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Archive for the ‘Música’ Category

Neste, que será o último texto do ano aqui em meu espaço de ensaiar com palavras, vou falar sobre algo que me acompanha constantemente: a música. Se for revisitar minhas memórias, talvez eu tenha aprendido a cantar cedo. Ou melhor, aprendido o prazer de cantar. Quando criança, por conta de várias cirurgias que fiz, aprendi a andar tarde. Isso acabou me fazendo aprender a falar muito cedo. Essas não são memórias que propriamente eu tenho. Elas me vieram como uma espécie de herança, já que foram contadas pela minha mãe.

É curioso que as poucas e esparsas lembranças que eu tenho dessa época em que eu não andava estão ligadas à diversão. Lembro de uma espécie de mesinha toda decorada que minha mãe fez para que eu brincasse. Lembro de brincar com carrinhos sobre ela. Lembro de uma imensa caixa de lápis-de-cor de 36 cores, mas desconfio que essa minha lembrança seja de um tempo em que eu já andava. Mas minha mãe conta que com um ano, eu já conhecia todas aquelas cores, e que na minha festinha de um ano (será?) eu elogiei um vestido verde-água de uma tia, que combinava com os olhos dela. Lembro também de ouvir e cantar muito as músicas de uma fita que eu tinha, que eram as músicas da Arca de Noé, feitas pelo Toquinho a partir de poemas infantis do Vinícius de Moraes, e gravadas pelos maiores nomes da MPB na época. E também me recordo vagamente de gravar muitas coisas, inclusive coisas que eu e minha mãe cantávamos, num rádio preto, que tinha um gravador diferente. Ele dava para distorcer a fita durante o processo de gravação.

Quando eu já andava (e provavelmente também antes), minha mãe contava várias historinhas para mim e para minha irmã. Boa parte delas (ou talvez as que eu mais gostasse) eram historinhas cantadas. Talvez minha afinação tenha se aprimorado bastante nesse tempo.

Minhas memórias primeiras de música na escola, além de uma das minhas primeiras memórias políticas, estão relacionadas a músicas do Milton Nascimento. Eu achava que as principais músicas dele, que tocavam muito na época (Maria Maria, Canção da América e Coração de Estudante) eram tipo músicas folclóricas, que sempre haviam existido. Não conseguia imaginar um momento em que não houvesse essas músicas. Em relação a Coração de Estudante, foi exaustivamente tocada na época da morte do Tancredo Neves. Lembro de ter me assombrado com a tristeza da minha mãe diante daquela morte de alguém que a gente não conhecia. Lembro da minha mãe ter dito que com ele as coisas iam mudar, e eu lembro que a minha preocupação, de quem não entendia nada da conjuntura política com cinco para seis anos, era saber se ele havia contado para o vice dele — o Sarney! rs — o que iria fazer.

Músicas me acompanharam sempre. Na segunda metade dos oitenta, ouvi muito Cazuza, Legião Urbana, Lobão, Paralamas do Sucesso. No início dos 90, Dire Straits, Rod Stewart, Guns N’Roses, Queen (e sobretudo Fred Mercury), ACDC, Roxette, Pavarotti, Carreras, Domingos, Ketelbey, Peer Gynt, Tchaikovsky, Mozart (entre outros!) Fagner, Caetano Veloso, Elis Regina e Milton Nascimento (que passei a ouvir muito, invadindo a segunda metade). Na segunda metade, além de Milton, Flávio Venturini, Beto Guedes, Boca Livre, MPB4, Marisa Monte, Cássia Eller, Ney Matogrosso, Chico Buarque, Bach (e toda galera da música barroca, pela qual me encantei) e Madredeus. Foi nessa época em que aprendi a tocar violão e que comecei a cantar no coral da Faculdade de Cabo Frio, a Ferlagos. Começar a cantar num coral descortinou um mundo para mim. Não só por conhecer novas músicas, como por aprender realmente a cantar.

