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Posts Tagged ‘Saudade’

(para meu avô Fernando Daniel)

Foi assim: sem nem adeus.
E o silêncio desses dias
cheios de pequenas coisas
agora fica pesando.

Isso demonstra que o tempo
não está ao meu dispor.
Isso comprova que urgente
é só o tempo do afeto.

Espero que esse silêncio
seja logo perdoado.
Não por ele. Mas por mim.
Ele aqui já não está.

Só sei que nesta manhã
ele se foi. Circunstâncias
ainda não me chegaram.
Foi assim: sem nem adeus.


————————–
Fernando Daniel

* 17/12/1923
+ 26/07/2012

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Q u a n d o   d e   m i n h a   v i a g e m   a   C a b o   F r i o

Cabo Frio de minhas adolescências permanece a mesma, não obstante as marcas da passagem do tempo. Há quanto tempo não pisava naquela plaga! E, principalmente, há quanto tempo eu não a sentia.

Cabo Frio de minhas certezas idas permanece lá. O tempo passou menos no rosto de um antigo professor do que naquela escola, cujas obras mudaram-lhe um pouco o aspecto e a disposição das coisas. Mais ainda atuou o tempo no rosto de minhas certezas e de meus projetos. Haverá rugas e cãs precoces dentro de mim?

Ainda no terminal rodoviário, esperando quem me haveria de buscar, contemplei o céu. Senti-o, como quem abre uma gaveta cheia de pó, que guarda uma fotografia bela, velha e empoeirada do que fomos.

Nas pouco mais de três horas que estive naquela cidade (não conto o tempo que passei no ônibus, pois quem está na estrada saiu e ainda não chegou, é apenas fluxo de espectativa), senti que ali estavam os meus mais profundos laços telúricos. Há um pouco daquela gente, daquele céu, daquelas ruas e daquelas águas espalhadas em mim. E, principalmente, acho que há algo que eu perdi em mim que talvez esteja lá, espalhado naquelas águas, naquelas ruas, naquele céu e naquela gente, sobretudo nos muitos amigos que não vi, na exigüidade daquelas poucas horas.

Acho que vi um pouco do meu rosto refletido no espelho daquela cidade…

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