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Archive for 27 de dezembro de 2003

É verdade que a nossa família sempre foi meio hippie. É verdade também que me aproprio (aliás, nos apropriamos) um tanto inadequadamente da palavra “luau”, que, segundo registra o Aurélio, é:

1. Festa havaiana com comidas e danças típicas.
2. P. ext. Festa em praia, inspirada no luau (1), com comidas, bebidas, música, e, às vezes, dança.

Não fomos ao Havaí passar o Natal, nem o passamos na praia. Acho que sequer havia lua neste Natal, o céu coberto de nuvens… Mas nos inspiramos no clima de um luau para montarmos a nossa ceia natalina, que foi também ceia de aniversário da Betinha, minha irmã.

Quase tudo de interessante que inventamos provém do enfrentamento das diversidades. Nosso luau não foi diferente. Aqui em nossa nova casa ainda não temos mesa (há somente uma escrivaninha em meu quarto, que é minha mesa de estudos). Fazer a ceia na escrivaninha não era uma idéia lá muito atraente, em primeiro lugar porque ela não é muito espaçosa e, depois, porque ela não poderia acolher-nos como faria uma mesa real, possuía apenas lugar para uma pessoa que teria de disputar um mísero espaço com as comidas (talvez com a farofa, ou com outro gênero qualquer).

Minha mãe inventou então (toda boa influência hippie em nossa família é responsabilidade dela) de colocar uma bela toalhinha vermelha no chão e fazer a ceia ali mesmo. Aí teria música, depois eu tocaria violão — como de fato se deu — e tudo o mais que uma tradicional ceia de Natal tem de ter (com direito a vinho e aquele negócio negro e gasoso: Coca-cola).

Foi uma ceia aconchegante e diferente, esta que passamos juntos. Há muito os Natais não eram passados nós três, em nossa casa, com a nossa ceia preparada pelas nossas próprias mãos e executadas ao nosso modo e tempo próprios. Tivemos outros belos Natais (sempre com um aniversário da Betinha servindo de prolegômenos) passados com toda família em Cabo Frio, em casa de meus avós maternos, ou em Belo Horizonte, junto aos meus avós paternos — este último acabava tendo um pouco mais cara de nosso, é verdade! Mas desta vez o fomos só nós três — busco na memória e julgo que nunca havíamos passado somente nós três um Natal.

Longe de nos entediarmos, como nos divertimos! Como apertamos os nossos laços — porque é preciso descobrir a especificidade de cada laço que nos liga a cada membro da família. Tiramos tantas fotos (que mais tem cara de fotos de aniversário do que de Natal). Desta vez, inclusive, acho que a comemoração natalina foi um epílogo ao aniversário da Beta e, pelas fotos (que, infelizmente, ainda não pude colocar aqui), ver-se-á que se tratou verdadeiramente de uma Betamania!

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