Na verdade, aprender a cantar nunca é definitivo. Antes de entrar para o coral, tentava aprender a cantar acompanhando Milton Nascimento e Flávio Venturini. Se eram registros inapropriados para a minha voz, acabei desenvolvendo bem a chamada voz de cabeça, mesclada com o falsete. Esse, claro, foi um desenvolvimento intuitivo.

Descobrir novas músicas, novas sonoridades, e novas formas de cantas sempre me estimulou (tanto que não falei aqui de tipos de música (cigana, judaica, antiga), de compositores essenciais descobertos depois, como Arvo Pärt e Monteverdi, nem de músicos como Jordi Savall e Hermeto Pascoal, de bandas como Beatles, Secos e Molhados, Mawaca e Perotá Chingó, ou de cantores e compositores populares como Lenine, Mônica Salmaso, Renato Braz, Osvaldo Montenegro, Mercedes Sosa, entre outros, descobertos — ou redescobertos — depois dos anos 2000). Quando me mudei para São Paulo, comecei a cantar em dois corais com repertórios bem distintos. Um que fazia primordialmente MPB (embora eu já tenha cantado outras coisas nele, sobretudo no início com a regente anterior) e outro que cantava essencialmente música sacra, chamado Vox AEterna.

Foi logo que entrei no Vox AEterna que conheci o hoje meu amigo e professor de canto André Estevez. Ele tinha sido chamado pela regente do coro, a querida Muriel Waldman, para reforçar os tenores, que tinham muitos solos na música que o coro estava ensaiando: o belíssimo Requiem de Fauré. Na época, eu cantava nos dois coros como tenor (e acho que até hoje eu preferiria cantar assim em coral, por ter mais facilidade com os agudos do que com os graves).

Em 2010, comecei a fazer aula de canto com o André, e isso vem me mostrando que aprender a cantar nunca é definitivo. Sou, claro, um cantor amador, então o progresso é lento, o tempo de estudo é mínimo. Mas se eu olhar o cantor que fez as primeiras aulas e o cantor que sou hoje, a diferença é gritante. Comecei como tenor, mas me redescobri barítono, fazendo às pazes com os registros graves que haviam ficados esquecidos (embora eu tenha cantado como baixo no primeiro coro de que participei). Apesar disso, hoje tenho mais facilidade de fazer um sol ou até mesmo um lá agudo do que na época em que estudava como tenor.

Aliás, uma pequena digressão. Nesses dias, minha mãe lembrou de uma pequena história minha ligada a um importante barítono brasileiro. Uma história que mostra que talvez cantar, para mim, sempre esteve muito ligado à diversão. Reproduzo aqui a lembrança escrita pela minha mãe:

O pequeno Téo, no início nos anos 80, antes mesmo de aprender a falar, já cantava. Um exemplo: havia na tv uma campanha para incentivar a arrecadação de impostos através da emissão de NF, onde o também barítono Paulo Fortes surgia como um garçom que ao ouvir “garçom, a nota!”, erguia o braço e soltava um potente “dóóóóóóóóóó”! Ao iniciar a propaganda o Téo já erguia o bracinho e emitia o seu “dózinho”, achando muita graça.

Voltando da digressão, há algum tempo, o André faz concertos com seus alunos. Acho que o primeiro de que me lembro foi um pouco antes da inauguração do Espaço Núcleo, a sede do Núcleo Universitário de Ópera (NUO). Fizemos uma apresentação no salão de ensaios, num espaço ainda em construção — e que estava sendo construído para abrigar óperas e outros espetáculos artísticos e, sobretudo, musicais. De uns três anos pra cá, mais ou menos, esses concertos passaram a ser com alunos do André e da Angélica Menezes, também cantora do NUO e professora de canto. Foram dois concertos temáticos, antes desse último, livre.

O último concerto de alunos ocorreu a exatamente doze dias. No início da noite de 16 de dezembro, o Espaço Núcleo recebeu diversos alunos, que apresentaram repertórios e formas de cantar variados. O que mostra mesmo que aprender a cantar nunca é definitivo. E ensinar a cantar também não, pois é sempre um novo desafio, a cada novo aluno que chega. Esse é o relato do André, e ouvir seus alunos me dá muito a dimensão disso.

