — exista através deles.

imgsemanario0003Nessa condição de existir como grande obra e legado, o NUO se alimenta de sonhos. E hoje, com toda uma história e tendo atingido estabilidade como companhia e reconhecimento de seu público, o Núcleo está trabalhando para terminar a construção de uma sede própria.

Para viabilizar esse objetivo, o NUO criou no Catarse um projeto para financiar a construção de sua sede. O Catarse é uma ferramenta de financiamento coletivo na internet. Por meio dela, qualquer pessoa que queira pode contribuir — e ainda receber recompensas por isso! Dependendo do valor da contribuição, o grupo oferece em troca convites para recitais, DVDs de produções anteriores e até um Workshop de preparação corporal, em data a ser agendada, além, é claro, de agradecimento especial no blog do Núcleo e no programa de sua próxima produção.

Todo projeto selecionado pelo Catarse tem um prazo de arrecadação. O do NUO já está terminando. Ele se encerra em nove dias (dia 21/01/2014). Portanto, se você já conhece o NUO, não deixe de apoiá-lo. Se não conhece, permita-se encantar por ele. Clique aqui e apoie o projeto. Eu já apoiei.

Projeto NUO – Catarse from Pedro Ometto on Vimeo.

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Há dez anos, inaugurava o Tablo[i]g na blogosfera. Na época, embora os blogs fossem uma febre, eu optei por fazer um blog dentro de um site pessoal, todo construído em HTML. Tinha aprendido, não havia muito, a construir sites. Portanto, além do exercício de escrita, havia também o exercício da edição.

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Primeira versão do Tablo[i]g num antigo site pessoal

O nome, simplório, conquistou permanência. Junção das palavras Tabloide e Blog. Sua ideia era existir na fronteira das noções de um caderno de notas públicas e de um tabloide íntimo.

Hoje, olho para traz buscando tatear aquele que fui, e que deu início ao exercício público da escrita. Sou o mesmo e tão diverso do eu que era… Dez anos de vida é vida inteira. A gente é capaz de se recontruir incontáveis vezes num tempo assim tão dilatado. É capaz de se inventar novo de tempos em tempos, sem perceber que o novo guarda o mesmo que lhe deu origem. E que recolhe na memória alguns vestígios de história, a que se costuma chamar identidade.

Aquele que fui se rendeu às facilidades de uma plataforma para blog somente em 2005. Quando já habitava outra cidade. Era outro? Talvez fosse, na telúrica Minas. Passeei pelo novo blog, expondo textos e tateando incertezas, durante cinco anos.

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O Tablo[i]g enfim se rende à plataforma de blog em 2005

A internet era outra. E o eu, também outros — vezes tantas! Com as mudanças da internet, fui levado a inaugurar em 2010 meu blog atual. As ferramentas da nova plataforma me permitiram, além de continuar meu “caderno de notas públicas”, recolher e armazenar os textos antigos dos dois blogs anteriores. Foi o que fiz, reunindo essa dispersa história que, nesta sexta-feira 13, completa dez anos.

São dez anos de escrita pública aqui, nas infovias. E dez anos de outras escritas várias, em grande parte ainda não publicadas. Isso porque eu acabo sendo um tanto antiquado: em geral, quando escrevo, penso em livro. Livro impresso. Tinta em papel. Por isso, termino relegando ao blog o esporádico das palavras. Mais do que um caderno de notas públicas ou um tabloide íntimo, faço do meu blog um espaço de diálogo impermanente. Ou de ensaios de escrita. Ou de tudo quanto é vário e inacabado. Talvez aí resida a verdade de meu blog se anunciar como um caderno de notas públicas…

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Em 2010, na nova plataforma, o Tablo[i]g passa a não só cumprir sua função de “caderno de notas públicas”, mas também a reunir sua história, armazenando os posts dos dois blogs anteriores

Para 2014, pretendo dar ao Tablo[i]g uma nova dinâmica de atualização que dependa menos de eu querer publicar no ecrã algo daquilo que escrevo para manchar a brancura do papel. É o desejo de hoje. Tudo pode mudar até lá, embora estejamos às portas desse novo ano. Se é assim, que ele abra uma nova década aos meus escritos!