No concerto, eu iria cantar três músicas e tocar violão para acompanhar outra cantora em duas. Cantora que, por motivo de trabalho, acabou não podendo ir. As músicas que eu cantei são do repertório mais antigo. Duas músicas barrocas e uma do período clássico. A primeira foi “Rosa del Ciel”, ária de uma das primeiras óperas de que se tem registro: Orfeo, do Monteverdi. A segunda, dando um salto no tempo, também foi uma ária de ópera. “Se vuol ballare”, da ópera As Bodas de Fígaro, de Mozart. E para fechar, o meu grande desafio pessoal do concerto, sobre o qual escrevi no texto passado: “Erbarme Dich”, ária da Paixão Segundo São Mateus, de Bach. Deixo aqui as três músicas, nessa exata sequência — que foi a sequência em que foram apresentadas.
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Barítono: Teofilo Tostes Daniel
Violino Barroco: Camila Rosati Colepicolo
Piano: Camila Brioli

Recital dos alunos de canto de André Estevez e Angélica Menezes
16 de dezembro de 2017
Espaço Núcleo

Filmagem: Fabiana Turci

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Ouvir Bach foi sempre um enlevo para mim. E talvez a ária Erbarme Dich seja uma das peças que mais ouvi dele, exatamente porque é das que mais me arrebatam. Por isso, em primeiro lugar quero registrar meu agradecimento ao André Estevez (meu professor de canto), à Camila Brioli e à Carolina Rosati Colepicolo, por terem tornado esse momento possível, contornando as inseguranças de um cantor amador como eu, que se aventura num desafio arriscado (agradeço também à minha amada Fabi Turci, pelo registro).

Bach é um compositor único. Ao ouvi-lo, ele me parece conduzir o fio de suas melodias de uma forma quase orgânica. Ao cantá-lo (ou executá-lo), no entanto, vejo claramente o quanto ele fazia música como um exercício inconsciente da matemática. Sua precisão é aterradora e, por isso, vozes que parecem passear livres se encontram e se enlaçam tanto e com tamanha harmonia. Fazer uma peça de Bach exige em primeiro lugar uma precisão e uma segurança rítmicas que me ultrapassam. Por isso, ao ensaiar a peça, saí com grande temor. Qualquer tropeço seria emaranhar-se num novelo do qual ficaria impossível sair e voltar ao fio da meada. Por isso, acabei estudando loucamente, cantando de forma quase exaustiva, aparando aresta, firmando entradas. E, além disso, contei com a generosidade e a competência de duas grandes musicistas, que fizeram de tudo para que eu me sentisse mais seguro.

Com isso, superei a parte de tornar possível esse grande desafio. Tenho consciência que agora é preciso trabalhar mais, para tornar o possível mais fácil e — por que não? — transformar facilidade em mais beleza e expressividade. É um longo caminho a trilhar. Mas ter cantado pela primeira vez essa ária desafiadora, que escuto há tantos anos, já foi uma alegria e um importante primeiro passo. Quero, talvez no ano que vem, tentar novamente essa música e vislumbrar uma evolução — e, me ouvindo, ouço claramente que há ainda bastante a progredir…

O Erbarme Dich é uma ária do oratório “A Paixão segundo São Mateus” (BVW 244), de Johann Sebastian Bach. Ela é cantada logo após o trecho que narra o momento em que Pedro nega Cristo por três vezes. A ária expressa a penitência, o choro de Pedro, ecoando como um pedido de misericórdia. O trecho do Evangelho que narra a negação de Pedro termina dizendo que Pedro, saindo, “chorou amargamente”. E é o choro de Pedro que a música ecoa: Schaue hier, Herz und Auge / weint vor dir bitterlich (Olhai aqui, olhos e coração / choram amargamente diante de vós).

Erbame Dich (do oratório “A Paixão segundo São Mateus”)
Johann Sebastian Bach

Barítono: Teofilo Tostes Daniel
Violino Barroco: Camila Rosati Colepicolo
Piano: Camila Brioli

Recital dos alunos de canto de
André Estevez e Angélica Menezes
16 de dezembro de 2017
Espaço Núcleo
Filmagem: Fabiana Turci

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Inundação a duas vozes

Entre piedras, cactus, abrazos y algodones
viene de tus pupilas pozo de agua infinito
hacia el plexo de mis adentros
donde duela nunca dudes, camino certo
(Perotá Chingó – Certo)

I

Doar a voz ao público.
Inundá-la de notas,
acordes quase abraços
e ritmos múltiplos.

Acender fagulhas
em todas as almas
apenas com o som.

II

Reverberam harmonias
que habitam essa forma
aquosa de música.
Um aguaceiro de lágrimas
apascenta o peito.

E assim ouvimos mergulhados
em lagunas amnióticas.

III

Milênios há
sob o chão dessas vozes donde
emanam sacras alegrias.
As sacerdotisas do som
evocam antepassados
e projetam

os olhos do amanhã.

IV

Fazer da voz a ferramenta.
Para avivar o fogo
não falta o ar,
assim como a água é vital
para fecundar a terra.

Isso é o que diz a vida,
esse infinito espelhado em mandalas.

V

Solares canções pequenas
reverdecem o dentro
de cada manhã.

E assim cantamos também,
dando graças
e pedindo à vida:
empresta-me teu sol!

VI

Lavra louca
trespassada por águas
que espelham o profundo –
essa é a matéria
que engendra nossa voz.

Assim se pode ouvi-la desde
as raízes de si.

VII

Silêncios também soam
com eloquência.
Fazem das gentes
ilhas num mar de encantos.

E se anuncia esse mistério
sob a forma úmida de um canto
desde a primeira chacarera.

Imagem do Show "Aguas" - Perotá Chingó - São Paulo, 13 de agosto de 2017

Show “Aguas” – Perotá Chingó – São Paulo, 13 de agosto de 2017

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(em comemoração conjunta dos meus 38 anos e dos 81 anos de Hermeto Pascoal)

I

Ele conhece a intimidade do som,
as frequências brincantes
de cada nota.

Quase posso tocar
no ar
a cadência hermética

do impossível.

São sons de se ouvir
com a nuca.

II

Ele pega um compasso
e divide
e distorce
e retorce.

Acelera, ralenta, breca
ad infinitum.

III

Ele sabe que é possível extrair
a magnitude de cada
objeto.

Afinar brinquedos,
ritmar tamancos,
descobrir a embocadura
de uma chaleira

e fazer de qualquer coisa
matéria de soar.

IV

Ele joga com as notas,
empilha várias delas
e dança com suas durações.

Em seus jogos herméticos,
a única verdade
do som é o corpo
que o produz

e determina

suas inúmeras qualidades
e efeitos.

V

Ele improvisa a chuva
que mareja os olhos
a partir dos ouvidos.

Diante do milagre
do som, compreendo
que música é coisa
de criança

eterna.

Toda brincadeira é imensa demais
para não ser levada a sério.

VI

Ele entende do trítono,
esse tão íntimo

intervalo do delírio.
Em suas mãos
nada desafina
e os semitons deslizam

caudalosos

como leitos de rio.

VII

Em consonância
estão também os nossos sóis.
E neste novo ciclo

que se inicia no céu
de nossa boca
(esse instrumento
de pulsos, tons e palavras),

celebro a viva certeza
de que há oitenta e um anos
(descontados os sons uterinos
e as composições placentárias)
ele se diverte

com notas
como eu

com palavras.

> São Paulo, 22/6/2017.