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O lançamento do livro História Íntima da Leitura, que ocorrerá no dia 16 de setembro, das 14h às 18, na Casa das Rosas, marca a estreia da Editora Vagamundo no cenário editorial brasileiro – e na vida dos leitores e dos escritores. A obra, uma coletânea de textos ficcionais de 18 autores sobre as relações entre a leitura e a escrita, apresenta as propostas da nova editora: dar voz a autores contemporâneos nos mais variados gêneros literários e ser uma editora feita por leitores para leitores, apostando na criação de canais de comunicação com o leitor e na publicação de livros de qualidade a preços acessíveis.

O livro traz uma teia de narrativas que forja uma história da literatura a partir da leitura e coloca em tensão e diálogo os papéis de leitores, livros e personagens, enveredando pela construção de uma biblioteca que reinventa a noção de intimidade. História Íntima da Leitura convida também o leitor a deixar suas marcas e inserir-se no texto, reescrevendo, a cada leitura, uma nova história. Nesse ponto, a Editora Vagamundo inova, chamando cada leitor, na última página dessa espécie de livro infinito, a continuá-lo com suas próprias histórias, fazendo do ato da leitura o centro do processo. Para isso, a Vagamundo mantém em seu site o “Espaço do Leitor”, onde as histórias íntimas dos leitores serão publicadas.

Em parceria com a Levante Cultural, a Editora Vagamundo lançou ainda um documentário com os autores da História Íntima da Leitura. O vídeo, bem como a íntegra dos depoimentos dos autores, estão disponíveis no site da editora sob licença Creative Commons. Trata-se de mais um convite para que o leitor possa se inserir na construção de um trabalho colaborativo, legitimando o processo de significação de todo o ato de leitura. No “Espaço do Leitor”, a Vagamundo também vai publicar os trabalhos derivados, em qualquer formato, feitos a partir do material audiovisual relacionado ao projeto.

Lançamento

O evento de comemoração do lançamento da História Íntima da Leitura e da Editora Vagamundo será realizado no dia 16 de setembro, das 14h às 18h, na Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura –, um importante espaço dedicado à literatura, situado na Avenida Paulista, 37.

O livro será vendido a R$ 23,00, valor abaixo da média do mercado, confirmando o compromisso da editora com os seus leitores. Quem quiser garantir seu exemplar durante o lançamento, poderá adquiri-lo mediante o pagamento em dinheiro ou cheque. Após o lançamento, o livro estará disponível no site da Editora Vagamundo, que aceita todos os cartões de crédito e tem como política permanente o envio gratuito para qualquer lugar do Brasil.

Serviço:
Lançamento do livro: História Íntima da Leitura
Quando: 16 de setembro de 2012, das 14h às 18h.
Local: Casa das Rosas – Avenida Paulista, 37 (próximo ao metrô Brigadeiro). Estacionamento pela Alameda Santos, 74.

Editora Vagamundo:
www.editoravagamundo.com.br

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http://www.youtube.com/watch?v=k4NFOemJFuU

http://www.editoravagamundo.com.br | Vídeo sob licença Creative Commons
Documentário com os autores da coletânea “História Íntima da Leitura”.

realização

paulo mainhard
fabiana turci
teofilo tostes daniel

depoimentos

bruna nehring
carlos kiffer
daniel mendonça
fabiana turci
ingrid morandian
isabela michelan
ivan carlos regina
livia lima
luiz de nadal
marcelo tosta
marisa tostes daniel
paulo mainhard
roberta simoni
roberta tostes daniel
sandra schamas
teofilo tostes daniel

edição

fabiana turci
paulo mainhard
teofilo tostes daniel
roberta tostes daniel

câmera

paulo mainhard
teofilo tostes daniel

trilha sonora original

teofilo tostes daniel
fabiana turci
produzida no estúdio lá

São Paulo / Rio de Janeiro – 2012

www.editoravagamundo.com.br
www.levantecultural.com.br

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http://www.youtube.com/watch?v=b_0zpJgvEZk

http://www.editoravagamundo.com.br | Vídeo sob licença Creative Commons
Vídeo com os autores da coletânea “História Íntima da Leitura”.

realização
paulo mainhard
fabiana turci
teofilo tostes daniel

edição
fabiana turci
paulo mainhard
teofilo tostes daniel
roberta tostes daniel

câmera
paulo mainhard
teofilo tostes daniel

trilha sonora original
teofilo tostes daniel
fabiana turci
produzida no estúdio lá

São Paulo / Rio de Janeiro – 2012

www.editoravagamundo.com.br
www.levantecultural.com.br

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Banner da Exposição. Tela utilizada: Amores Siameses

Olhos d’Água e de Fogo é uma exposição de 17 telas (óleo, pastel e técnicas mistas) e 7 desenhos (óleo sobre papel) do artista plástico Marcelo Tosta. Nesta exposição inaugural, o artista apresenta seu universo marcadamente dramático, povoado de figuras hipnóticas, repletas de expressividade, de paixão, dor e êxtase.