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Veredas do Tempo

(Teofilo Tostes Daniel)

Intro.: Am E7 (2x)

__ Am ______________ E7
Eu corro pelas veredas do tempo
__ Am _______________ A7
Tecendo caminhos com meus pés
Dm ____________ C C5+/7+
Eu que desenho as paisagens
_______ F _________________ E
Que transporto em minhas próprias viagens
_______ F ____________ E E7
Que transbordo em minhas marés

Am ____________ E7
Escrevo no ventre do vento
Am ____________ A7
Sussurros que fazem soar
Dm ___________ C C5+/7+
O que o silêncio me fala
______ F ________ E
Que não cala no peito e faz vibrar o ar
____ F _______________ E
E permite que eu construa em mim um lar

_ Am __ E7
O corpo é guardião da memória
_______ F ______ E
Em meus pés eu levo as estradas, trajetórias
_____ F ___________ E ___________ E7
E sob a pele habitam-me as canções e as histórias

__ Am _____________ E7
Percorro as incertezas do tempo
___ Am _____________ A7
Que trago sozinho em meu revés
Dm _____________ C C5+/7+
Eu que consinto em miragens
____ F _____________ E
E naufrago em meus personagens
_____ F __________________ E
Mas renasço em minhas próprias marés

_ Am __ E7
O corpo é celebração da minha história
_______ F _________ E
Em meus céus eu guardo as miradas, desmemórias
_____ F ________ E _____ E7
E sob a pele deliram sensações

Am

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A ideia primeira desse vídeo era apenas apresentar essa música para divulgar minha participação no último “Desconcertos de Poesia” de 2016 no dia 6 de dezembro, evento promovido pelo amigo, escritor e poeta Claudinei Vieira no Patuscada – Livraria, bar & café. Neste evento, para o qual tive a honra de ser convidado para mostrar um pouco da minha escrita e também um pouco de música, vou cantar algumas canções ciganas, entre as quais esta.

Mas ser casado com uma Youtuber abre possibilidades que para mim, menos habituado à linguagem audiovisual, são impensáveis. A partir das gravações feitas, minha amada Fabi Turci, autora do site (https://laboratoriodossentidos.com/) e do canal (https://www.youtube.com/c/laboratoriodossentidos) Laboratório dos sentidos editou esse vídeo incrível usando não só as gravações que ela fez comigo cantando, mas também com inserções de imagens tiradas dos documentários “Cobra Gypsies”, “Los olvidados – Palestina una historia de resistência” e “Al otro lado – la vida en palestina dividida por el muro israeli”, todos disponíveis aqui no Youtube.

‘Naci en Alamo’ é uma canção cigana, de autoria de Giorgos Katsaris e Dionisis Tsaknis, que descobri na voz de uma cantora de origem judaica (sefardita), chamada Yasmin Levy. Ela é um lamento de povos apátridas e/ou que têm experiências de um nomadismo forçado. Cabe hoje na voz e na história de ciganos, de palestinos, de curdos (especialmente os yazidis), de congoleses, de sírios etc, assim como também de judeus, sobretudo antes de 1948. Descobri a versão ‘Naci en Palestina’ na voz de uma excepcional cantora tunisiana que conheci recentemente, Emel Mathlouthi.

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Veja no endereço https://www.youtube.com/watch?v=4bT_X1RRO0w

Sobre Todas as Coisas
Voz: Teofilo Tostes Daniel | Piano: Camila Brioli

de O Grande Circo Místico
17 de julho de 2016 | Espaço Núcleo
Concepção: André Estevez & Angélica Menezes


Sobre Todas As Coisas
Chico Buarque & Edu Lobo

Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem
Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus

Ao Nosso Senhor
Pergunte se Ele produziu nas trevas o esplendor
Se tudo foi criado – o macho, a fêmea, o bicho, a flor
Criado pra adorar o Criador

E se o Criador
Inventou a criatura por favor
Se do barro fez alguém com tanto amor
Para amar Nosso Senhor

Não, Nosso Senhor
Não há de ter lançado em movimento terra e céu
Estrelas percorrendo o firmamento em carrossel
Pra circular em torno ao Criador

Ou será que o Deus
Que criou nosso desejo é tão cruel
Mostra os vales onde jorra o leite e o mel
E esses vales são de Deus

Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem
Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus

ograndecircomistico-cartaz

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