Da Meia Noite

Suas obras – de cores fortes, traços rústicos e frenéticos – apresentam um imaginário que se distingue pelo misticismo sincrético e pelas referências nômades, fragmentadas, andarilhas, quase ciganas. É o caso de telas como Maria Padilha, O Exu de Coração Negro e Seu Sete Flechas, fortemente impregnadas desses elementos, com representações de entidades tomadas da umbanda.

Maria Padilha

Muito além de uma pintura de evocação do sagrado, Marcelo Tosta consegue, em suas telas, inventar genealogias possíveis, sugerir as histórias (supostas ou inventadas) dessas entidades que evoca, como acontece em Vovó Putinha, A noiva do Zé Pilintra ou A Jovem Maria do Congo.

Vovó Putinha

Esse poder de sugerir histórias, certamente advindo de sua experiência como dramaturgo, é outra qualidade bem definida das pinturas do artista. As figuras que ele retrata são personagens, colocados em cena por seus traços e cores. A presença de elementos teatrais e circenses parece confirmar essa vocação cênica de suas pinturas, como é possível notar em Florações do Palhaço, Meu amor é do signo de peixes e Da Meia Noite, trazendo está última, segundo o artista, os traços da própria mãe.

A Floração do Palhaço

Comum a todos os trabalhos é sua carga dramática e expressiva, bem como a presença dos elementos de um misticismo nada dogmático, mas refeito e repensado num caráter todo pessoal, como se pode atestar em telas como Sóis Ciganos e Ovulação ou O Ciclo da Lua Vermelha. Isso ocorre mesmo quando o objeto retratado parece retirado do quotidiano, como em Nanete, Amores Siameses ou, mais marcadamente, no Auto-retrato do artista. Do quotidiano? Não. Trata-se da vida reinventada pela poesia de formas e cores.

Sóis Ciganos

Teofilo Tostes Daniel

O artista

Auto Retrato

Marcelo Tosta é ator, diretor, dramaturgo, professor de interpretação e artista plástico. Formado na Escola Estadual de Teatro Martins Penna, já foi premiado como ator em festivais como Prêmio Trianon (Campos/RJ), o Festival de Teatro Amador do Estado do Rio de Janeiro e Festival de Teatro de Macaé.

Como diretor, fundou a Companhia de Estudos Teatrais Religare, com a qual montou diversos espetáculos, trabalhando como ator, diretor e autor. Em sua Companhia, dedicou-se à investigação da linguagem corporal, da imagem e da vertigem, desenvolvendo método de interpretação próprio, a que batizou de “Fetiche”.

Sua experiência como artista plástico acompanha seu vasto percurso no teatro – seus primeiros trabalhos como ator remontam o ano de 1994, quando também produz seus primeiros desenhos, sempre marcados pela presença do sagrado e do profano, pelo erotismo e pelo universo onírico. Há cerca de quatro anos, diante da necessidade de expandir suas possibilidades de criação nas artes plásticas, começa a enveredar pela pintura, usando óleo sobre tela, pastel e outras técnicas mistas, desenvolvidas entre o acaso e a necessidade.

Nascido em Cabo Frio (RJ), cresceu e formou seu universo mítico e poético nos campos e matos de São Pedro d’Aldeia (RJ), mais precisamente na Rua do Fogo. De lá, há tempos, ganhou estradas.

A Noiva de Eduardo

Niño de Artes Luiz Mendonça

A casa Niño de Artes Luiz Mendoça é um espaço cultural mantido na região da Lapa (Rio de Janeiro) pela atriz Ilva Niño. O nome da casa rende uma homenagem ao falecido marido da atriz, o dramaturgo Luiz Mendonça. Desde sua fundação, em 2003, o Niño de Artes vem apresentando peças teatrais, grupos musicais e abrindo espaço para novos artistas.

Vídeo

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